Em entrevista concedida aos acadêmicos do curso de jornalismo da UFMA realizada na quarta-feira (14), o candidato Sebastião Madeira (70)deixou claro as dificuldades econômicas da cidade deixadas pela atual gestão “Eu calculo que o buraco que o atual prefeito deixará será superior a 100 milhões” afirmou. Madeira, que foi prefeito de Imperatriz por dois mandatos consecutivos, sendo o antecessor do prefeito Assis Ramos,parece não aprovar a administração da atual gestão, que para ele além de governar com autoritarismo sobre a população, deixará a cidade endividada.

Candidato do Partido da Social Democracia Brasileira(PSDB), mesmo partido que concorreu em eleições anteriores para prefeito e para deputado federal,o candidato vem inovando em sua campanha mostrando um lado mais jovem e antenado no universo digital. Madeira que foi o primeiro prefeito reeleito de Imperatriz, governando de 2008 a 2012,aparenta estar confiante em sua vitória nas urnas nesta eleição.

Filho de Luís Antônio Madeira e de Elisabete Torres Madeira, nasceu em São Domingos (MA) no dia 29 de dezembro de 1949. Formou-se em Medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1976 e pós graduou-se no Instituto de Urologia e Nefrologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)em 1979. Foi eleito deputado federal quatro vezes e prefeito duas vezes ao longo de sua carreira política. É casado com Conceição de Maria Soares Madeira com quem teve dois filhos.

O candidato foi um dos convidados de uma serie de entrevistas com os candidatos a prefeito de Imperatriz, realizado por meio do projeto “ELEIÇÕES 2020 – Jornalismo da UFMA pergunta”, nesta entrevista,fala sobre assuntos importantes para os eleitores Imperatrizenses, apontando algumas de suas propostas e suas principais críticas em relação ao atual governo municipal. Confira a entrevista completa:

 

               “Nós perdemos em três anos a economia de uma cidade do porte de Açailândia” (sobre gestão de Assis Ramos)

 

Imperatriz Notícias: Candidato, por que o senhor quer ser prefeito de Imperatriz?

Candidato Sebastião Madeira:Eu quero ser prefeito de Imperatriz para fazer o que eu planejo, o que eu acho que posso fazer. Já fui prefeito duas vezes e eu destravei a cidade. Eu peguei Imperatriz com o PIB de pouco menos de dois milhões de reais e em oito anos entreguei com o PIB de quase sete milhões. Por trás disso, dei emprego, impulso na construção civil e veio inúmeras empresas para Imperatriz. Então, eu quero ser prefeito novamente para tornar a destravar a cidade, na qual em três anos do atual prefeito o PIB saiu de seis 6.977,000 para 5.300,000, nós perdemos em três anos a economia de uma cidade do porte de Açailândia. Eu quero ser prefeito para fazer a cidade funcionar, tratar com respeito a população de Imperatriz e não implantar projetos sem consulta a população e que  alteram a qualidade de vida das pessoas que dão impacto econômico, como essas zonas que estão criando, pardais, que no final o objetivo é arrecadar dinheiro, tirando da população em plena pandemia.

IN: A falta de padronização das calçadas é um problema de acessibilidade para as pessoas cadeirantes da cidade, algumas calçadas são exageradamente altas. Os moradores e comerciantes justificam a altura das calçadas como prevenção as recorrentes enchentes durante o período chuvoso. O senhor disse, inclusive aqui na UFMA, na sua última eleição, que não tinha projeto para revitalizar o centro porque precisava governar para os bairros. E agora? É possível mudar o perfil das ruas e calçadas do centro da cidade? Como?

SB:Eu tenho um projeto. Vou começar padronizando as calçadas da Getúlio Vargas, da Dorgival e de todas as intermediárias, por que é onde circula mais gente. Nós vamos começarnessas duas avenidas e na interligação em todas as transversais. A partir daí vamos avançando para outras e depois para os bairros. Eu quero deixar de tal forma, que será um projeto tão aceito pela população, que meus sucessores não poderão paralisa-lo. No final de 2015 eu fui a Maringá, no Paraná, vi isso e fiquei encantado. Acho que é a cidade mais moderna no Brasil em relação a mobilidade urbana. Então vamos para a luta para começar esse projeto em Imperatriz em 2021 e deixar de uma maneira que a população venha a pressionar quem me suceder no futuro. Até eu, que tenho 70 anos, apesar de fazer exercício físicos, natação, ter enorme vitalidade, tenho dificuldade quando ando na cidade. Imagine as pessoas com meia idade, menos idade ou maior idade que não tem o cuidado ou preparo físico que eu tenho.

