BEIRA RIO

Contemplação, Diversão e Lazer 

um LUGAR DE HISTÓRIA

Descendo as ladeiras da rua mais antigas de Imperatriz, Rua XV de Novembro, chega-se à Beira Rio cartão postal da cidade, onde qualquer um pode se deparar com uma vista majestosa do rio Tocantins. A Avenida João de Deus Fiquene, conhecida como Beira Rio, proporciona à comunidade diversão e lazer ao ar livre.

Construção da Avenida João de Deus nos anos 90. Imagem: arquivo do Jornal O Progresso.

Foi no começo dos anos 1990 que máquinas passaram a trabalhar na construção da Avenida, uma obra aprovada naquela época pelo então governador do estado do Maranhão, José de Ribamar Fiquene. O nome da avenida é uma homenagem ao filho mais novo do Ex governador, que havia falecido por afogamento em uma chácara as margens do rio Tocantins no início dos anos 1970.

A avenida é um ponto de encontro para turistas e imperatrizenses às margens do rio Tocantins e já foi palco de diversos eventos ao longo dos anos. Possui uma infinidade de barracas de comidas típicas, camelôs, peixarias, bares, boates e quiosques que dividem espaço dentro e fora da Beira Rio.

Recentemente, ocorreu uma grande reforma no local, e este passou a ter uma das maiores praças públicas do estado (cerca de 20 mil metros quadrados), um parque infantil com um foguete de 25 metros de extensão e 10 metros de altura, que oferece às crianças um espaço gratuito de lazer e de qualidade. Um dos diferenciais da obra é a academia ao ar livre, espaços para caminhada e quadras de esporte, ambientes para a prática de atividades físicas, proporcionando, além do lazer, mais saúde à população.

“tRABALHAR PARA MIM NÃO É NECESSIDADE, É UMA TERAPIA”

 

As 17h da tarde de 25 de junho de 2019, Francisco Alves de 62 anos estava sentado em sua cadeira de plástico observando a movimentação de pessoas indo e vindo de todas as direções e contemplava o belíssimo pôr do sol que tinha como plano de fundo na Avenida João de Deus, mais conhecida como Beira Rio, o ponto turístico mais movimentado da cidade de Imperatriz.

Bastante relaxado em sua cadeira Francisco, um homem de semblante alegre, conta em entrevista um pouco sobre sua história de vida em Imperatriz e especificamente sobre seu trabalho naquele local que ele tanto gosta. Trabalhando há 18 anos com aluguel de brinquedo inflável, Francisco começou com esta atividade pois estava parado e não havia conseguido outra ocupação. Possuía apenas o ensino médio completo, mas viu no aluguel de brinquedo inflável uma ótima opção pessoal de trabalho e uma forma de faturar dinheiro.

Francisco se dedica de alma e coração ao seu trabalho, que apesar de simples, é uma ocupação que lhe traz muita satisfação. “trabalhar pra mim não é necessidade, é uma terapia”, afirma sorridente.

Porém, este não é seu único sustento, pois ele diz que viver apenas disso não dá pra se ter muita qualidade de vida, por isso também é lojista. Sua carga horária as vezes chega a 18 horas diárias. Pela manhã se dedica ao trabalho comercial e ao final da tarde, todos os dias da semana, ele parte para a Beira Rio.

Há pouco tempo, o local passou por uma reestruturação por conta de sua mal infraestrutura, visto que colocava em risco a segurança de quem frequentava. Novas praças, parques, equipamentos de ginástica foram colocados na grande Beira Rio. Mas, o fluxo de crianças que frequentavam os brinquedos do Senhor Francisco diminuiu e consequentemente seu faturamento diário, a partir do momento em que o lugar passou a ter um playground.

Mesmo assim, Francisco entende que é uma alternativa para os pais que não possuem condição de pagar o aluguel e como trabalhador dedicado, não desistiu de seu negócio, já que foi por meio deste que ele conseguiu e consegue sustentar sua filha, que atualmente vive em São Paulo. Francisco ajudou sua filha a se formar em medicina, e ele confessa que essa era a profissão que ele queria para si, mas não foi possível por vim de família de baixa renda. Ele se orgulha da filha e de todo o seu trabalho diário até aqui.

Para ele imperatriz é uma cidade “que tem mais a oferecer” à população em comparação as cidades vizinhas, pelos pontos turísticos e as oportunidades de trabalho informal.

PRÁTICA QUE GERA LUCRO

 

Uma das práticas que ficou bastante famosa após a reforma que a Beira Rio passou, pois esta possibilitou um novo espaço de lazer, de exercícios e de esportes, foi o aluguel de patins.

A pioneira dessa atividade na cidade de Imperatriz foi a comerciante Ellen Braga, de 43 anos, nascida e criada em Imperatriz. Ellen conta que teve a ideia de trazer esse tipo de atividade para cá quando estava em uma viagem com sua família na cidade de São Luís – Ma. Vendo muitas pessoas andando de patins de aluguel em uma praça da capital, pensou que talvez essa ideia funcionasse em Imperatriz e que seria um negócio rentável, já que em Imperatriz não havia um empreendimento como este. Então ela resolveu tentar, imaginou que a Beira-Rio seria um bom lugar para começar o negócio por causa do novo espaço propício para a prática de esportes.

Iniciou um pouco desacreditada, com poucos patins no porta-malas do seu carro, partiu para o estacionamento da Beira-Rio e depois de um curto período de tempo, quando se deu conta, o negócio já era um grande sucesso e cada vez mais vinham pessoas para alugar seus patins por alguns minutos. Aproximadamente um ano depois ela conseguiu abrir um ponto próximo na Avenida Beira-Rio, para funcionar como seu ponto de aluguel.

Pedro Henrique, de 18 anos, trabalha na beira rio há mais de um ano com o aluguel de patins no ponto ao lado do de Ellen. Ele conta que logo após a reforma, a beira rio era bem mais movimentada. “Todo dia parecia domingo”, conta relembrando suas memórias. Com o passar do tempo o fluxo de pessoas foi diminuindo, a maior concentração segundo ele é no sábado por conta da feirinha e dos shows que acontecem nela. Para Pedro não há competição entre os pontos, o preço do aluguel é tabelado, exceto pelas promoções que cada um oferece. O local ainda oferece instrutor para os iniciantes.

Em conversas rápidas com visitantes, moradores locais, vendedores e com outras pessoas que exercem atividade no local, notamos que quem trabalha na beira rio considera o local seguro, mas quem está a passeio não acha o policiamento atual insuficiente. Ouvimos também reclamações sobre o espaço ocupado pelos ambulantes que impede o uso do estacionamento por inteiro. A maioria considera o local agradável até mesmo para um piquenique ao pôr do sol ou ler um bom livro, além dos vários eventos que ali acontecem todos os anos e periodicamente.

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Ruilan Santos

Ruilan Santos

Editor e diagramador

Natália Paulo

Natália Paulo

Repórter

Juliana Carvalho

Juliana Carvalho

Repórter

Ana Catharina

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Fotógrafa

Rennan Oliveira

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