Cobranças abusivas e apropriação de religião alertam para exploração da fé
Por Gabriel Cruz e Nicole Bianca

A religião de matriz afro-brasileira, a Umbanda, tem enfrentado falsos líderes religiosos na cidade de Imperatriz, Maranhão, segundo o atual presidente da Associação de Terreiros de Cultura e Religiões de Matriz Africana da Região Tocantina do Maranhão (ASTERCMA), Clauber do Caboclo Pena Branca. De acordo com o líder, essa é uma das maiores dificuldades de manter os terreiros em funcionamento.
Clauber conta que tem aumentado o número de pessoas se autointitulando pais ou mães de santo dentro da religião e que se aproveitam de um momento de fragilidade dos clientes para cobrar valores altos que não correspondem com o valor originalmente acordado dos atendimentos oferecidos. “Hoje em dia tem gente que acha que é moda, vai no Google, bota carta, vista de Google, ou seja, o enfrentamento hoje em dia é contra aquelas pessoas que eu costumo dizer que são falsos profetas, pessoas que se aproveitam da fé dos outros”, diz líder.
Racismo religioso
Clauber afirma que o preconceito tem diminuído bastante, mas ainda é presente. Ele relata um caso que chegou à associação, no qual o vizinho de um pai de santo reclamou dos sons de tambores. O líder também lembra de uma situação de grande repercussão midiática, em que um dirigente de terreiro foi chamado de “lixo”.
Por meio do uso da constituição no que se refere ao direito e à proteção de terreiros e de ações da associação, a discriminação no cenário religioso se torna menos hostil. “Eu posso dizer que não está zerada, mas você já consegue andar mais tranquilo com suas roupas”, declara.
Tradição religiosa e resistência
O dirigente da liturgia do Terreiro de Umbanda Nossa Senhora Santana, Celson Santos da Silva, participa do espaço há mais de 19 anos e ressalta que é um local de aprendizagem, saúde e cuidado espiritual, com ênfase em acolhimento e caridade. Entre as práticas da religião estão a defumação, o banho de ervas e a Sessão de Jurema.
Esta última se refere a uma manifestação espiritual-religiosa típica da região Nordeste, de origem afro-ameríndia na qual se cultua a jurema sagrada por meio de toques, cantos e louvores. Os conhecimentos dessa e de outras práticas são passadas por meio de mestres, e Celson salienta que “os jovens que vão continuar essa tradição trazida pelos ancestrais”.
No Terreiro de Umbanda Nossa Senhora Santana, as sessões de Jurema ocorrem às sextas-feiras, a partir das 20 horas, de forma gratuita, e reforçam a importância de resistir ao racismo religioso em suas diversas formas.
Serviço:
Informações do Terreiro-
Nome do terreiro: Terreiro de Umbanda Nossa Senhora Santana
Endereço do terreiro: Av. Jacob, n° 10, Vila Redenção
Dias das sessões de jurema: Todas as sextas-feiras
Horário: A partir das 20 horas
Instagram: @terreirodesantana
Informações da Associação de Terreiros de Cultura e Religiões de Matriz Africana da Região Tocantina do Maranhão-
Instagram: @astercma
Telefone: (99) 9185-5194