Arte e Cultura

Artesanato na cultura de Imperatriz

Em clima junino, com várias bandeirolas e fitas coloridas pairando sob nossas cabeças, artesanatos expostos complementando a beleza do ambiente, com algumas senhoras conversando e rindo ao mesmo tempo em que confeccionavam seus produtos… Essa era a cena que víamos ao entrar no Centro de Artesanato de Imperatriz.

Fomos recebidas calorosamente pela presidente da Associação de Artesões de Imperatriz, Simone Fonseca, 52 anos, natural de Recife, que nos relatou com sorriso no rosto um pouco de sua história ali, naquele local. Criado há mais de 20 anos, o Centro de Artesanato vem representando a cidade culturalmente após sua reforma em 2017, quando Simone e cerca de 15 associadas que a escolheram presidente da associação, se reuniram com o objetivo de reerguer um local que é de referência para a cultura da cidade. Com um grande apoio do governo estadual, o Centro se tornou um forte meio de geração de renda para os artesãos que ali vendem seus produtos, e para a movimentação econômica do município.

A cidade está crescendo a cada dia para esse ramo, um exemplo disso é a abertura de lojas que vendem produtos para fazer o artesanato, contribuindo com a economia criativa. Simone afirma que o artesanato vive o seu melhor momento, pois hoje, fazer artesanato é “top”.

O Centro é frequentado tanto pela população local, como por escolas, universidades e turistas. Com o crescimento do turismo na cidade, a visita de pessoas de diversos lugares tem crescido, principalmente no período de férias. Os produtos criados pelas artesãs são comprados pelos turistas como recordações da cultura de Imperatriz.

Além de promover a cultura e diversidade locais, o Centro de Artesanato de Imperatriz, oferece à toda comunidade cursos em artes manuais como: confecção de biscuit, filtro dos sonhos, bordado, pintura em cerâmica e tantos outros. Tais oficinas, contribuem de maneira significativa na capacitação e inserção de iniciantes e profissionais no mercado de trabalho da chamada “economia criativa”. Ademais, a Associação dos Artesãos de Imperatriz (Assari) disponibiliza horários, preços e nomes dos ministrantes responsáveis por cada oficina no local onde funciona o órgão.

Localização:

Rua Urbano Santos, Centro, em frente à Praça da Cultura.
Dias e horários de funcionamento:
Segunda a sexta das 10h às 21h e aos sábados das 10h às 19h
Telefone: (99) 98257-9222

Ao entrar no centro de artesanato você se depara com lindas histórias em cada canto, você verá sorrisos, amor e felicidade, cada um conta sua própria história através de sua arte e percebemos assim que o artesanato mora ali…

Superação pela arte

Lucilene Lacerda trabalha com biscuit há mais de 20 anos

Comunicativa por natureza, mãe, imperatrizense, mulher sábia e livre, Lucilene Lucena é artesã, possuí 44 anos de idade e trabalha com o biscuit, desenvolvendo qualquer peça, há mais de 20 anos.

Residia em São Luís-MA quando casou e engravidou. Pouco tempo depois, após a separação, retornou para a cidade de Imperatriz onde passou a atuar, durante um período, como professora em aulas de reforço. O problema da conciliação entre o trabalho e a vida como mãe, fez com que Lucilene abandonasse tal ocupação. Através de sua irmã, responsável por custear algumas aulas, conheceu o biscuit. Dessa forma, encontrou um ofício que atendia a todas as suas demandas e necessidades. Isto é, agora poderia trabalhar em casa e ao mesmo tempo cuidar do filho.

 

Mulher de palavras doces e gestos delicados, a artesã produz peças de todas as tipologias e gêneros, tendo sempre como base o biscuit: chaveiros, potes, imãs, bonecos, bolos, etc. Inclusive, ela informa que já recebeu encomendas inusitadas, os chamados “desafios”, e já confeccionou até mesmo um útero, uma vagina e um microscópio.

Segundo a artesã, a identidade do biscuit está relacionada à forma individual e muito particular de modelar esse instrumento que é a base do trabalho. “A tua mão é a tua identidade”, diz ela. Feliz com o artesanato, que possui um importante papel na promoção da cultura e diversidade locais, ela se sente realizada com seu ofício. “O que eu faço, eu faço porque eu gosto!”. Destaca ainda que gosta de passar adiante todos os seus conhecimentos em relação ao biscuit, “já ensinei crianças de 7 anos”.

