Pesquisa Jornalismo de Fôlego Premiado 5: conheça os vencedores no formato multimídia

Texto: Deborah Costa

Imagens: Divulgação

O grupo de pesquisa Jornalismo de Fôlego, vinculado ao curso de Jornalismo da UFMA, campus Imperatriz, vem desenvolvendo pesquisas sobre reportagens premiadas em eventos de direitos humanos desde 2020. Os estudos são aprofundados com alunos bolsistas do grupo e voluntários acadêmicos que fazem parte da equipe. O principal objetivo é compreender os bastidores e as características de cada reportagem premiada nos anos de 2018, 2019 e 2020. Ao todo, são 52 temáticas sociais debatidas em forma de matérias especiais, em seis diferentes mídias (jornal, revista, televisão, rádio, multimídia e livro-reportagem). O relatório final da pesquisa será divulgado em maio de 2022.

Nesta matéria iremos apresentar nove reportagens multimídia que abordam diferentes temáticas sobre problemáticas que assolam o Brasil. Uma delas foi premiada no ano de 2018, com o título “Uma por uma”, e relata minuciosamente a história do assassinato de 241 mulheres em Pernambuco naquele período. A produção mapeia onde elas foram mortas, o motivo do crime, além de acompanhar a investigação dos casos e cobrar justiça em forma de punição para os culpados. A reportagem venceu a 40° edição do Prêmio Jornalístico Vladmir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e contou com os olhares vigilantes de 31 mulheres jornalistas do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação – SJCC, em Pernambuco. Para ler esta reportagem acesse: http://produtos.ne10.uol.com.br/umaporuma/index.php.

Outra premiada de 2018 se chama “Órfãs de Terra-Mãe: A saga das mulheres venezuelanas refugiadas no Brasil”. A reportagem ganhou o 2º Prêmio de Cobertura Humanitária do Comitê Internacional da Cruz Vermelha de Cobertura Humanitária e o 52º Prêmio de Comunicação da Conferência Nacional de Bispos do Brasil. O trabalho conta os relatos e expõem a vida de mulheres venezuelanas que buscam, no Brasil, uma oportunidade para sair da crise econômica do seu país. A intenção é dar voz a estas mulheres, que sofrem todos os dias com xenofobia, estupro, violência e muitas outras formas de violência. Na reportagem, Roraima é o principal estado que dá destino aos venezuelanos, sendo que 41,2% são mulheres. Uma das maneiras de sobreviver é recorrer à prostituição. Saiba mais em: https://www.metropoles.com/materias-especiais/a-saga-das-mulheres-venezuelanas-refugiadas-no-brasil.

A terceira reportagem a ganhar prêmio em 2018 foi o projeto “Amazônia Resiste”, que é uma investigação da Agência Pública de Jornalismo e trata da resistência indígena em alguns pontos da Amazônia Legal. Os principais personagens nessas reportagens são os próprios indígenas, que relatam as suas principais dificuldades. A premiação ocorreu no dia 17 de abril de 2018, no 35º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Sul (OAB-RS). Quer conhecer melhor as reportagens? Acesse: https://apublica.org/especial/amazonia-resiste/.

 

Reportagem “Sem direitos” mergulha no universo de quem não conta com serviços básicos

 

Já no ano de 2019, foram premiadas três reportagens multimídia. A primeira se chama: “Sem direitos: o rosto da exclusão social no Brasil” e está disponível em: https://projetocolabora.com.br/especial/sem-direitos-o-rosto-da-exclusao-social-no-brasil/. A partir dos relatos de vários personagens, retrata como é viver em um país sem seus direitos básicos garantidos. Nesta série de reportagens, conheça como é ter que morar em uma casa sem banheiro, ou sobreviver com a falta de água, esgoto e coleta de lixo. A premiação veio do 41º Prêmio Jornalístico Vladmir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

