Diferentes realidades durante o parto

Quatro mulheres contam as suas experiências com o nascimento dos filhos e o sistema hospitalar em Imperatriz

Por Anna Maria Fonseca, Renata Lima e Sophia Becker

Nathália Barros, a filha Manuela e o esposo algumas horas após o parto. Foto: arquivo pessoal.

Os Indicadores de Atenção Materna e Neonatal, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 2019 registraram no Maranhão 10.616 nascimentos, e desse número, 76,92% foram cesáreos e 23,08% vaginais. Cerca de um terço dos partos do estado, 3.529, se concentram em mulheres que têm entre 21 a 30 anos. Desse total, 87,99% são cesáreos, sendo 59,32% deles realizados antes da mulher entrar em trabalho de parto, os outros 12,01% do total são vaginais.

As cesáreas são cirurgias importantes que podem ser usadas para salvar a vida da mãe e do bebê, mas representam riscos como quaisquer cirurgias e podem até trazer complicações em futuras gestações, expondo ambos a riscos desnecessários. Segundo uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), que coletou dados em 154 países de 2010 a 2018, um a cada cinco partos (21%) é por cesariana, e até 2030 cerca de um terço (28,5%) dos partos realizados serão por cesárea. Ainda conforme a pesquisa, o índice de cesáreas na América Latina é de 42,8% dos nascimentos, ou seja, é aproximadamente dois a cada cindo nascimentos, o dobro da média mundial.

A OMS defende a humanização do parto, incentiva que a mulher se informe para poder decidir o que quer para si e seu bebê durante a gestação, parto e pós-parto. A criação do parto humanizado deriva das consequências da violência nos frequentes partos por cesarianas, conhecidos nos anos 1980 como partos industriais. Para o parto humanizado uma equipe multidisciplinar é preparada para acompanhar os processos fisiológicos com a menor intervenção possível, agindo quando for necessário para manter a segurança da mãe e do bebê.

O aumento da procura por partos humanizados está relacionado com a violência obstétrica nos hospitais, que pode ser física, psicológica, sexual ou negligência praticada por profissionais da saúde contra a mulher e recém-nascido durante a gestação e parto, incluindo ainda o período do puerpério e abortos. A violência também pode ser expressa sobre a forma de discriminação e uso de procedimentos sem embasamento científico na hora do parto, práticas invasivas sem consentimento ou tratamento rude com a mulher.

Em Imperatriz, a Humaniza ITZ é a única equipe médica que realiza parto humanizado, embora existam profissionais que façam esse trabalho de forma individual. Composta por obstetras, a equipe Humaniza ITZ iniciou os trabalhos em 2019, “não existia isso aqui, um outro ou outro fazia, mas era muito raro, a paciente aqui em Imperatriz que queria tentar um parto via vaginal tinha que ir pro hospital público, porque a rede privada não tinha quem fizesse”, conta a médica obstetra Gilvannya Zaparoli, integrante da equipe.

A obstetra explica que durante o parto humanizado o ambiente é adaptado para trazer conforto e segurança para a gestante e o bebê. A mulher é protagonista, as decisões são dela, se evita intervenções desnecessárias ao aguardar com paciência todas as etapas do parto.

Um dos momentos mais esperados por uma mãe pode ser vivenciado de várias maneiras. Nesta reportagem, Acelina Mendes, Hágabe Lima, Daniela Rodrigues e Nathália Barros narram suas diferentes histórias vividas durante o parto. Nas descrições elas também comentam sobre suas experiências com o serviço de saúde público e o serviço privado de Imperatriz referentes a gravidez.

 

“Corre, o menino nasceu!”

Em torno das 7h da manhã, do dia 10 de janeiro de 2022, Acelina Mendes, dona do lar, 40 anos, sentiu cólicas leves enquanto estava na sua casa, em São Miguel do Tocantins, município do interior do Tocantins. “Me levantei com aquela dor já na cadeira, na hora deu aquela dor forte na cadeira e ele nasceu, nasceu dentro de um balde”, relata Acelina sobre o nascimento do filho.

A cólica aumentou gradualmente ao decorrer do dia, às 14h, no momento que ela estava sangrando, sentiu medo de que estivesse sofrendo um aborto espontâneo. Às 19h a dor havia se tornado maior, e às 20h40, no pico de uma forte dor nos quadris, ela deu à luz ao sentar em um balde para urinar. O pequeno Moisés nasceu prematuro, com apenas 6 meses de gestação.

“Estava dentro do balde, meu marido estava perto de mim, eu nervosa, falei para ele: ‘corre, o menino nasceu’, ele saiu e chamou a vizinha. Eu queria pegar nele [o bebê], mas não podia, eu estava tremendo, o vizinho lá perto de casa me levou logo para cá [Imperatriz], e levaram ele para UTI e entubaram”, relata Arcelina.

