Memórias que contam o início da feira da Nova Imperatriz

José Aparecido e Ana Maria relatam como surgiu o fluxo de feirantes na região

Vanderson Batista

Há 48 anos, não era possível imaginar o quanto uma feira popular chegaria a quase cinco décadas, fazendo parte da fonte de renda de centenas de comerciantes. José Aparecido de Sousa chegou em Imperatriz em 1984. A partir dessa época, se dedicou ao conhecimento da história do mercado, que deu origem à feira, e foi construído em 1977 por Carlos Gomes de Amorim, prefeito da cidade até 1982.

José encerrou a sua profissão como motorista e alugou um ponto em frente ao mercado, na rua Amazonas, se tornando feirante. Ele considera que desde então, passou a ser o grande percursor do local, tendo em sua memória cada fase. A localização inicial era na rua Amazonas, entre as ruas Santo Cristo e São Francisco, uma área em expansão na década de 1970. “Apesar de a rua Amazonas ser só um areião ainda, a feira era muito boa”, relata José. Ele acrescenta o quanto os pontos comerciais eram movimentados e atraíam as pessoas.

Após 20 anos desde a sua fundação, o setor em que os feirantes se concentravam apresentava condições que pediam por melhorias. Foi então, em 1996, que o ex- prefeito Ildon Marques, realocou os comerciantes que ali trabalhavam para outro local, na rua Fortunato Bandeira, com o objetivo de reformar o mercado. Os anos se passaram e a obra não foi entregue, conforme José Aparecido vai contando com muita emoção.

Mais do que temperos de uma comida, verduras são elementos que dão sabor ao comércio dos feirantes (foto: Edmara Silva)

“Ela era a todo vapor, dizem que era muita gente”, ressalta a feirante Ana Maria Souza Lima Nunes. Embora não tenha feito parte do início da feira, ela já ouviu falar muito das histórias das suas origens. “Aqui já tem mais de 40 anos, dessa remessa eu não participei.” Ana faz menção à desativação do mercado no seu primeiro local e lembra também que no governo do prefeito Sebastião Madeira (2009-2016) é que se deu o início, de fato, à reforma, em seu antigo endereço da rua Amazonas. Ana menciona que, nesse mesmo período, estava grávida de seu filho, Abraão, que tem a mesma idade do seu tempo de trabalho na feira: 14 anos. “Até hoje estamos lá.”

José Aparecido confirma o relato de Ana, contando que no início do mandato do ex- prefeito Madeira, em 2009, foram colocadas as ferragens, e ao passar alguns anos, já no final da gestão, em 2016, executaram algumas instalações. “A única coisa que fizeram foi botar aqueles bloquetes e cobrir”, se expressa com um tom altivo. A gestão de Assis Ramos (2017-2024) concluiu a reinauguração da feira, que deixou a rua Fortunato Bandeira e retornou à rua Amazonas.

Após anos de espera, feirantes receberam, em 2017, a feira da Nova imperatriz com reforma concluída pelo ex-prefeito Assis Ramos (foto: Dávila Henrique)

Em 3 de abril de 2017, com a reinauguração, o centro comercial dos feirantes retomou o movimento agitado de outrora e os empreendedores festejaram as melhorias. Aparecido menciona a necessidade de uma nova reforma, pois a última já aconteceu há quase 10 anos. Após a reinauguração, outras necessidades foram aparecendo, como uma caixa-d’água, essencial para os que trabalham por ali. Há poucos meses os feirantes receberam uma doação, mas, como não foi instalada como deveria, a caixa está vazando. “É muita coisa que tem naquele mercado ali, tem que fazer uma reforma, uma pintura”, recomenda José.

Feira da Nova imperatriz, além de reformada, ganhou ainda mais movimento (Foto: acervo Assessoria de Comunicação Senac)

“Eu fiquei mexendo lá o que podia, defendendo, organizando as coisas”, conta José, com emoção. Ele verbaliza cada momento com a voz de quem tem um apego pelo mercado. “Eu tô lá pra ajudar”, cada frase dita pelo feirante que mora no bairro há mais de 40 anos, traz recortes de boas lembranças. “Eu fico muito grato pelas pessoas procurarem a história daquele mercado, porque ali ninguém sabe dela melhor do que eu”, relata.

José Aparecido de Sousa é presidente do bairro Nova Imperatriz e da feira que leva o nome do bairro. “O que for possível eu fazer pelo mercado, eu faço”. Ele encerra dizendo: “Eu peguei um amor muito grande por aquele mercado ali, que eu não saio dali.”

Esta matéria faz parte do projeto “Meu canto tem histórias”. Os (as) estudantes do primeiro semestre do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus de Imperatriz, foram incentivados (as) a procurar ideias para matérias jornalísticas em seus próprios bairros, em Imperatriz, ou cidades de origem. O projeto é uma parceria interdisciplinar envolvendo Redação Jornalística (prof. Dr. Alexandre Zarate Maciel) e Laboratório de Produção de Texto I (LPT, profa. Camila Rodrigues Viana). Em 2025.2, contou com a colaboração, nas correções finais, da aluna estagiária Milena do Nascimento Silva, do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLe), da Uemasul.