Como tema não faz parte do plano de governo de Bolsonaro, grupo pede novas ações no Estado

Repórteres: Alice Caroline e Brenda Caroline

No Brasil cerca de 20% da população possui algum tipo de deficiência. Esse número corresponde a 45 milhões de pessoas, segundo o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado em 2017. Em Imperatriz não há dados sobre a quantidade de deficientes, entretanto o levantamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), realizado em 2018, revelou que há na cidade 599 eleitores portadores de deficiência. Destes, 161 correspondem à deficiência de locomoção.

Esse número pode ser ainda mais expressivo se levarmos em consideração os deficientes não-votantes, como afirma João Batista da Silva Santos, presidente do Centro de Assistência Profissionalizante ao Amputado e Deficiente (Cenapa). “O número de pessoas com deficiência aqui em Imperatriz é muito alto. Se vocês andarem [pela cidade] é muito difícil não encontrar em um quarteirão uma pessoa com deficiência”.

Além dos serviços de apoio aos deficientes, o Cenapa também possui outras atividades, como um time de basquete e ainda possibilita debates e rodas de conversa entre os associados, nas quais as políticas públicas voltadas para suas necessidades são discutidas. “Nos reunimos todo segundo sábado de cada mês na entidade e debatemos alguns assuntos de interesse não só da entidade, mas das pessoas com deficiência de modo geral”, explica o presidente.

Planos e ausências

Entre os tópicos debatidos estiveram os planos de governo dos candidatos a presidente da República no que diz respeito à inclusão social. O candidato do PSL (Partido Social Liberal), Jair Bolsonaro, não incluiu em seu plano de governo nenhuma ação ligada aos direitos sociais, acessibilidade, inclusão social ou qualquer menção a portadores de necessidades especiais. Já Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), candidato derrotado, destacou a retomada do Plano Viver Sem Limites, que previa o atendimento das pessoas com deficiência desde o nascimento e inclusão educacional, além da continuação de projetos em vigor. O presidente do Cenapa afirma que votou em Haddad “Para mim, o Bolsonaro não me representa”, comenta João Batista.

Edilson Vieira de Sousa, de 37 anos, servidor público municipal, participante do Cenapa, disse não ter se sentido representado pelos planos de governos dos candidatos à presidência. Para ele, esse grupo ainda é invisível para a classe política. “São poucos os políticos que levantam a bandeira da pessoa com deficiência”, critica ele. Além da sua luta em defesa pelos direitos de pessoas com deficiência, Edilson espera que os poucos políticos que prometeram projetos para esse grupo possam colocá-los em prática.

Avanços e dificuldades

Parte da preferência pelo candidato do PT pode ser explicada pela sanção da LBI (Lei Brasileira de Inclusão) em 2015, pelo governo de Dilma Roussef. A lei promove acessibilidade em hotéis, aumenta a inclusão em escolas e no mercado de trabalho e propõe melhorias para a mobilidade de pessoas com deficiência nos centros urbanos.

Essa mudança recente se fez notar na vida do vendedor ambulante Antonio da Silva. “Durante o governo do PT a gente pôde notar um programa de políticas que possibilitou a gente ser incluído no mercado de trabalho. Houve programas de acessibilidade – se bem que a nossa cidade ainda carece de muitos benefícios. Mas, de modo geral, eu vejo que foram anos em que as pessoas com deficiência foram mais vistas”, diz ele.

Entre as melhorias que eles esperam para o próximo mandato está a ampliação do projeto Travessia, iniciativa do governo estadual que possibilita o transporte de pessoas com deficiência em casos de saúde, educação, trabalho e até lazer por meio de vans gratuitas. “É um plano muito bom, mas precisa ser ampliado”, afirma João Batista. “Deveria ser um projeto mais amplo, teria que ser para todas as categorias de pessoas com deficiência e não é”, conclui.

O presidente do Cenapa reclama da falta de representatividade na Câmara dos Vereadores em Imperatriz e da falta de apoio para a entidade por parte da Prefeitura Municipal. Esta também é a queixa de Antônio da Silva, que espera mais apoio e conscientização da classe política. “O que eu gostaria de pedir para o futuro presidente é que ele realmente se coloque no nosso lugar, porque tendo empatia, aí sim, você vai ter ideias e atitudes para melhorar a vida da pessoa com deficiência”, pondera.

*Reportagem produzida para a disciplina Jornalismo Político, do Curso de Jornalismo/UFMA Imperatriz, semestre 2018.2. Imagem/cadeira: reprodução