No Maranhão, 14 militares disputaram cargos políticos nas  últimas eleições, mas nenhum se elegeu

 Repórteres: Dina Prardo e Gledson Silva

A cada eleição, os dados mostram que é mais frequente a presença de militares entre os candidatos a cargos políticos. De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições de 2018 cresceu em 11% o número de militares candidatos em relação ao pleito de 2014. Porém, no Maranhão o quadro foi outro:  14 militares disputavam uma vaga, porém nenhum conseguiu se eleger. O estado é o único da federação que não elegeu candidato declarado militar.

Mas o que busca um militar na carreira política? O discurso da classe está mais pautado no combate à corrupção. Porém, temas como segurança pública também fazem parte das abordagens feitas pelos candidatos. Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Cesar Alessandro Sagrillo Figueiredo, os militares pensam na população, mas esse pensamento é elaborado de acordo a ideologia da categoria.

 

O presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia e Bombeiros Militar de Imperatriz, Açailândia e Região Tocantina, Sargento Adelino, destaca que a motivação para que militares concorram a um espaço na Câmara Federal ou Assembleia Estadual está pautada na representatividade política da categoria. Ele lamenta que os policiais militares não tenham conseguido eleger nenhum representante para defender as demandas e nem lutar pelos objetivos traçados por eles. Agora é hora de identificar a falha e traçar metas para os próximos anos, segundo o sargento. Para isso, a classe já está se reorganizando através de reuniões. Segundo o militar, quem manda no país é a política. “Nós não podemos viver fora, estar fora da política. Nós temos que eleger nossos representantes. Porque só os nossos representantes conhecem as nossas demandas e vivem o dia a dia da nossa categoria”, destaca.

Desvalorização

O representante do Sindicato dos Policiais Civis do Maranhão (Sinpol), escrivão Vinicius Rodrigues Lima, relatou que a organização não tem boas expectativas em relação ao novo governo eleito, já que não há nenhum representante da classe que possa lutar pelos interesses da categoria. Segundo ele,  a falta de concurso para contratação de efetivo novo e de reforma da estrutura local têm desmotivado os profissionais de segurança e gerado desgosto por parte da população.

De acordo com a Superintendência de Polícia Civil do Interior (SPCI), a polícia civil atuou no primeiro turno das eleições cumprindo com suas obrigações no Estado, onde cerca de 750 policiais civis estiveram nas ruas e nas unidades policiais. Para Vinicius Rodrigues Lima, a desvalorização da categoria compromete a qualidade do serviço oferecido à população.

 

 

A funcionária pública municipal Edna Pereira da Silva,  35 anos, é moradora da Vila Redenção e diz que tem esperança nas políticas públicas e está confiante. Para ela, os policiais militares decidirem seguir pelo caminho da política é uma forma de melhorar a qualidade do trabalho desenvolvido por eles para a comunidade.Ela vê na educação e na capacitação profissional a saída para diminuir a violência em todos os níveis. “Eu acredito que os representantes do nosso país teriam que olhar mais para a família, nos dando melhor segurança e capacitando a sociedade para o mercado de trabalho. Por exemplo, todo ser humano tinha que ser obrigado a estudar até se formar em alguma profissão; essa é uma forma de tirar muitas famílias das drogas e das adversidades da vida”, comenta.

Claudenor Carneiro da Silva, 35 anos, trabalha há mais de uma década como segurança em uma empresa de valores. Morador da Vila Redenção, é casado e pai de três filhos. Para ele a criminalidade é uma das suas principais preocupações. Segundo Claudenor, esse problema está “em todos os lugares e nos bairros mais carentes parece que esse índice é ainda mais alto”. Outro fator que tem gerado preocupação  é a intolerância que, de certa forma, está mais presente na vida dos brasileiros, muito por conta do cenário político.

 

*Reportagem produzida para a disciplina Jornalismo Político (2018.2), do Curso de Jornalismo da UFMA Imperatriz. Fotos/ edição em áudio e vídeo: Dina Prardo e Gledson Silva. Foto PM: Ascom PMM