Autônomos enfrentam dificuldades para trabalhar e evitar contágio

Cleuton e sua família evitam sair sem necessidade, isolamento diminuiu a renda do taxista. Foto: Pedro Sannas.

 

Pedro Sannas

 A pandemia modificou a rotina dos moradores de periferias, que não podem ficar em quarentena, sob risco de perderem trabalho e o sustento da família. É o caso de Cleuton Sousa, 40 anos, taxista e Marcos Alexandre da Conceição, barbeiro, 37 anos. Os dois vivem com suas famílias no Teotônio Vilela, residencial da periferia de Imperatriz. Todos os dias precisam circular e estar em contato com pessoas.

Cleuton, taxista há 11 anos, mora com a esposa e três filhos. “Tenho feito o máximo possível pra não ir à rua e, é claro, usar bem a máscara e tudo que as autoridades da saúde recomendam”. Ele acrescenta que nas corridas sempre usa máscara e exige que seus passageiros façam o mesmo.

O taxista agradece a Deus por não ter perdido nenhum conhecido para o vírus, mas relata dificuldades na nova rotina de trabalho. “Ficou tudo mais difícil, porque antes eu andava mais e tinha mais facilidade em conseguir corridas. Agora tem que se preservar em casa e isso se torna mais difícil. Você tem medo de sair e dar alguma coisa errada”.

Cleuton visita os pais regularmente e diz manter-se sempre protegido, para não correr o risco de contaminá-los. “O jeito é ficar em casa, pensar em outro bico, se não pode acontecer o pior, como passar fome”.

Marcos é dono de uma barbearia no centro da cidade e mora com a mãe idosa de 65 anos, a esposa e o sobrinho. O barbeiro assegura o cumprimento das recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) em seu local de trabalho: “Uso obrigatório de máscara, lavo as mãos após cada corte e uso álcool em gel após pegar em dinheiro ou algum aparelho de uso coletivo”.

O autônomo lamenta já ter contraído o vírus e ter perdido amigos e familiares para a Covid-19 e revela sua experiência com o coronavírus: “Senti diarreia, dor nos olhos, dor nos ossos, perda de olfato e paladar e febre durante dez dias”. O trabalhador desconfia ter contraído o vírus em seu ambiente de trabalho.

“Acredito que tenha sido por conta do fluxo de clientes, 20% deles não usam máscara e às vezes eu acabava esquecendo, por não ter o hábito de usar sempre”, diz Marcos.

Assim como Cleuton, Marcos reclama da diminuição da renda da família. O movimento na barbearia caiu drasticamente. Para ele, a maior dificuldade atualmente é a “diminuição da demanda dos clientes e o acúmulo de contas”.

 

:: Texto produzido para a disciplina de Redação Jornalística, semestre 2020.2, sob orientação da profa. Yara Medeiros.

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