A 16ª Exposição de Desenhos Afro reúne trabalhos artísticos de 150 estudantes de escolas públicas de Imperatriz. O concurso tem o intuito de transformar o debate antirracista e étnico-racial em arte e protagonismo, atuando como uma vitrine para os talentos que estão nas escolas e dentro das periferias.
A exposição, que já soma mais de 16 anos, conta com a participação de 24 escolas municipais e 17 escolas estaduais, nas categorias voltadas para o ensino fundamental I e II, ensino médio, EJA e estudantes com deficiência. Para os estudantes do ensino fundamental, a temática proposta foi “Planeta em jogo: copa, racismo e justiça climática”. Já para os alunos do ensino médio, a proposta dos desenhos foi “Pretagonismo: releituras e recolocação da população negra no centro das narrativas”.
Para a coordenadora geral do concurso, a educadora e artista Eró Cunha, a iniciativa é uma forma de usar a criatividade para abordar temas pesados, como o racismo, e desenvolver os talentos que, infelizmente, não são trabalhados na escola pública. “Falar sobre racismo é doloroso, é algo que machuca e, através das linguagens da arte, a gente percebeu que consegue extravasar as emoções, o que está dentro da gente, em cada traço do desenho. A gente consegue adentrar um pouco mais nesse universo de vivências e conhecimentos através das artes que estão expostas aqui no concurso”, afirma a coordenadora.
O espaço escolhido para a edição deste ano foi o Shopping Tocantins. A escolha do local reforça a importância de falar sobre território, pertencimento e identidade, abrindo espaço para os estudantes que, muitas vezes, foram ensinados que os seus espaços eram os espaços periféricos, de “não-voz”, de “não-lugar”, de “não-pertencimento” e de coisificação. “Nós estamos aqui, nós existimos e nós temos qualidade na nossa arte. Então, a gente vai empurrando portas e janelas e adentrando nos espaços que também são nossos”, ressalta Eró Cunha.
Reportagem de Sebastião Rocha
Local: Shopping Tocantins