IN: O senhor colocou rediscutir a zona azul e a retirada de radares no seu plano de governo. Como solucionar então a falta de vagas para estacionar na cidade e as constantes filas duplas?

SB:Está provado em muitas cidades que a zona azul acaba não resolvendo. A minha grande crítica é como está sendo implantado em Imperatriz, de forma absolutamente autoritária, sem consultar ninguém e sem procurar outra alternativa.Não se organiza o trânsito só com isso. Em Palmas e Brasília, por exemplo, a população não aceitou. O município daqui para frente, para aprovar qualquer projeto comercial nas zonas de alto fluxo, tem que exigir que as empresas façam garagens subterrâneas ou lajes. Na verdade, o que a gente observa é que a zona azul não é para disciplinar o trânsito, é para arrecadar dinheiro e mandar para Belém, porque 90% do arrecadado vai para lá. Sobre esses pardais e vídeos monitoramento, se o objetivo fosse segurança eu concordaria. Mas claro, que o objetivo é arrecadar e multar. Um gestor não pode fazer projetos e implantar na marra contra a população. Qualquer projeto que dar o menor impacto na população deve ser discutido. Se a população aceitar, for convencida, deve ser implantado, mas sendo o contrário, sou contra.

IN: Sabendo dos conflitos gerados entre a Guarda Municipal e a população, que inclusive já geraram vídeos de grande repercussão na cidade, o senhor mudaria a forma de atuação desses profissionais em Imperatriz?

SB:Se Deus permitir que eu seja prefeito, nós vamos redefinir a atuação da guarda municipal. Ao meu ver a guarda Municipal, embora até armada, não deve ser uma polícia militar, uma polícia de reação armada. A guarda é para a proteção do patrimônio, para ajudar a população, ficar na frente das escolas para evitar assaltos, nos locais de grandes fluxos. Eu já conversei inclusive, com representantes da guarda municipal sobre como eu espero que seja a sua atuação e eles concordaram. Não vamos então, criar mais uma polícia militar em Imperatriz que seja municipal, vamos pôr a definição da guarda municipal naquilo que é constitucional.

IN: Mesmo funcionando a mais de 20 anos no mesmo local, o prédio do hospital Municipal de Imperatriz é um espaço alugado pela prefeitura. A atual gestão tentou comprar e até desapropriar o prédio, porém sem êxito. Você colocou uma proposta diferente da atual gestão no seu plano de governo, que é a construção de um hospital municipal que substitua o HMI. Como médico, como o senhor pretende tirar esse projeto do papel?

SB: Primeiro, eu sou contra desapropriar o prédio do Socorrão, por que não vai resolver o problema. Aquilo é um mostrengo, que infelizmente por falta de opção tem que funcionar ali. Um hospital que substitua o HMI é de custo acima de cem milhões, uma construção cara e de longo tempo. A partir de 16 de novembro, se Deus permitir e a população confirmar, eu vou começar minha luta. Como aliado do Senador Roberto Rocha, que é amigo e aliado de longa data, minha referência no Congresso e muito próximo do governo Federal, nós vamos envidar todos os esforços. Vou clamar de deputado em deputado do Maranhão, de senador em senador e vou ao próprio presidente, inclusive estive com ele recentemente. Vou dar tudo de mim, toda força e todos os contatos que consegui ao longo dos quatorze anos de deputado federal e dos oito anos de prefeito. Posso até não entregar este hospital pronto, mas vamos começar algo e Imperatriz no futuro poderá contar com um hospital moderno. Enquanto isso, vamos melhorando o Socorrão como eu fiz. Mesmo que o meu governo não se beneficie, pois é uma construção de longo prazo, vamos dar início.

IN: Na posição de médico, o senhor concorda com as medidas tomadas pela atual gestão em relação ao combate a Covid-19? O que faria diferente?

