Imperatriz teve menos seções e eleitores em 2018, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral

Repórteres: Agda Anastácio e Ana Campos

O Maranhão foi primeiro estado do país a enxugar seus custos  com a logística eleitoral. Nas eleições de 2018 ocorreram as mudanças devido a uma medida para reduções de gastos, criada pelo presidente e ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes.  No caso de Imperatriz, o número de zonas eleitorais de Imperatriz foram reduzidas. Em 2014 o número de zonas era de 190 e em 2018 passou a ser 98. A mudança obedeceu à resolução 23.520/2017, que estabeleceu a extinção e o remanejamento das zonas eleitorais do interior dos estados.

Segundo a analista judiciária do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), Arlinda Bresser de Carvalho, na cidade não houve a extinção de zonas eleitorais, mas ocorreu o remanejamento e rezoneamento destas. Outro fato importante foi a queda na quantidade de eleitores: em 2014 o eleitorado apto de Imperatriz era de 164.503 mil, já em 2018 o número diminuiu para 162.477 mil.

O remanejamento de zonas, conforme a analista judiciária,  é um processo de agregar seções eleitorais, já o rezoneamento é a mudança de uma zona eleitoral para outro território. Antes do cumprimento da medida de redução de gastos, o município possuía três zonas eleitorais que eram a zona 33°, zona 65° e zona 92°. A analista explica a situação no áudio a seguir:

 

O analista judiciário, Armando Júlio Branco Aguiar, afirma que a medida de redução realmente era necessária tendo em vista a atual situação do país. “Não faz o menor sentido você ter uma seção com 60 eleitores e ter que pagar mesários e supervisores de prédios somente para aquela seção, por isso o remanejamento teve como meta a agregação de seções que tinha poucos eleitores’’, explica.

A partir da determinação da medida do TSE, o Tribunal Regional Eleitoral, em Imperatriz, organizou uma catalogação das duas zonas eleitorais que passaram a abranger a cidade e fez a transferência de seções da zona 92° para as zonas 33° e 65°. Com a modificação a zona 33° que antes tinha 313 seções passou a ter 363, a zona 65° que anteriormente possuía 274 passou a conter 305 seções.

Atendimento no TRE: número de zonas eleitorais caiu de 190 para 98

Consequências

De acordo com Arlinda Bresser já era esperado que acontecesse muitos tumultos nas seções. Isso porque, segundo ela as seções passaram a ter um quantitativo bem maior de eleitores em função da concentração dos locais, além do fato do processo de eleição ser demorado devido o maior número de candidatos a serem votados.

A jovem Isabela Barroso Ribeiro, de 18 anos, afirma ter tido uma experiência constrangedora nas eleições do primeiro turno, além de não ter conseguido exercer seu direito de votar, se encontra penalizada segundo a legislação eleitoral. “No período das eleições eu estava grávida e me deparei com filas enormes, até mesmo as filas de prioridades estavam um caos, tive dificuldades em esperar nas filas e acabei não conseguindo votar, terei novamente um transtorno para me deslocar e pagar a multa por não ter votado”, relata a jovem.

O trabalhador autônomo Lucas Gustavo Camelo Chaves, de 19 anos, passou quatro horas e meia esperando na fila de votação. Ele descreve que foi uma experiência bem difícil e que presenciou inúmeros conflitos devido a desorganização das filas. “Mas eu aguardei pacientemente, pois, vendo todo aquele caos, senti mais vontade ainda de exercer minha opinião e tentar fazer com que mudanças acontecessem em nosso país”, comenta o autônomo.

A estudante de Direito Blenda Nava Abreu, de 21 anos, foi mesária voluntária pela primeira vez. A jovem foi uma das 2.024 mil pessoas convocadas pelo TRE-MA para serem mesárias nas eleições do primeiro turno. Ela afirma ter tido dificuldades na execução da função, pois na formação de mesários a instruções passadas só se referiam a como manusear as urnas.  “Na formação dos mesários eles não explicaram sobre a nova logística das eleições, e nem falaram sobre o rezoneamento, fiquei sabendo na hora, e isso gerou muita confusão pois não tínhamos como informar para as pessoas que foram remanejadas como elas deveriam proceder”, comenta Blenda.  A analista do TRE, Arlinda Bresser, declarou não seria possível mudar porque a programação das eleições já estava determinada.

Mais informações:

Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão

Tribunal Superior Eleitoral

 

*Reportagem produzida na disciplina Jornalismo Político (2018.2), do Curso de Jornalismo da UFMA Imperatriz/CCSST.  Fotos/edição em áudio: Agda Anastácio e Ana Campos