Para Lucilene o artesanato é um espaço de técnica, informação e, sobretudo, de todos! “O homem no Biscuit existe” informa ela, levantando uma questão bastante pertinente dentro do artesanato. Este é justamente um local de atuação e fonte de renda em que convergem homens e mulheres. “Hoje você já encontra homem que faz crochê divinamente bem, e no biscuit também a gente tem”.

Alegria e terapia ao alcance das mãos

Teresa Lima Gonçalves faz artesanato com pedras

A organização e o brilho presentes no boxe 25 chama atenção. Lá existem protetores de copos, toalhas de pano, pulseiras, entre outras coisas confeccionadas de forma única e com pedrarias por todos os lados. É esse o tipo de artesanato produzido por Teresa Lima Gonçalves, 73 anos, mãe de cinco filhos, e um pouco tímida, a artesã se sente inspirada e feliz com a beleza e singularidade de seu trabalho.

Apesar de ter nascido em Grajaú, ela se considera nativa de imperatriz, pois já está na cidade desde a década de 1960, época em que veio morar aqui. Ela passou 28 anos trabalhando como professora em dois turnos e resolveu ir 

atrás de uma das coisas que mais gosta, o artesanato. Sua criatividade flui junto às pedrarias que tanto ama. “É difícil eu fazer um produto igual, sempre eu mudo, eu sou criativa”, diz ela com felicidade e orgulho do trabalho que vem desenvolvendo. A aposentada abraça o artesanato e informa que o mesmo é uma espécie de terapia para ela, contribuindo assim para sua alegria diária.

Sua associação no centro de artesanato é bem recente, aconteceu através da indicação de uma artesã já associada. Teresa não esperou muito, logo foi atrás e se associou no final de dezembro do ano passado, porém isso não quer dizer que o artesanato para ela seja algo recente pois já trabalhava com encomendas antes.

Teresa é o exemplo de como o artesanato é não só uma renda, mas também felicidade, é saber que algo feito pelas suas mãos servirá para alguém e isso afeta na autoestima de todos que estão ali, principalmente de uma aposentada de sorriso doce e meigo.

Essência da história por meio da arte

Ilton Vasconcelos faz artesanato campestre

Trabalhando na produção do artesanato mais tradicional da cidade, Ilton Vasconcelos, 56 anos, é natural de Irapuã – BA, mas está morando em Imperatriz há 10 anos. Sua veia artística surgiu desde pequeno quando via seu tio fazer lamparinas, mas até então nunca tinha pensado em trabalhar com isso, foi quando um amigo lhe chamou para fazer nomes de pessoas em madeiras que não saiu mais do ramo, pois foi ali que encontrou a felicidade. Ele nos conta que foi criado no campo e suas obras refletem sua infância e seu próprio eu, e que mesmo morando em uma cidade sempre buscará conforto no campo.

Na entrada de seu box há uma linda fonte que vai jorrando água sem parar, e com aquele som de água correndo somos transportados para um mundo campestre.

As artes que ali se sobressaltam são todas remetentes a roça, com cerâmica, sementes, madeiras, palhas entre outras coisas. Produtos realizados por mãos que tem precisão e delicadeza para refletir por meio do artesanato a história.

Ilton está no Centro de Artesanato há um ano. Lá ele costuma tocar seu berimbau, alegrando e dando vivacidade para o ambiente, tornando o mesmo cada vez mais acolhedor. No entanto, segundo Ilton, o artesanato está cada vez mais se perdendo,pois há uma falta de interesse do jovem de se entregar a algo que leva tempo e pode causar machucados. Contudo ele não  a esperança e sempre está à procura de saber sobre o que os jovens mais se interessam.

Para o artesão, seu trabalho representa felicidade e lazer. Ele relata que já passou seus conhecimentos para outras pessoas, e com brilho nos olhos informa que um de seus filhos ao ver seu trabalho se apaixonou por outra arte, que é a arquitetura. “Eu tenho filho que vendo eu trabalhar, ele se tornou arquiteto. Se interessou pela arquitetura porque eu desenhava e pintava com ele, fazia os rascunhos, aí ele se interessou por isso”, conclui.

Confira a galeria de fotos do Centro de Artesanato de Imperatriz

Expediente:

Isabela Cunha

Isabela Cunha

Repórter

Lia Amaral

Lia Amaral

Repórter

Maria Carolina Sousa

Maria Carolina Sousa

Repórter

Gabriela Figueredo

Gabriela Figueredo

Fotógrafa

Janethe Matos

Janethe Matos

Editora e Diagramadora