A segunda matéria premiada em 2019 se chama “CEOS da quebrada” e venceu o 1º Prêmio Jornalista de Impacto na categoria “Iniciativas em contextos periféricos e iniciativas comunitárias de jornalismo”. A reportagem fala de pessoas que acabaram perdendo ou deixando os seus empregos e decidiram tornar-se empreendedores em seus bairros, oferecendo serviços que até então inexistiam em sua comunidade. Uma das personagens é Tatiana Lobato, que precisou lavar um vestido emprestado e não encontrou nenhuma lavanderia. Hoje, ela possui quatro filhas e tem uma renda mensal de R$ 58 mil. Para saber mais, confira em: https://tab.uol.com.br/edicao/ceo-periferia/.

 

“Meninos soldados” trata da realidade de crianças recrutadas pelo tráfico de drogas

 

A terceira e última reportagem de 2019 ganhou o 1º Prêmio Justiça do Trabalho de Jornalismo (Tribunal Superior do Trabalho) com o título “Meninos soldados: as crianças a serviço do tráfico de drogas”. Conta a história de três pessoas que viveram sua infância e adolescência exploradas pelo tráfico de drogas,  realidade que afeta muitas outras crianças no país. Thiago Alves Moreno foi uma dessas crianças que, aos 13 anos, sofreu um ataque a facadas por conta das drogas. “Tenho marca de tiro e de outra facada também. Tudo isso antes dos 15 anos. É um milagre eu estar vivo”, diz ele. Quer conhecer melhor esta reportagem? Acesse: https://www.metropoles.com/materias-especiais/crime-ou-exploracao-criancas-e-adolescentes-trabalham-como-soldados-para-o-trafico-de-drogas.

No ano de 2020, a reportagem chamada “Ameaças, milícias e morte: a nova cara do Velho Chico” de Daniel Camargos, ganhou o 9º Prêmio da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) de Direitos Humanos e o 42º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, relatando o cotidiano de atos violentos que os sem-terra, pescadores e comunidades banhadas pelo Rio São Francisco sofrem diante de uma milícia rural. Os jornalistas do Repórter Brasil visitaram esses grupos que lutam pela reforma agrária e ouviram os seus relatos.  Conheça este especial clicando em: https://reporterbrasil.org.br/velhochico/.

 

“Invisíveis no banco da frente” aborda rotina de motoristas e cobradores de ônibus, expostos à Covid-19

 

Outra premiada em 2020, que venceu o 4º Prêmio de Cobertura Humanitária do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), foi a reportagem chamada “Invisíveis no banco da frente”. O especial relata situações enfrentadas por motoristas e cobradores do transporte público que arriscam suas vidas durante a pandemia da Covid-19 em nome de uma suposta necessidade de retomada da economia. Sendo eles a segunda categoria mais afetada, a reportagem traz dados, história de motoristas que morrem por conta do novo coronavírus, bem como a mudança na rotina destes trabalhadores. Conheça melhor este trabalho em: https://www.metropoles.com/materias-especiais/covid-19-motoristas-arriscam-suas-vidas-para-manter-os-onibus-funcionando.

A última reportagem premiada no formato multimídia no ano de 2020 tem como título “Arsenal Global” e foi veiculada pelo The Intercept. Trata-se de um trabalho jornalístico inédito, envolvendo 27 bairros da cidade do Rio de Janeiro, nos quais foram coletadas do chão 137 cápsulas de munição. O trabalho visa entender de onde vem as balas que matam quase 1,5 mil pessoas por ano. A reportagem também encontrou munições que são proibidas no Brasil e até mesmo balas fabricadas na Europa, no período da Guerra Fria (1947-1989). O trabalho traz vídeos e imagens para melhor compreensão deste contexto. A pesquisa também ganhou o 42º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Para entender melhor esse esforço de reportagem, conheça a íntegra em: https://theintercept.com/2019/12/16/rio-municoes-balas-eua-bosnia-russia-guerra-fria/.

 

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