SB: Acho que a atual gestão fez muito pouco! Na verdade, devo aqui reconhecer e nem são meus aliados, que quem enfrentou e combateu a pandemia em Imperatriz foi o governo do Estado, através da Upa, do Macro regional.O município teve uma atuação muito discreta, quase despercebida. Como médico, como humanista, eu teria me jogado de corpo e alma junto com as pessoas.Quanto as medidas, procuraria manter o máximo de segurança, mas também sem paralisar a cidade, por se tratar de uma doença que nem os médicos sabia como lhe dar. A própria Organização Mundial de Saúde deu a mão a palmatória dizendo que nem tudo que foi preconizado é o correto. O tempo mostrou que não precisava, em algumas vezes, tanto medo e a paralização total da economia. Todos os lugares, mesmo os que tomaram todas as medidas, as mais rígidas possíveis, a doença veio, pessoas adoeceram e muitos foram a óbito mesmo com todos os cuidados. Como prefeito, eu teria uma atuação de frente e não discreta, me ancorando apenas no governo do Estado.

IN: Candidato, quando terminou a sua gestão com dois mandatos seguidos, o senhor disse que deixou a cidade melhor que recebeu. Caso eleito, como o senhor acha que encontrará a cidade?

SB: Com certeza, muito e muito pior! Primeiro, uma dívida monstruosa. O último quadrimestre que foi prestado conta, já tem uma dívida consolidada de 78 milhões, imagine o restante do ano. Eu calculo que o buraco que atual prefeito deixará será superior a 100 milhões. Não será fácil! Se não houver experiência, determinação, sentido de gestão para reorganizar a cidade, estaremos fritos! Eu entreguei a cidade para o atual prefeito com a economia destravada, com a cidade avançando e caso seja eleito, terei muito trabalho, terei que utilizar toda inteligência emocional, experiência e autoridade para poder direcionar a cidade novamente.

IN: Diante da sua informação de que deixou a cidade melhor do que recebeu, o senhor teme ganhar votos menores do que aqueles votos que o elegeram?

SB: Não é apenas uma informação minha, é obvio! É só ver os números do IBGE, para ver que eu entreguei uma cidade melhor do que eu recebi. Eu recebi uma cidade as escuras e entreguei toda iluminada. Eu lembro que a BR-010 era muito escura, a ponte também. Não há um único poste na cidade de Imperatriz que não tenha recebido uma luminária moderna de vapor de sódio. Iluminei 13km de BR, a ponte com iluminação artística e isso tudo acabou, a iluminação não avançou. Abri novos corredores de trânsitos, quando entreguei [prefeitura] não havia uma única criança de rua, aliás nem mendigo.Apoiei todos os trabalhadores, inclusive os ambulantes. Nós organizamos a cidade, todas as pessoas de boa fé e boa vontade reconhece que eu entreguei uma cidade em todos os sentidos melhor do que eu recebi, onde cinco mil famílias que não tinham onde morar ganharam casa. Agora se isso vai me dar mais votos é uma decisão da população. Eu não estou preocupado, estou fazendo minha campanha, tenho minha consciência tranquila, quero ser prefeito para ajudar a cidade.Se as pessoas não entenderem minha mensagem eu só lamento, mas tudo indica que vai aceitar, nós estamos fazendo pesquisa e já viramos o jogo!

IN: Candidato, na sua gestão o transporte público sofreu uma crise sem precedentes, tanto que a atual empresa contratada na sua administração mostra os mesmos problemas de antes. Quais as suas soluções?

SB: O transporte público de Imperatriz é um problema difícil por que tem transporte alternativo. Quem está fora quer ônibus toda hora, mas as empresas e não estou aqui em defesa delas, tem que sobreviverem. O passageiro pode pagar, vai no taxi lotação, no uber, no mototáxi e sobra para as empresas de transporte coletivo a gratuidade por lei dos estudantes, dos policiais, idosos, pessoas com deficiência, então termina ficando inviável.É esse o problema do transporte público de Imperatriz, a não ser que o município pudesse subsidiar, mas não há recursos. O que vamos fazer, caso eu seja eleito, é começar a agir e tentar achar o denominador comum que dê para atrair empresas.Vamos fazer estudos, vamos traçar rotas, procurar um meio para as empresas sobreviverem e se a gente puder, manter o transporte com a gratuidade para aqueles que a lei protege.

