
Por Marcos Viana Pereira
Apenas 2.824 mil pessoas frequentaram a Biblioteca Pública Municipal de Imperatriz em 2024. Este é o menor número comparado aos três anos anteriores, de acordo com dados fornecidos pela própria biblioteca. Em 2021 foi registrado a frequência de 3076 pessoas, enquanto que em 2022 teve maior pico com 4459 visitantes, já em 2023, foram apenas 3817 pessoas, diminuído assim gradativamente até o ano atual.
O escritor e membro da Academia Imperatrizense de Letras (AIL), Marcos Fábio, esclarece que a biblioteca serve para duas finalidades: a primeira para fomentar as políticas de leitura e o acesso aos livros, sejam eles científicos ou de literatura em geral e a segunda é que ajuda a difundir as obras de escritores do Maranhão.
O escritor explica que a diminuição das visitas a biblioteca não afeta somente aos números mas à falta de contato do estudante de escola pública ao consumir obras desses autores regionais: “É fato que a redução do consumo ao livro na biblioteca vai afetar nos seus números, mas sobretudo pode influenciar na falta de acesso e conhecimento dos alunos para com os livros dos escritores maranhenses, que geralmente são os que mais compõe a maioria na biblioteca”, relata Marcos Fábio.
Ivanilde Barbosa, que está a quase dez anos no cargo como coordenadora da biblioteca, explica que uma dos principais motivos para a diminuição de visitas está na falta de estrutura da biblioteca e dos móveis, assim como também na ausência de reparos e reformas. “Outra coisa que afeta nessa pouca frequência é a ausência de centrais de ar. A única sala que tem ar condicionado é na dos adultos, já na sala das crianças e jovens não têm, e os alunos de escolas municipais e particulares acabam não vindo porque é muito quente”, aponta a coordenadora.
Com o avanço da internet, o ensino online e os conteúdos e livros digitais se popularizaram e permanecer estudando em casa se tornou uma das opções mais viáveis para os estudantes, mas justamente por isso acaba dificultando ainda mais a ida a biblioteca em busca de livros didáticos ou de ambientes para realizar estudos.
O estudante Wilson Roberto, de 38 anos, que frequenta a biblioteca há dois anos, afirma que isso é uma das justificativas que fazem os estudantes imperatrizenses não terem o hábito de ir à biblioteca e ressalta a importância como um espaço de foco e que há poucas distrações: “A biblioteca é um espaço onde há a presença estudantes e isso, de forma, acaba lhe estimulando a estudar. Já quando você está estudando em casa, o celular e o comodismo podem acabar lhe atrapalhando muito”, afirma Roberto.
Ele que é recém formado no curso de Engenharia Elétrica também ressalta que a biblioteca é importante pois se torna a extensão dos estudos, daquele estudante que finalizou o ensino médio, técnico ou superior.
O membro da Academia de Letras fala que a falta de incentivo das escolas também podem explicar a pouca presença dos alunos e propõe como medida resolutiva que ela passe a promover visitas ao espaço. “A principal ação para mudar essa realidade é a de que as escolas levem seus alunos até a biblioteca, para que conheçam o ambiente e tenham ela como um lugar para buscar conhecimento e ter uma relação prazerosa com a leitura”, explica Marcos Fábio.

Projetos de incentivo à leitura
Durante 2024 a Biblioteca Municipal promoveu diversas ações de incentivo à leitura, dentre elas estava o Projeto Monteiro Lobato e dia Nacional do Livro Infantil que foi realizado no dia 19 de abril, com o objetivo de apresentar a vida e as obras de Monteiro Lobato e ressaltar a importância do livro infantil para os alunos do 1º ao 5º ano da Escola Frei Manoel Procópio. Outra importante ação promovida foi o Projeto de Leitura “Dia de Ler Todo Dia”, no dia 20 de setembro, com o intuito de incentivar a leitura em diferentes ambientes e horários do dia, proporcionando o acesso à cultura e à informação para os alunos do ensino fundamental da rede pública.
Perspectivas para 2025
O atual prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral, fez uma visita à biblioteca para entender as suas necessidades e propôs uma reforma no prédio. Em uma conversa, a coordenadora lhe pediu para que a restauração e as melhorias não fossem feitas no atual espaço, pois ali não possui uma estrutura ideal e boa o suficiente, mas que fosse feita no local onde ela se situava antes, na rua Simplício Moreira, no centro da cidade e que antes funcionava a secretaria de Cultura, para que feito isso a biblioteca pudesse mudar definitivamente para o lugar de onde era.
Histórico
A Biblioteca Pública Municipal Professor Osvaldo Ferreira de Carvalho foi criada no dia 05 de junho de 1974 através da lei delegada 044/74 do art. 1º pelo interventor Dr. Antônio Rodrigues Bayma Júnior. Este ano completou 50 anos de atuação. Em 1991, ela foi nomeada em homenagem a um dos fundadores da faculdade de educação de Imperatriz, UEMA, hoje, UEMASUL. A biblioteca já teve sede em dois lugares da cidade: em 1983, na gestão do prefeito Carlos Gomes de Amorim, ganhou sede própria na rua Simplício Moreira, mas anos mais tarde se mudou para um novo local na gestão de Jomar Fernandes (2001-2004) para a rua Hermes da Fonseca. No entanto, na gestão de Sebastião Madeira, em 2009, sua localidade foi mudada para Rua Domingos, nº 10, onde antes era a antiga escola Frei Manoel Procópio e até hoje se encontra atualmente. A biblioteca conta com 30 mil exemplares registrados e catalogados. A atual coordenadora é Maria Ivanilde Barbosa de Sousa, que está assumindo o cargo desde 2015. A Biblioteca Pública Municipal funciona de segunda a sexta das 08 até às 18 horas.