Em Imperatriz é comum encontrar pelas calçadas barracas de comidas que vendem pastéis até panelada. Porém, o consumo de comidas de ruas podem causar risco à saúde pela maior vulnerabilidade aos microorganismos. A Infectologista Ilis Marinho, 55 anos, conta que o ambiente não é o mais seguro para venda de alimentos. “Eles ficam expostos à poeira, vermes, vírus e as bactérias. Sem falar que muitas vezes não é bem condicionado ou cozido, nem manipulado em condições adequadas de higiene, o que coloca em risco a saúde do consumidor.”

Quatro Bocas, Calçadão, Beira Rio, Praça de Fátima, Mercadinho são lugares conhecidos pela diversificação de alimentos e refeição rápida. Da panelada aos lanches, vendedores mantêm o comércio informal e movimentam a economia da cidade. Alimentos são vendidos e comprados livremente, por vezes sem fiscalização, instalação sanitária e água potável.

A pedagoga da Vigilância Sanitária e responsável pelo núcleo de Educação e Comunicação, Valdenice Araújo, de 46 anos, conta que não existe uma legislação que regulamenta ou que proíba ambulantes imperatrizenses de vender seus produtos na rua e, por não terem endereços fixos, não podem receber alvará sanitário. “Licenciamos estabelecimentos e não prestação de serviços. Porém, orientamos e fiscalizamos os ambulantes sobre boas práticas de manipulações de alimentos”, afirma a pedagoga.

Ainda segundo Valdenice Araújo, os consumidores devem ser um fiscal informal. “As pessoas devem observar como está a barracas, os alimentos. Por exemplo, não deve consumir suco ou água que estejam em recipiente escuro, pois não tem como ver como está a situação do produto”, destaca.

O estudante Felipe Santos, de 25 anos, conta que não consome alimentos vendidos na rua, pois não sabe como são preparados. “A gente nunca sabe como a comida é feita, ela sempre já está lá, pronta. Sem falar dos riscos que podem causar a saúde se ela não for feita com higiene. Por isso, eu não compro, tenho receio”.

Em contrapartida uma grande parcela da população consome alimentos de rua. Como é o caso do prensista Hélio de oliveira, de 31 anos. “Quando venho na rua sempre como. Pra mim, as comidas da rua são iguais as de casa. Não tem diferença de comer na rua ou em um restaurante. Aqui tudo é limpo, panela, fogão, bem organizado. Agora se eu for num lugar e tiver sujo, mosca voando eu saio fora”, conta.

O vendedor de frete, Daniel Sampaio, 47 anos, mora em Campestre e diz que sempre que vem para Imperatriz consome comidas na rua. “Gosto de comer a panelada, o chambari daqui das Quatro bocas, pois além de ser bem feito é um local bem movimentado”.

As comidas são feitas em casa e levadas para a rua apenas para servir

“Faço a comida em casa. Aqui a gente já traz tudo pronto” conta Desuite da Silva, uma das dezenas de mulheres que vendem comida nas Quatro bocas. Para ela, é muito difícil manter a higiene na rua, mas tem aprendido nos 28 anos de profissão. “Eu tento ao máximo. Quando chego limpo tudo, coloco as panelas e um pano por cima para evitar poeira. Não evita totalmente, mas sempre tem um jeitinho brasileiro”.

Luciléia Gomes, de 33 anos, vende comida há 14 anos e acredita que o cuidado na preparação é necessário. “A gente fez o curso sobre manuseio de alimentos, no Sebrae. Então, a gente usa luvas e touca na hora de cozinhar. A gente lava o carrinho quando chega e vai embora”. Para ela, nenhum vendedor está imune ao risco do cliente ter uma infecção. “Sempre que possível, a gente sempre está passando um pano, limpando as tampas das panelas com pano úmido. É o tanto que o mais que se ver é restaurante sendo fechado por causa disso e, não é em ambiente aberto”

A vendedora de comida, Ana Maria Rodrigues de 68 anos, conta sempre buscou nos 15 anos de venda de comida a higiene dos alimentos, mas também do local. “Eu gosto tudo limpinho. Para isso, limpo bem as vasilhas, copos, panelas, colheres, o fogão, tudo que utilizo para vender. Lavo e limpo tudo para não juntar sujeira e insetos.”

Riscos à saúde

A correria do dia a dia e a vontade de comer fora de casa podem gerar no consumidor, se o alimento estiver contaminado, intoxicação alimentar, diarreia, náuseas, dores de cabeça, até doenças mais sérias como úlcera gástrica e hepatite. Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), no Brasil são notificados em média, anualmente, 700 surtos de doenças transmitidas por alimento, com 13 mil doentes e 10 óbitos.

Equipamentos de proteção são necessários para manusear os alimentos?

“Uso touca na hora de cozinhar, na hora de vender não, porque vou apenas servir. Aqui a gente não vai fazer a alimentação, manusear e cozinhar, só servir, colocar no parto. Então, a gente nunca achou necessário, mas se fosse o caso de achar necessário, usaríamos” Porque aqui a gente amarra o cabelo e só serve o prato”,  conta Luciléia, vendedora de comida.

Porém, a pedagoga da Vigilância Sanitária, Valdenice Araújo, destaca a importância da utilização de equipamentos de proteção não apenas na preparação mais também ao vender. “As pessoas tem que usar toucas, avental. Não devem usar adornos [anéis, piercings, cordão], pois podem ter vírus e bactérias nesses acessórios”, conta.   

A infectologista Ilis Marinho também fala sobre a importância dos EPI’s para manter os padrões de higiene na rua. “É importante que os vendedores façam antissepsia adequada das mãos e dos utensílios utilizados, além de utilizarem equipamentos de proteção, como luvas, toucas e aventais.”