Residentes no Imigrantes queixam de lama e poeira na Silvino Santos

Moradoras no bairro há mais de 40 anos falam sobre a falta de infraestrutura

Cairo Yuri

Com quatro quilômetros de extensão, a avenida Silvino Santos é a principal via de acesso a bairros como  Imigrantes, Ouro Verde e Vila Macedo. A região, além de muitas residências, abriga empresas e distribuidoras de grandes marcas nacionais, como o Grupo Petrópolis e a Paragás. Apesar do destaque econômico, quando se fala de infraestrutura, o cenário relatado pela comunidade local é de abandono e descaso.

“Não tem ruas asfaltadas no bairro, a não ser a avenida Silvino Santos, que agora acabou o asfalto e virou só buraco. Quebra bastante carro e faz muita poeira também”, conta a moradora Luciene Policarpo, 48 anos, que mora no Imigrantes desde criança.

Rua Silvino Santos é o caminho de muitos trabalhadores e caminhoneiros (foto: Cairo Yuri)

Por ser proprietária de uma panificadora, Luciene explica que todos os dias precisa sair de casa ainda de madrugada e, logo nas primeiras horas, enfrenta as adversidades do bairro. “Tenho que passar [pela avenida] bem devagar por causa dos buracos, sofrendo risco de assaltos. Fora que o carro também balança muito, a gente vive colocando na oficina”.

Tatiana Gurgel, 56 anos, também mora no bairro Imigrantes há mais 40 anos e conta que as reclamações são recorrentes. “Todas as vezes vem reportagem para filmar e registrar, mas nada é feito. Há muitos anos a gente vem apelando para os governantes, principalmente para o prefeito dessa cidade, mas tá difícil resolver o problema dessa avenida aqui”, relata com certa descrença em alcançar uma solução.

As moradoras da avenida Silvino Santos explicam que vivem um dilema. Quando chove, a lama toma conta da via, que fica com o acesso mais complicado ainda. Já no tempo ensolarado, o barro seca e, quando os carros passam, uma nuvem de poeira se espalha pelas casas. “Lá [em casa] eu limpo de manhã, umas 14h já está tudo sujo. Tem uma criança em casa e ele tosse bastante por causa da poeira.”, diz Luciene Policarpo sobre como a falta de infraestrutura afeta a sua qualidade de vida.

Prefeitura costuma utilizar barro para amenizar os buracos, mas moradores reclamam da poeira (foto: Cairo Yuri)

“Até meus cachorrinhos pagam pena nessa situação, porque eles são branquinhos e ficam tudo amarelinhos, de tanta poeira. É bem complicada a situação da gente aqui no bairro” , afirma Luciene Policarpo.

IMPACTOS

A saúde dos moradores na região é impactada diretamente pela nuvem de poeira. As reclamações vão de falta de ar à dores de garganta e de cabeça. Uma situação que torna o lar dessas pessoas cada vez mais difícil de ser habitado. “Na minha casa tem criança, bebê e tem um idoso com problemas respiratórios. Tá impossível de se manter até na própria casa. Eu estou indignada com essa situação aqui. Não só eu, como todas as pessoas que moram na Silvino Santos.”, desabafa a moradora Tatiana Gurgel.

Para acabar com os transtornos, Luciene e Tatiana acreditam que a avenida precisa de uma obra com asfalto de durabilidade e de uma atenção da Secretaria Municipal de Infraestrutura com a manutenção da pista. “Eles estão vindo aqui e colocando um material vagabundo, que não dura um dia. Vem a chuva e desmancha. Eu não sei a quem eles querem enganar”, denuncia Tatiana sobre as últimas obras da prefeitura de Imperatriz que foram realizadas na avenida.

A comerciante Luciene Policarpo faz até uma comparação com o bairro vizinho, que existe há menos tempo, mas possui uma infraestrutura maior. “Tem um bairro aqui que é bem mais novo do que o nosso e as ruas são todas asfaltadas. Exemplo? Bairro Planalto. E o nosso é meio esquecido.” Durante a produção desta reportagem, solicitamos resposta da Prefeitura de Imperatriz sobre as problemáticas apontadas pelas moradoras, mas não tivemos retorno. 

Esta matéria faz parte do projeto “Meu canto também é notícia”, ou “Meu canto também tem história”, desenvolvido por estudantes do primeiro ano de Jornalismo da UFMA de Imperatriz. A intenção foi desenvolver as técnicas de pauta, apuração, entrevista, redação e edição com temas locais. Esta também é a primeira publicação individual desses e dessas estudantes.

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