Depois de ser socorrida pelo marido e vizinhos, a mãe e o filho foram encaminhados com urgência ao Hospital Regional Materno Infantil de Imperatriz (HRMI). No hospital foi realizado o acolhimento da paciente por uma equipe multidisciplinar composta por fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais que atendem as gestantes e puérperas conforme suas necessidades.

Ao relatar a dificuldade que passou na hora do parto, a mãe de Moisés, que até então não tinha conhecimento sobre o parto humanizado, afirma que se pudesse o teria escolhido, para ajudá-la a relaxar na hora do parto. “A doutora passou um remédio para mim, já está ajudando, já tirei 19 ml de leite para ele, ele é ativo e reativo, se mexe muito, ele só está na sondinha agora”, Acelina Mendes contou com orgulho que o filho já está tomando leite materno e que está interagindo bastante com ela e a equipe que o atende.

Após a internação de cinco dias, ela foi encaminhada pela médica que acompanhou sua situação para se hospedar na casa da gestante, local em que dorme e se alimenta enquanto aguarda a saída do filho da UTI Neonatal.

Acelina Mendes na área da Casa da Gestante, 15 dias após o parto. Foto: Anna Maria Fonseca.

“A Casa da Gestante Dra. Eimar de Andrade Melo” acolhe as mães de UTI e puérperas que são encaminhadas do HRMI pelo médico responsável. Na casa é oferecido estadia, alimentação e o conforto necessário. O local funciona 24h, em plantão diurno e noturno, e conta com uma equipe de enfermagem, técnicos e cuidadores. A casa, que recebe doações e distribui entre as hospedadas, fica localizada aproximadamente a 150m do HRMI, na rua Simplício Moreira, entre as ruas Bom Futuro e Antônio de Miranda, bairro Nova Imperatriz, em Imperatriz.

Segundo o Coordenador Administrativo do HRMI, José Lima Júnior, o hospital atende cerca de 800 gestantes por mês, tanto para a realização de partos quanto para o pré-natal, caso seja de risco, e passam por lá aproximadamente 1.300 pessoas por dia. Também recebe grávidas de outras regiões, como Pará e Tocantins.

 

A garantia do serviço público

“Quando você segura a criança no colo pela primeira vez a dor some automaticamente pela alegria de você poder segurar seu filho, você nem lembra da dor, tanto é que foram três e ainda queria vim o quarto. Quanto mais a dor aumenta você acaba se alegrando, porque você sabe que está perto de receber o seu filho no colo”, conta Hágabe Lima dos Santos, 32 anos, professora do ensino fundamental e mãe de 3 filhos.

A filha mais velha, Agatha, nasceu em 2009 no estado do Rio Grande do Sul, em um hospital público. Os nascimentos dos dois filhos mais novos, Daniel em 2011 e Hadassa em 2013, foram realizados em Imperatriz, no HRMI. Na gestação da caçula a professora optou por fazer as consultas e o parto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas os exames solicitados no início da gestação e as ultrassonografias foram feitos no serviço privado. “É muita burocracia para você esperar pelo serviço público, e é complicado para quem já trabalhava e ter que depender do dia que marca, pelo particular é mais rápido, você se organiza melhor”, relata Hágabe. Ela explica que devido aos altos custos do pré-natal e parto pela rede particular, foi necessário fazer essa mescla entre os serviços públicos e privados.

Hágabe Lima e os três filhos. Foto: arquivo pessoal.

Ao chegar com dores no HRMI, durante a gestação de sua filha mais nova, Hágabe afirma que houve um certo descaso por parte da médica plantonista. A profissional argumentou que a grávida ainda não tinha 40 semanas de gestação, não era necessário internar. A paciente sentia que estava perdendo líquido e na última ultrassonografia tinha sido detectado uma pequena baixa no líquido que envolve o embrião, mas o bebê não estava em risco. Após a professora insistir, ela passou a noite em observação no hospital. “Eu acho que nessa parte eles precisam dar mais atenção para as observações que as mães chegam dizendo que estão sentindo, porque você conhece o seu corpo, você sabe que tem algo anormal”, argumenta Hágabe.

Ela recebeu alta pela manhã e voltou para casa, mas na noite seguinte, quando estava sentada e levantou, sentiu a bolsa romper. Ao voltar para o hospital foi atendida muito bem por outra médica de plantão. Na ocasião, a profissional de saúde examinou a gestante e o bebê, ao passar o aparelho pela barriga da paciente, para detectar os batimentos cardíacos da criança, algo parecia estar fora do normal. Hágabe diz ter percebido a médica um pouco tensa, mas querendo passar calma para ela, ao explicar que a bebê poderia ter mudado de posição, como de fato aconteceu.

