Das 1.654 vagas disputadas nas últimas eleições,  somente 245 foram ocupadas por mulheres

Repórteres: Michele Souza e Pedro Teixeira

As eleições de 2018 foram marcadas por vários acontecimentos, um deles foi o crescimento no número de mulheres que conseguiram se eleger como representantes públicas. O fato de se ter mais mulheres como gestoras da política, não significa necessariamente que estas sejam com uma representação consolidada, nem que levem pautas em função das demandas femininas. Elas são 52,20% do eleitorado brasileiro de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Como mostra o Tribunal,  de um total de 1.654 cadeiras, apenas 245 serão ocupados, em 2019, por mulheres. Isso representa apenas 15%, sendo os outros 85% formado por homens.

A luta feminina por representatividade na política é histórica; apesar de toda uma trajetória por direitos iguais, porém a luta é permanente para vencer o preconceito. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres são cerca de 51,1% da população brasileira (censo de 2012), o que é bastante diferente do cenário político, onde as mulheres ocupam apenas 15% dos cargos.

 

Essas vozes femininas ganharam muita força com a articulação de grupos feministas,  com pautas específicas que buscam exatamente ocupar e pontuar a política no país. Um dos grandes marcos desse movimento, que teve apoio não só de mulheres e que ganhou destaque mundial, foi o movimento “#elenão”, que teve início nas redes sociais e que conseguiu se concretizar nas ruas.

 Conceição Amorim: política de extrema-direita prejudica mulheres

Uma das idealizadoras e coordenadora do movimento feminista em Imperatriz e, também coordenadora do Centro em Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo, Conceição de Maria Amorim, foi organizadora do ato “#elenão”, que aconteceu em Imperatriz no dia 29 de setembro de 2018. Para Conceição, o cenário é difícil, porque as mulheres eleitas nem sempre vão pautar as minorias, muito menos todas as mulheres e as lutas feministas. “Nós estamos vivendo um momento muito estranho no Brasil. Quem, por exemplo, está liderando o movimento ‘elesim’ são as mulheres. Setores que elegeram mulher foram da extrema direita, nós tivemos uma eleição de muitas mulheres do partido do representante da extrema direita, então é uma situação extremamente complexa. Claro que  a nossa expectativa é de que a gente possa garantir que a democracia vença o fascismo e vamos com certeza ter atuações muito concretas, com pautas muito bem definidas em um governo de esquerda e, se for um governo de extrema direita, nós estamos pensando como vai ser nossa atuação”, comenta.

Sobre o que a motivou a articulação do movimento contra o candidato do PSL, Jair Messias Bolsonaro, Conceição afirma que foi a preocupação com a possibilidade de ter um presidente de extrema-direita. “E quando essa candidatura foi para disputa eleitoral, reafirmando todo esse discurso de ódio, de sexismo contra as mulheres, isso nos colocou numa situação de muito mais mobilização. Porque era uma candidatura claramente anti qualquer direito das mulheres”. Ela explica mais detalhes no trecho da entrevista a seguir:

 

 

Para a estudante de 23 anos, do 6° período de Comunicação Social- habilitação Jornalismo, Daniele Silva Lima, ainda falta muito para que as mulheres sejam “realmente bem representadas pelas candidatas”.  Segunda  a estudante, “ainda há muita dificuldade para as mulheres entrarem em partidos políticas, elas também ainda não têm o mesmo investimento que os candidatos possuem e, muitas vezes, só servem para cumprir a cota”, diz.

Daniele Lima: candidatas não têm o mesmo apoio que os homens

A estudante acha muito importante que se tenha mais mulheres em cargos políticos, mas que estas, muitas vezes,  não conseguem .“Temos algumas mulheres na política sim, mas infelizmente, parte delas não está lá para defender as lutas feministas. O que é uma perda muito grande para nós. Apesar dos pesares, acredito que quanto mais mulheres conseguirem se eleger, mais chances temos de alguma delas estarem lá para nos representarem como mulheres feministas. Vai ser um movimento gradual”, pontua a estudante.

O professor e doutor em sociologia pela Universidade Federal da Paraíba, Jesus Marmanillo Pereira, explica como funciona o processo de ativismo que consegue influenciar as políticas na sociedade e de como alcançam os cargos e transformam isso em conquistas para as classes.

 

De todo modo, não se pode negar que as mulheres ao longo de muitos anos têm conseguido conquistar seu espaço, como candidatas  no  meio político-partidário ou assumindo cargos de chefia em grandes empresas. O fato é que muitas mudanças ainda devem ser feitas para que o Brasil tenha uma sociedade completamente igualitária em direitos e oportunidades para homens e mulheres.

 

*Reportagem produzida para a disciplina Jornalismo Político (2018.2), do Curso de Jornalismo da UFMA Imperatriz. Fotos/ Infográficos/edição em áudio e vídeo:Michele Souza e Pedro Teixeira. Foto/capa: comissão ato #elenão