Pais e alunos continuam indignados com fechamento da Escola Hebe Cortez

Um ano depois, instituição permanece fechada e ex-alunos desejam retornar

Ana Clara de Araújo

Sebastião Rocha

Situada no bairro Cinco Irmãos, a Escola Municipalizada Hebe Cortez encontra-se fechada desde o início do ano letivo de 2022. A interrupção das atividades  gerou manifestações e protestos por parte dos pais, embora a Secretaria Municipal de Educação (Semed) tenha publicado que a informação do encerramento teria sido recebida de forma tranquila pela comunidade do bairro.

“Os pais, inconformados, fizeram várias manifestações, mas não teve jeito”, relata Fran Oliveira, moradora do bairro. Ela conta que ocorreram protestos em frente à escola, na prefeitura  e na avenida JK, na qual ocorreu, também, queima de pneus. “As mães quase enlouquecem fazendo manifestação ali, um monte delas lá com as trouxas na cabeça”.

Não apenas os pais ficaram insatisfeitos, mas os alunos também. Com o fechamento, os estudantes foram transferidos para escolas de outros bairros. Yasmin Melissa,13 anos, ex-aluna da escola, ao ser perguntada sobre o que achou das transferências, afirmou:

“Eu não achei muito bom, não. Se abrisse de novo, eu estudava lá”

Yasmin estudou a 5ª série no Hebe Cortez e informa que, no final do ano letivo, ocorreu uma festa de encerramento. No ano seguinte, quando era o momento de retornar às aulas, a escola havia sido fechada.

Prédio da escola continua com o nome da instituição (foto: Sebastião Rocha)

Apesar da nota da Semed declarar que os alunos do Hebe Cortez seriam transferidos para a Escola Solidariedade, na avenida JK, e para a escola Eliza Nunes, no bairro Santa Rita, há relatos de que não aconteceu dessa forma. “Foi aluno espatifado pra todo canto. Então, muitos alunos daqui estudavam lá. Agora, tem aluno que estuda quase lá no Bacuri”, destaca Fran.

Yasmin ressalta que, na escola, havia muitos alunos. “A metade desse povo foi tudo lá para o Raimundo Corrêa. Era pra todo mundo ter ido pra lá, mas uns estão estudando no Mariana Luz, uns estão estudando no Eliza”.

DÚVIDAS

Segundo a nota oficial da Semed, as mudanças também foram necessárias em razão das vagas ociosas na instituição e apresentadas aos pais e servidores em uma reunião realizada no último dia letivo de 2021. Maria da Conceição, mãe de uma ex-aluna, informou, porém, que o colégio tinha muitos estudantes. “Quando a pedagoga fez a reunião com a gente, ela disse que tava vindo a ordem pra fechar pra diminuir gastos, com todas as letras”.

Além disso, quando o fechamento ocorreu, Fran relata que a escola havia sido reformada há pouco tempo, o que deixou todos ainda mais confusos. “Se caso eles não forem abrir o Hebe Cortez de novo, dava pra fazer muitas coisas, porque o espaço é bem grande”, destaca Yasmin.

O prédio se encontra sem atividades escolares acontecendo no local, embora o estabelecimento ainda conte com o nome da escola e seja usado de forma eventual para ações diversas. “Teve umas coisas que fizeram aí. Foi da Igreja Adventista, parece que era umas gincanas que tava acontecendo. Aí, teve um dia que a Rosejane (ex-diretora) fez uma feijoada lá no Hebe Cortez, aí tava vendendo lá”, informa Yasmin.

Leide Sousa, mãe de ex-alunas da instituição, ressalta que a escola estava presente no bairro há muitos anos e que todas as crianças da redondeza frequentavam o Hebe Cortez. Fator que impulsionou os pais a se perguntarem o porquê de o colégio estar sendo fechado naquele ano. Fizemos tentativas de entrar em contato com a ex-diretora para obter mais informações, mas não tivemos resposta até o fechamento desta matéria.

Esta matéria faz parte do projeto “Meu canto também é notícia”, desenvolvido por estudantes do primeiro ano de Jornalismo da UFMA de Imperatriz. A intenção foi desenvolver as técnicas de pauta, apuração, entrevista, redação e edição com temas locais. Esta também é a primeira publicação individual desses e dessas estudantes.

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