IN: O senhor fala em contratar empresas locais em Imperatriz, mas contratou uma empresaLuziensepara gerenciar o transporte público da cidade. Isso não soa meio contraditório?

SB: Por absoluta falta de opção! Não tinha nenhuma empresa em Imperatriz. O povo precisava de transporte, me cortava o coração eu passar no ponto de ônibus e ver as pessoas paradas lá. Eu quero dar opção para Imperatriz, mas se não tiver, o que vou fazer? deixar o povo sem transporte? A logística em uma empresa de transporte é pesada. É preciso uma empresa que tenha logística, capital, não é comprar um ou dois ônibus e assumir o transporte público de Imperatriz, vamos pensar, ter inteligência emocional, olhar para o tempo! Tudo que puder ser de imperatriz vai ser, mas o que não tiver na cidade eu vou deixar de contratar? É lógica, bom senso! Eu serei prefeito para resolver os problemas da cidade. Agora eu contratei uma empresa de mídia de Imperatriz, mas se não tivesse quem soubesse aqui, o que eu faria? Teria que contratar de fora.

IN: Candidato, em sua gestão no ano de 2010, Imperatriz foi destaque nacional por falta de leitos de UTI. Caso eleito você pretende ampliar o número de UTI na cidade?

SB: Naquele tempo eu já ampliei. Eu entrei em 2009 e encontrei essa situação. Aliás, em todo o interior do Maranhão, Tocantins e Pará não havia um único leito de UTI pediátrica, foi preciso montar tudo e naquele tempo eu já reagi, fiz dez leitos de UTI pediátrica e mais dez leitos de UTI adulta. Então, eu já dei a resposta naquele tempo, claro, que voltando a ser prefeito nós vamos dar as respostas que o tempo e as necessidades exigirem.

IN: Há no seu projeto como futuro prefeito a proposta de criar um parque na cidade? Há condições de alguma área ser desapropriada para isso?

SB: Sim, mas eu não quero desapropriar nenhuma área. A Valec que é uma estatal, criada para construir a ferrovia norte-sul, depois do Itamaguará, tem 80 hectares de área com grande parte de florestas secundárias e essa área é pública, é do governo federal.  Eu vou atrás do meu companheiro senador Roberto Rocha que é meu aliado. Vamos fazer um parque ambiental de Imperatriz, vamos fazer uma escola totalmente preparada para receber alunos das escolas municipais, para ali ter os experimentos, ter trilhas, enfim, ser um pequeno paraíso para o povo de Imperatriz. Eu já pensei nisso a muito tempo, tentei fazer no meu segundo mandato, mas não consegui porque eu sou do PSDB e o governo era do PT. Mas, agora vamos conseguir, por que o governo federal, muito próximo e aliado do senador Roberto Rocha, meu amigo, que está fazendo desse projeto um projeto principal nessa eleição. Então, vou fazer ali um parque florestal com uma grande estrutura para receber as crianças de Imperatriz, para elas serem introduzidas e tomarem a consciência do meio ambiente, da preservação ambiental, ter aula prática. É esse o meu grande projeto nessa área, com fé em Deus nós vamos conseguir!

IN: O que o senhor pretende implantar para melhoria da educação municipal, de modo objetivo, que não tenha conseguido fazer na sua gestão anterior?

SB: Eu fiz muito. Eu elevei o IDBE, que quando eu assumir, tanto o da primeira a quinta série, quanto da sexta a nona, era inferiores à média que o governo previa. No final do meu governo o IDBE da primeira a quinta série atingiu a meta e o da sexta a nona série ultrapassou. Mudamos a farda pela primeira vez, implantamos educação infantil, construímos quatorze escolas e reformamos quarenta, só com recurso normal, nunca recebi um recurso extra como recebeu o atual prefeito, de 100 milhões. Fruto de uma luta desde o Jomar, passando pelo Ildon e por mim, até agora. Nós fizemos o bolo e o atual prefeito o recebeu de mão beijada. Então, vou continuar fazendo isso, mas meu sonho, meu projeto, é introduzir as crianças de Imperatriz da rede pública no mundo digital, na compreensão dos computadores e implantar uma secretaria de inovação tecnológica. Através dessa secretaria e em paralelo com a secretaria de educação prepara os professores, para poder fazer essa revolução com as crianças. Minha grande meta, a partir da pro-infância, paulatinamente, durante o mandato, é que toda criança de Imperatriz da rede pública tenha um tablete e um chip com internet. Eu vou mudar esse quadro e considero que talvez, esse seja o maior legado que eu possa deixar para as gerações futuras de Imperatriz.

