Por: Renata Coelho e Natália de Paulo

Pauteiro: João Carlos Alcântara

 

Por causa do vandalismo, mais de 120 contêineres de lixo tiveram de ser substituídos em Imperatriz pela Secretária Municipal de Infraestrutura (Sinfra) em 2019. Esses contentores, que possuem capacidade de até mil litros, foram colocados em pontos estratégicos, como bairros afastados e espaços públicos, a fim de evitar o acúmulo de lixo, o aumento de insetos e ratos, e pôr um fim no mau cheiro nesses locais.  No entanto, sem uma educação adequada para o tipo de lixo que os contêineres podem receber e o vandalismo de alguns, contribui com as danificações. “Por mês são danificados em média dez contêineres e em sua maior parte no centro da cidade, principalmente na Praça de Fátima, Praça Brasil e Beira Rio”, afirma o secretário de Limpeza Pública de Imperatriz, Alan Jones de Oliveira Sousa.

Conforme a Prefeitura, o lixo que pode ser descartado nos contêineres são apenas resíduos domiciliares e orgânicos. Os que podem ser reciclados devem ser disponibilizados para a coleta seletiva, de acordo com os dias e horários do serviço, disponíveis no site de Prefeitura – (https://www.imperatriz.ma.gov.br/) -, já para os entulhos de construção deve ser solicitado um recolhimento pelo sistema Cata Treco que funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 8 horas às 18 horas, pelo telefone (99) 99162-6101, ou o proprietário da obra alugar um contêiner privado.

Em média, um contêiner deveria durar um ano, sem reparos e danificações, mas alguns não chegam a durar uma semana, afirma o gerente operacional da Sinfra, Sandro Moreira. “Os contêineres teriam uma duração de um ano se não fossem danificações e depois somente reparos”, lamenta.

O quadro de fiscais ainda é um número muito reduzido, embora a Prefeitura não saiba o número exato, garantem que isso facilita roubos e vandalismos. “É muito difícil, pois eles ficam 24 horas a disposição da população, e não temos pessoal suficiente para fazer a vigilância desses contêineres”, afirma o fiscal de limpeza pública, Gilberto Benetti.

No bairro Jardim América II as rodas dos contêineres de lixo foram retiradas para evitar novos roubos e atos de vandalismo

Inclusive, o secretário comenta que nos bairros, as estratégias são adaptadas. É o caso do Jardim América II, em que após inúmeros reparos e roubos, os moradores do bairro solicitaram que as rodas dos contêineres fossem retiradas para evitar furtos e, assim, poder continuar atendendo as necessidades dos moradores.

 

Por que plástico?

Os contêineres substituídos pela Prefeitura em geral são quebrados pelo excesso de peso, por matérias de construção ou podas de árvores depositados indevidamente ou também por atos de vandalismo. Isso acontece porque essa caixa de recolhimento de lixo é de plástico. A Secretaria explica que o plástico é um material leve de fácil manuseio e higienização, por isso ele é utilizado para fabricação dos contêineres. Esse material minimiza a praticamente 0% as chances de contaminação do solo por chorume. Porém, com o aumento dos casos de vandalismo e danificação dos contêineres, eles passaram a ser substituídos por outro tipo de matéria-prima, com a finalidade de ser mais resistente, diz o engenheiro ambiental da Sellix Ambiental e Construção LTDA, empresa responsável pelo serviço de limpeza e manutenção dos contêineres, Victor Thauan R. Costa. “Estamos substituindo os contêineres dos pontos críticos por outros mais resistentes, fabricados em estrutura metálica’’, explica.

Contêineres de plástico são substituídos na Praça de Fátima por metal após inúmeros atos de vandalismo e excesso de peso

Além das questões ambientais, a troca também gera prejuízo. Só em 2019 a Prefeitura gastou R$ 100 mil. “Esses casos de vandalismo geram um gasto estimado R$ 100 mil mensais ao município”, diz gerente operacional da Secretaria, Sandro Moreira. Isso porque o gasto por contêiner de ferro é de R$ 2,9 mil e o de plástico é de R$1,2 mil.

O engenheiro reforça que o material mais indicado após os inúmeros casos de vandalismo foi o ferro, pois o contêiner de plástico seria o de melhor custo benefício, no entanto os reparos após danificações se tornam mais caros, uma vez que esses possuem um material com menor resistência, o que representa uma desvantagem em relação ao de metal, dado que, quanto maior o número de contentores disponíveis, maior o número de roubos e danos.

“Dos 100 contêineres que foram colocados em Imperatriz, temos zero novos.  Estão todos danificados e aos poucos todos vão ser substituídos pelos de ferro para sair mais barato para o município e também durar mais tempo”, argumenta o secretário de Limpeza Pública.

Soluções

Os contêineres são disponibilizados principalmente para as praças públicas da cidade, mas com a elevada produção de lixo em alguns bairros, os moradores solicitam contentores ou caçambas, que é alternativa viável para bairros mais afastados. As caçambas são recipientes maiores que o contêiner, algo que facilita o armazenamento até o dia da coleta, evitando que os resíduos fiquem dispersos, expostos e sejam arrastados pelas chuvas. O lixo mal armazenado até sua coleta pode trazer problemas para a população, como a contaminação do solo, mau cheiro, aumento de insetos, ratos e até mesmo a proliferação de doenças.

Uma solução que ainda está em análise é a criação de transbordos, locais destinados para que tanto a população como as empresas despejem o lixo para coleta,

algo viável para o gerente operacional Moreira. “Essa solução ia diminuir a quantidade de lixo nos contêineres, pois, possuindo um local especifico para colocar o lixo, iria evitar que os carroceiros jogassem nos terrenos baldios, algo que causaria outros danos a população”, explica.

Na Praça de Fátima a coleta do lixo é feita apenas à noite o que para algumas pessoas não é o suficiente. “Se a coleta fosse pelo menos duas vezes por dia, seria melhor, pois aqui todos os lanches funcionam 24 horas, e isso causa um grande acumulo de lixo, que facilita a proliferação de abelhas e insetos’’, diz a atendente do Rango Lanches, Maria Antônia da Conceição Bezerra.