Começaram com a medicação para induzir o parto, mas a mãe não entrava em trabalho de parto, então colocaram dois comprimidos nela, no entanto, notaram que não estava dando resultado, logo, a paciente entrou na lista de espera para fazer a cesárea. A professora estava com medo, porque durante a gestação os exames constaram uma anemia forte, assim, era mais arriscado uma cesárea do que um parto normal. Porém, aconteceu o que Hágabe denomina de milagre, a dilatação evoluiu e ela conseguiu ter um parto normal.

A mãe da Agatha, Danie e Hadassa considera que, no geral, foi bem acompanhada nos partos dos dois filhos que teve no HRMI. Ela recorda que a maioria dos profissionais a atenderam de maneira amável e atenciosa, as suas perguntas eram respondidas e recebeu orientações sobre amamentação, como segurar o bebê e como deveria se sentar, por exemplo.

Sobre o parto humanizado a professora comenta, “era o meu sonho [risos], mas eu não tive. Hoje eu já ouço falar mais, lá desde a primeira gestação em 2009 eu ouvia falar. Para o Sul se falava mais sobre o acompanhamento com as doulas, hoje é mais comum se ouvir para cá, mas infelizmente eu não pude ter, não pude viver isso”.

Daniela Rodrigues no hospital após o parto, em 29 de julho de 2021. Foto: arquivo pessoal.

“Eu escolhi o serviço particular porque o público tem todos esses serviços, mas é mais demorado, como estava na época de pandemia eu queria um quarto apenas para mim, então foi mais um dos motivos”, justifica Daniela Rodrigues Bueno Pereira, de 25 anos, advogada, pedagoga e mãe de Maria Liliam. A opção pelo serviço particular também esteve relacionada com a possibilidade de acompanhantes, algo que não era permitido em alguns hospitais públicos.

A advogada afirma conhecer o parto humanizado, “era um parto que eu pretendia fazer, porém minha bebê veio antes do tempo e eu não tinha tempo de procurar uma equipe médica”. Daniela teve um parto normal em um hospital particular de Imperatriz e assegura ter sido uma experiência ótima, com pouca burocracia, muita atenção e acolhimento da equipe médica. Para esse atendimento a despesa foi de 8 mil reais, “o médico foi 5 mil e o serviço do hospital foi quase 3 mil reais”.

 

A humanização do parto

Nathália Barros durante o trabalho de parto recebendo massagem do esposo. Foto: arquivo pessoal.

Poucos ruídos, uma seleção de músicas escolhidas pela gestante, iluminação conforme o desejo da futura mamãe, banheira, itens para exercícios e todo um ambiente propício para a fisioterapeuta pélvica, Nathália Barros, 30 anos, ter um parto tranquilo. “Eu tinha a intenção de ter um parto natural, vaginal, entrei em trabalho de parto de forma não natural. Por conta da diabetes gestacional, com 39 semanas de gestação eu tive que me internar no hospital e fazer uma indução farmacológica”.

Durante a gestação, ela foi diagnosticada com diabetes gestacional, que é o aumento do nível de glicose no sangue da mãe durante a gravidez, muitas vezes assintomático, mas de alto risco para a mãe e o bebê. “Minha médica, a primeira vez que ela me viu, eu não tinha nem dois meses de gravidez, ela pediu dois exames de sangue. E nesses exames já foi diagnosticada a diabetes gestacional. Então fui orientada desde o início, do que poderia fazer, quais cuidados eu tinha que ter durante a gestação”, explica Nathália.

Em uma segunda-feira, às 8h da manhã, a fisioterapeuta foi internada em um hospital da rede particular de Imperatriz. A pequena Manuela Barros só nasceu na terça, às 3h da madrugada. Durante esse extenso período a obstetra que a acompanhou ao longo de toda a gravidez estava sempre à disposição, uma outra obstetra também colaborava, o marido permaneceu no quarto com ela, uma dola auxiliava tanto com exercícios quanto com a parte psicológica e a mãe permaneceu no apartamento ao lado.

A paciente estava calma e consciente quanto ao trabalho de parto, “a gravidez e o parto não são isentos de dor, então a forma como a gente leva essa espera, essa expectativa pela dor, é que vai dizer se a gente vai sofrer ou não. Porque a dor é diferente do sofrimento”.

A bolsa estourou naturalmente e Nathália chegou a tomar uma anestesia geral para suportar o fim da dilatação e o cansaço de tantas horas em trabalho de parto, mas com a dilatação de 10 cm completa a posição do bebê não permitiu o encaixe no canal vaginal e ela sentia muita dor. Para manter a mãe e o bebê sem riscos o parto natural foi interrompido por uma cesariana.