 

“Se Deus permitir que eu seja prefeito, nós vamos redefinir a atuação da guarda municipal. Ao meu ver a guarda Municipal, embora até armada, não deve ser uma polícia militar, uma polícia de reação armada”

IN: Os projetos culturais implicam orientações sobre escolhas. Incialmente você escolheu o pastor Alex Rocha, que havia sido homologado como seu vice-prefeito, mas recentemente o site do TRE confirmou a pastora Vanessa, esposa do pastor Alex, como sua vice. Partido do ponto de que os dois são pastores, é de sua preferência ter um pastor para o cargo? Como isso pode impactar o repertório das escolhas de atrações culturais, numa cidade onde as pessoas são de diferentes religiões?

SB: Escolher um vice foi um drama. O primeiro vice que eu pensei foi o Daniel Fiim que é católico ate o caroço do olho. Ele não aceitou, no fim me deixou no altar comigo já preparado pro casamento e caiu fora. Convidei a Mariana Carvalho, que é evangélica, mas não convidei por isso, ela também não aceitou.Não disse para mim, mas eu soube, que era por que eu era da velha política e para mim não existe velha e nova política, mas boa e má desde o tempo do Império romano até a democracia. Convidei outro pastor, não por que fosse pastor, mas por que era político, ele também não aceitou. Convidei o pastor Laércio, ele não aceitou. Convidei então, o pastor Alex que é do PMN e ele aceitou. Depois houve um problema de certidão, que antes de registrar a candidatura ele conseguiu resolver, mas daí ele próprio e seu partido decidiram [falha no áudio] eu aceitei de muita boa vontade, estou me sentindo extremamente confortável com a pastora Vanessa. Isto não tem nada a ver com orientação na educação, a minha administração é absolutamente laica. A orientação será a orientação adequada, não tem posição nenhuma de religião, gênero, nada. Vamos fazer a administração mais correta possível.

IN: No final do seu mandato em 2016, o senhor vetou alguns pontos da PME que tratava sobre questões de gêneros nas escolas. Como fica a população LGBTQI+ caso o senhor seja eleito?

SB: Vai ficar absolutamente confortável, por que eu respeito todas as orientações sexuais. Agora, alguns pontos que foram vetados, foram pontos cobrados pela sociedade, pela igreja católica, pelos evangélicos, pelos grupos conservadores. As vezes a sociedade não dá saltos, você tem que ir de acordo com o entendimento e aceitação da dela. Um gestor não pode ir contra a grande maioria da população. Esses pontos vetados foram os que houve uma grande reação da população mais conservadora, mas eu jamais persegui alguém. Eu tenho a melhor das convivências com todas as pessoas, de todos os gêneros e de todas as orientações sexuais. Eu as respeito.

IN: O senhor vai favorecer as igrejas, novamente, caso seja eleito?

SB: Eu não favoreci! Onde eu favoreci as igrejas? O que eu acho é o seguinte, sendo prefeito, todos os projetos da igreja católica, dos evangélicos, de outras entidades, por exemplo, que cuidam dos dependentes químicos, eu tenho que trabalhar com eles, sendo de igreja católica, evangélica ou de entidades que não tenham nenhuma orientação religiosa. Por que tem que administrar com quem é voluntário, quem tem compaixão e piedade. Em momento nenhum eu privilegiei qualquer grupo pela sua orientação religiosa, eu desafio alguém mostrar isso! Eu vou administrar de maneira laica para a sociedade. Vou administrar e ajudar aqueles que tem compaixão e piedade pelo próximo.

IN: Candidato, por que escolheu para a sua chapa o vice Alex Rocha que atuou no mesmo cargo na atual gestão da cidade, na qual não se analisa como boa?

SB: Eu convidei o pastor Alex Rocha por que foi a única opção que me restou ou então eu teria que convidar alguém do meu próprio partido e daria a sensação que eu estava isolado. O pastor Alex aceitou, ele é o vice da atual gestão, mas pelo o que me consta, não tem nenhuma relação com os desmandos, o autoritarismo ou tudo que atual administração faz, ele foi um vice totalmente isolado pelo prefeito.

