Representantes do setor avaliam que presidente eleito não priorizará reforma agrária no novo governo

Por Asarias Sousa e Janaina dos Santos

O atual cenário político preocupa o movimento de trabalhadores rurais. Os representantes temem que os direitos conquistados até então estejam ameaçados diante dos acontecimentos da atual situação política do país. Alegam que as pautas propostas pelo presidente eleito (PSL) Jair Bolsonaro, não são favoráveis aos trabalhadores rurais. Apesar das políticas públicas implementadas nos últimos anos pelo Governo Federal, os representantes do setor  também concordam que elas não são suficientes para a demanda.

Boa parte dos alimentos que chegam a nossa mesa vem da agricultura familiar. O setor é responsável por 40% da renda da população economicamente ativa do País e por mais de 70% dos brasileiros ocupados no campo. O Censo Agro de 2017 mostra que existem mais de 690 mil pessoas ocupadas com atividades agropecuárias no estado do Maranhão.

Com base no livro de cadastro do Sindicato do Trabalhador Rural de Imperatriz, o município possui mais de oito mil pessoas cadastradas que fazem parte do sindicato, essas famílias vivem na cidade e também em povoados no entorno do município e são responsáveis pela produção de alimentos.

José Luís: haverá dificuldade no diálogo com  governo

O jornalista e representante do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) de Açailândia, José Luis da Silva Costa, conta que as políticas públicas do plano de governo de Bolsonaro nada agradam ao movimento, que publicou uma nota, durante a campanha, em apoio a Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT). “Primeiro ele não têm plano de governo para a Reforma Agrária, segundo ele já declarou ser inimigo nosso, então não têm como a gente esperar alguma coisa positiva”, pondera José Luis.

O militante atua no MST há 20 anos e conhece bem a realidade das lutas do Assentamento Califórnia que, segundo ele, possui 186 famílias cadastradas. “No geral não temos uma expectativa de ajuda de outros setores federias ou estaduais, a não ser de pessoas que vem a tempos na caminhada com a gente, de parceiros que já conhecem as nossas lutas diárias”.

Para o jornalista, faltam mais ações por parte do poder público, que venham melhorar a situação dos assentados. Ele conta que seria interessante se as pessoas que não conhecem a realidade do movimento fossem visitá-los no assentamento para ter uma visão diferente da passada pela mídia tradicional.

 

DIREITOS DOS TRABALHADORES

Para Antônio Pereira haverá prejuízo para trabalhadores

O secretário de políticas sociais da terceira idade do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Imperatriz, Antônio Pereira da Silva, diz que a luta do movimento é antiga. “Desde muitos anos o sindicato vem lutando pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais de Imperatriz de uma forma geral, desde a questão da melhoria na agricultura, da questão das políticas públicas, todas as políticas que servem para fortalecer nossa categoria que são os trabalhadores rurais do município”. Na visão do secretário, cada um defende uma posição política e o projeto de governo proposto por Bolsonaro não serve para uma grande massa de trabalhadores do país.

PLANTAR, COLHER E VENDER

Antônia Gonçalves de Lima 72 anos, trabalhadora rural aposentada, conta que sempre trabalhou no campo e sustentou a família com a profissão de lavradora, mesmo aposentada ela continua trabalhando, nunca deixou de plantar, colher e vender seus produtos.

A lavradora aposentada diz que sempre acompanhou as questões políticas do país e analisando os candidatos ao longo dos anos, nas questões das propostas para o trabalhador rural, o Partido dos Trabalhadores foi o que mais deu apoio aos pobres. “Não sei dizer nada de mal deles. Eu também sou a favor, por esse lado de dar apoio aos trabalhadores”,  explica a aposentada.

 

PESSOAS NECESSITADAS

Antônio Lima: esforço diário para ajudar família

Antônio Rocha Lima, 74 anos, é casado com a aposentada Antônia Gonçalves Lima, também é lavrador aposentado e compartilha da mesma opinião da esposa. Começou cedo a trabalhar no campo, sempre sustentou a família com seu esforço diário, assim como a esposa, ele continua trabalhando mesmo depois de aposentado.

 

O lavrador avalia que se o novo presidente deve olhar para as pessoas mais necessitadas. Ele acompanhou pela TV as propostas dos candidatos e votou no candidato do PT, Fernando Haddad. “Ele  pode não ser um bom presidente se fosse eleito, mas o que eu acompanho de anos anteriores, na gestão do Lula, é que foi bom demais, todo mundo comprou carro, fez casa”, lembra Antônio Lima.

*Reportagem produzida para a disciplina Jornalismo Político (2018.2). Fotos: Janaína dos Santos; Edição de áudios: Asarias Sousa.