“Da hora que eu cheguei, eu fui ter minha filha às 3h da madrugada e ela [a obstetra] ainda ficou até 7h da manhã, ela desmarcou praticamente dois dias de agenda para ficar comigo”. Nathália optou pelo parto humanizado, por buscar um atendimento mais respeitoso e que ela estive à vontade com suas escolhas durante o parto, contratou uma equipe especializada nesse tipo de trabalho, a Humaniza Itz. Ela também contratou os serviços de uma doula, que permaneceu do seu lado auxiliando com exercícios, relaxamento e preparação psicológica. Todos os exames, consultas, internação e cesariana foram cobertos pelo plano de saúde, mas a equipe que a acompanhou, a indução do parto e a doula foram despesas adicionais, no valor de 9.500 reais.

Quando questionada se é um preço inclusivo, ela afirma: “Não, não é. Mas eu acredito que a mulher contrata porque ela tem certeza que vai ser bem tratada e ela tem acesso a informações e pode exigir esse atendimento humanizado. Então assim, não é inclusivo, porque é um valor muito alto, mas é um valor, como eu posso dizer? Que é alocado antes”. Nathália relata que como uma profissional autônoma precisou se organizar financeiramente para conseguir pagar os custos do parto humanizado realizado por uma equipe especialista. A fisioterapeuta se sentiu confortável e segura com o atendimento da equipe e da doula.

O parto humanizado ainda não é uma realidade para todas as brasileiras. Em 2022, o Ministério da Saúde criou a Rede de Atenção Materna (Rami), uma rede de assistência à gestante e ao bebê, com o objetivo principal de assegurar à mulher o direito de planejamento familiar e atenção humanizada durante a gravidez. A Rami é um grande passo para a melhora da qualidade de vida das gestantes e bebês, redução da mortalidade infantil e violência obstétrica.

 

Doula, a diferença no emocional

A doula e psicóloga Vanessa Lira, 31 anos, trabalha com doulagem desde 2017. “A doula é aquela que vai levar conforto, ‘eu estou ali inteiramente pra você, pra lhe ajudar, lhe dar conforto para passar por esse momento desafiador da forma menos traumática possível’”, explica Vanessa. Segundo ela, a doula atua na área emocional, a parteira ou obstetra atuam na área fisiológica.

De acordo com a profissional, quem busca o parto humanizado normalmente são mulheres entre 22 a 30 anos de idade e mães de primeira viagem. “Tem mulheres que querem ter no público. No público geralmente elas fazem o pré-natal pelo posto de saúde de referência. Elas falam muito assim: ‘eu vou ter no regional e para assegurar um parto mais respeitoso eu vou querer o trabalho da doula’”, comenta Vanessa.

A doula Vanessa Lira durante o acompanhamento a um bebê recém-nascido ainda no hospital. Foto: arquivo pessoal.

A profissional afirma que mais de 10 doulas atuam em Imperatriz, mas o trabalho delas e da equipe de parto humanizado nem sempre foi bem aceito nos hospitais da cidade. Em 2021 uma proposta foi aprovada na Câmara Municipal de Imperatriz para permitir a presença de doulas na hora do parto. A médica Gilvannya Zaparoli relembra que as doulas não podiam entrar nos hospitais, “virou lei aqui em Imperatriz, que a doula é uma profissional, ela pode entrar em todos os hospitais, não é considerada acompanhante. Mesmo depois que teve essa lei, essa norma na Câmara, alguns hospitais ainda tentavam barrar a entrada da doula. Hoje não, hoje ela já tem facilidade de acesso em todos os hospitais, então, entra a doula, o pai, a tia, ou avó”.

No Brasil o serviço de uma doula custa em torno de 1.000 a 2.000 reais. As Doulas podem ser contatadas de várias formas, mas em geral são indicadas pela equipe médica humanizada. Vanessa Lira conta que atende em média três mulheres por mês, mas que é normal uma doula receber entre cinco a oito pacientes por mês.

Conforme a psicóloga, é comprovado que uma gestante acompanhada por uma doula diminui em 30% o tempo e a dor do trabalho de parto. Porém, ela relata que ainda não é um serviço inclusivo, “Então porque não oferecer isso à comunidade?”. Vanessa apoia um projeto que visa instituir doulas em hospitais públicos como profissionais plantonistas, “às vezes uma massagem ali evita dela usar analgesia, que é a anestesia do parto. Um banho quente evita do médico querer botar ocitocina sintética nela. A gente dá alternativas não farmacológicas para o alívio da dor e para o parto fluir.”

Vanessa Lira em uma visita pós-parto de 15 dias, aplicando a massagem “shantala”. Foto: arquivo pessoal.

 

Reportagem especial produzida para a disciplina Técnicas de Entrevista e Reportagem (2021.2), ministrada pela professora Nayane Brito.

 

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