IN: De que forma o seu governo pretende fomentar o turismo da cidade?

SB: Acho que a vocação de Imperatriz é parao turismo de negócio. É uma cidade de uma economia pujante, de um empresariado ativo, então, eu acho que o melhor jeito de atrair turistas para Imperatriz é em congressos, em feiras e fazendo uma parceria com o polo turístico Serra da mesa. Vem a feira do livro, da beleza, a Fecoimp e outras feiras que se instalarem e acopla com um pacote para Pedra caída, Poço azul, trilhas do ponto turístico Serra da mesa. Não dá para atrair turistas apenas com atração de Imperatriz, nós temos que acoplar turismo de negócios da cidade com turismo de aventura e lazer.

IN: Na lista de bens declarados divulgado pelo site do TRE o senhor informou um total 473.000,00, um valor um pouco acima do total da sua primeira candidatura a prefeito em 2006 e um pouco abaixo do seu segundo mandato em 2012. Mas, o que chama atenção é que esse valor está bem abaixo do que foi declarado em sua candidatura a Deputado Federal em 2018, que foi cerca de 959.999,00. Como você explica essa diferença de valores em um curto período de tempo?

SB: Isso é fácil de explicar. Eu fui o primeiro Urologista que chegou em Imperatriz, com formação, residência e fui um médico muitíssimo bem sucedido, tinha uma visão de futuro e fui investindo em imóveis. Quando eu entrei na política aqui onde tem a igreja Batista, o Centro de Convenções, o Aracati office, prédio do Pitágoras, toda essa área era minha, cerca de 30 mil metros quadrados, tudo comprado e declarado através do meu trabalho como médico. Ao longo das campanhas, dos exercícios dos mandatos eu fui me desfazendo de parte disso para ajudar a financiar minha carreira política e não descambar para a corrupção. Tanto que com 22 anos de mandato eu sou ficha limpa. Ao longo do tempo meu patrimônio foi caindo, ate que eu decidir que o restante que tinha eu deveria passar para os meus filhos como uma herança em vida. Então, o que está declarado é o que realmente tenho.

IN: Candidato, conseguimos ver que o seu marketing político está impecável. O senhor acha que o marketing ou comunicação na carreira política é necessário para ajudar um candidato? Por quê?

SB: É obvio! Se eu não passar aquilo que eu quero fazer quem é que vai saber que eu sou candidato? Eu estou muito feliz que eu escolhi um grupo de jovens talentosos, que jamais teriam a oportunidade de fazer uma grande campanha em Imperatriz. Eles estão extraindo de mim uma vitalidade, uma leveza, as pessoas são acostumadas comigo como uma pessoa rígida e eu estou passando leveza, estou brincando, passando humor, isso é talento de jovens de Imperatriz e eu me orgulho disso. O melhor pagamento que eles terão é coroar isso com vitória.

IN: O senhor pretende abrir concursos para jornalistas?

SB: Se for necessário nós vamos abrir. O jornalista também precisa de emprego, não viver só de bico, na incerteza. Tenham certeza que se for necessário nós vamos tornar possível e fazer concurso.

IN: A criação da UFAMA (Universidade Federal da Amazônia Maranhense), que contempla mais um campus em Imperatriz, foi anunciada recentemente pelo então senador Roberto Rocha. Sabe-se que vocês são da mesma base política. O senhor acredita que este projeto saia do papel?

SB: Não só acredito, está saindo! Inclusive, o presidente Jair Bolsonaro vem este mês aqui para anunciar. O maranhão é o único estado do Brasil que só tem uma universidade federal. O senador Roberto Rocha tem mostrado o seu valor a sua luta, vem lutando a muito tempo por isso! Apoiou inclusive, o atua reitor da UFMA, o Natalino Salgado. O conselho já se reuniu, o conselho da Universidade Federal do Maranhão já deu uma noção de apoio e muitos outros que são do curso de jornalismo vão ser professores da UFAMA, com fé em Deus!

 

Esta entrevista integra o projeto interdisciplinar

ELEIÇÕES 2020 – Jornalismo da UFMA pergunta

Aluna de Gêneros Jornalísticos responsável por essa produção:

Valéria Cristina