Com o tema “Tocantins – Um rio que corre em mim”, a mostra de dança reuniu cerca de noventa alunos em apresentações que misturaram arte, ancestralidade e identidade regional.
Por Iago Sousa e Luiza Cruz
15 de dezembro de 2025

O Centro Cultural Tatajuba viveu, nos dias 6 e 7 de dezembro, uma de suas noites mais simbólicas desde sua criação em 2022. A terceira edição do Festival Tatajuba Pela Dança, que neste ano trouxe o tema “Tocantins – Um rio que corre em mim”, reuniu cerca de noventa alunos em uma mostra que ultrapassou a ideia de espetáculo e se consolidou como um grande ritual de celebração comunitária da arte e da identidade regional.
Desde cedo, pais, responsáveis, amigos e visitantes se aglomeravam na entrada do Centro Cultural, que ficou completamente tomado pelo público nos dois dias. O clima era de festa e entrega, mas também de fechamento de ciclo. Para o Tatajuba, o festival representa o encerramento do ano letivo artístico, reunindo meses de trabalho dos professores, alunos e das famílias. Como define a presidente do Centro Cultural, Yasmin Silva, o evento é mais do que uma mostra: “É uma construção de representatividade, de parcerias, de vínculos. A dança transforma o físico, o emocional, o mental. E Imperatriz abraça essa transformação.”
A terceira edição nasceu de um processo complexo. A produção, coordenada por Paulo Henrique Reis, envolveu equipes de Imperatriz e de Belo Horizonte, além de artesãos, figurinistas, artistas convidados e técnicos. A captação de recursos ocorreu por meio da Lei Aldir Blanc e da PNAB, permitindo que o festival ganhasse forma ainda no meio do ano. A partir daí, nasceu a proposta de contar a história do Rio Tocantins por meio do corpo, desde sua nascente até sua foz, transformando o palco em uma travessia simbólica que percorre estados, culturas, povos e memórias.

Preparação
Durante meses, os alunos das oficinas de jazz, balé, forró e reggae estudaram, criaram, erraram, corrigiram, amadureceram. A construção das coreografias foi acompanhada de oficinas internas de movimentação cênica, comportamento em palco, confecção de elementos de cena e customização de figurinos. Professores, equipe de comunicação e pais participaram ativamente. Para o coordenador de comunicação do Tatajuba, Hugo Oliveira, essa dimensão formativa é tão importante quanto a apresentação: “Eles aprenderam o tema do espetáculo, a história do rio, trabalharam músicas regionais, construção de cena. É um processo educativo que vai além da dança.”
Um dos jovens dançarinos, Yuri Lira, de 14 anos, resume bem a intensidade do percurso: “Foi gratificante, mas muito corrido. A gente começou com quatro meses, quando o ideal seriam seis. Teve briga, teve ajuste, até ontem a gente ainda errava.” Apesar dos desafios, Yuri fala sobre a leveza que a dança trouxe à sua vida e sobre o sentimento de responsabilidade em representar o trabalho da professora: “É como se eu fosse a prova de que ela faz um bom trabalho.”

Impactos
O impacto não é sentido apenas pelos alunos. Para os pais, o festival representa emoção, orgulho e transformação. Marcelo Lira, pai de uma das dançarinas, fala com brilho nos olhos: “É sempre uma emoção grande. A gente vê nossos filhos de uma forma especial. Ver eles fazendo algo tão bonito, organizado e culturalmente rico nos enche de orgulho.” Marcelo lamenta que Imperatriz ainda não conheça amplamente o trabalho do Tatajuba: “É grande demais para pouca gente ver. Onde eu vou, eu falo, mas ainda tem gente que nunca ouviu falar.”
A funcionária pública Marleide Souza, mãe de Ana Gabriela, também destaca o quanto o Centro Cultural impactou a evolução da filha: “Ela ganhou postura, posicionamento e desenvolveu talentos. É a terceira oficina dela aqui, e o Tatajuba sempre nos acolhe. Imperatriz precisa vir mais, precisa ver o quanto isso é bom.”
Quando as luzes diminuíram e as primeiras cenas começaram, o palco se tornou o próprio rio. As coreografias transformaram a nascente em movimento: passos leves e fluídos representando o nascimento das águas; ritmos mais intensos evocando a força do rio em seu percurso, junção de estilos marcando o encontro das águas com o mar. Houve homenagens às populações ribeirinhas, às paisagens, à fauna e à musicalidade das regiões banhadas pelo Tocantins. Cada grupo trouxe uma leitura própria, marcada pela identidade e pela diversidade etária das turmas do infantil ao adulto mais experiente.
Repercussão
Para Yasmin, a repercussão superou as expectativas: “A família vem, os amigos vêm. O Tatajuba é abraçado por Imperatriz, e isso nos dá força para seguir.” Paulo Henrique também vê no público lotado uma confirmação importante: “O acesso foi dividido entre convites internos e externos, porque o espaço é limitado, mas conseguimos garantir que a comunidade estivesse presente. É muito positivo ver o impacto que o festival gera.”
O festival é uma síntese: de trabalho, de formação, de identidade regional. Como resume Paulo Henrique, “O espetáculo é também sobre a relação do imperatrizense com o Rio Tocantins. É o rio dentro de nós.”
E assim, entre corpos em movimento, figurinos em tons de água, músicas regionais e aplausos calorosos, o Tatajuba encerrou mais um ano de trabalho. Um ano de arte, de construção coletiva, de aprendizado, de afeto, e, acima de tudo, de comunidade. A terceira edição do Festival Tatajuba Pela Dança confirma que quando um rio corre também por dentro das pessoas, ele se transforma em algo maior: ele vira história.

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