Texto: Kennede Lopes
Foto: José Matos
Pauteiro: Ricardo Reis
A partir de outubro, tutores de cães que vivem em áreas prioritárias de Imperatriz passam a receber gratuitamente coleiras de proteção contra a leishmaniose visceral, conhecida como calazar. A iniciativa integra o programa de controle da doença e busca proteger os animais por meio de coleiras com ação repelente contra o mosquito-palha, transmissor da doença.

Cão utiliza coleira distribuída pelo programa de controle de calazar. Ação recomeçou este mês na cidade
A Prefeitura de Imperatriz desenvolve a iniciativa em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde e o Governo Federal. O programa realiza visitas domiciliares, testes nos animais e a distribuição das coleiras. A ação ocorre em ciclos de aproximadamente seis meses. Em março de 2026, 7.201 dos 8 mil cães previstos haviam recebido as coleiras, o equivalente a 90% da meta.
A Unidade de Vigilância de Zoonoses definiu 15 bairros considerados prioritários, entre eles Bacuri, Boca da Mata, Camaçari, Nova Imperatriz, Novo Horizonte, Parque Alvorada I e II, Parque Anhanguera, Santa Rita, Lagoa Verde, Vila Fiquene, Vila Machado, Vila Nova, Vila Santa Rita e Vila Zenira.
Entre janeiro de 2025 e março de 2026, foram registrados 522 casos positivos de leishmaniose visceral canina em Imperatriz. Em 2024, o município havia contabilizado 670 casos. Os dados representam uma redução de aproximadamente 22% em relação ao ano anterior.
A escolha das áreas atendidas considera levantamentos realizados pelas equipes e características que favorecem a presença do mosquito-palha, segundo o coordenador de equipe do programa, Marcos Rogério Furtado. Entre os locais acompanhados estão o Parque Alvorada e a Lagoa Verde. Segundo ele, a ocorrência da doença não se restringe a bairros afastados ou com características rurais, já que Imperatriz é considerada uma área endêmica.
Para o supervisor do Programa de Encoleiramento Canino, Deuzimar Araújo Fernandes, a disponibilidade de profissionais é um dos principais desafios para ampliar a cobertura da ação. “Esse aqui era para ser espalhado para a cidade inteira. O negócio é que tem alguns empecilhos que não dá para fazer isso. Principalmente o recurso humano mesmo. É o que mais dificulta no momento”, afirma.
As coleiras são distribuídas gratuitamente para cães domiciliados e comunitários que vivem nas áreas atendidas pelo programa, após triagem realizada pelas equipes. Segundo Marcos Rogério, não há exigência específica de raça, peso ou tamanho para o recebimento da coleira. Entre os tutores beneficiados pelo programa está a professora Francisca Muniz Linhares, que destaca a importância da coleira para proteger seu cão e evitar gastos com medicamentos. “Espero que o programa retorne logo, pois a troca da coleira já está atrasada e, como estamos no verão, esta é a época para a proliferação do mosquito transmissor do calazar”, afirma.
Além da distribuição das coleiras, os profissionais orientam os moradores sobre a limpeza dos quintais e os cuidados com a criação de animais para reduzir condições que favoreçam a presença do mosquito-palha. “A gente orienta o morador a deixar o ambiente limpo, não criar porcos, galinhas, que são animais cujas fezes atraem mosquitos”, explica Marcos Rogério.
A retomada da distribuição em outubro busca dar continuidade às ações de prevenção e controle da leishmaniose visceral canina nas áreas prioritárias de Imperatriz. As equipes também reforçam que medidas de cuidado com o ambiente devem ser adotadas pelos moradores, inclusive em áreas urbanas.
Serviço:
- O que? Distribuição gratuita de coleiras contra a leishmaniose visceral canina.
- Quando? A partir de outubro de 2026.
- Onde: nos bairros definidos como prioritários pela Unidade de Vigilância de Zoonoses de Imperatriz.
- Quem: cães domiciliados e comunitários que vivem nas áreas atendidas, após triagem das equipes.
- Como participar? Os tutores de cães domiciliados ou comunitários nas áreas atendidas devem aguardar a visita das equipes do programa. Os animais passam por cadastro e triagem antes de receber a coleira.