Histórias negras ganham voz em livro que homenageia líderes do Centro de Cultura Negra – Negro Cosme

Por: Karina Santiago

Reconhecimento, memória e emoção marcaram o lançamento do livro Histórias Negras Importam, ocorrido no domingo (25), Dia da África, em Imperatriz MA. A obra, escrita pelos alunos do 2º período de Jornalismo, presta homenagem a lideranças do Centro de Cultura Negra Negro Cosme (CCN-NC), instituição referência na valorização da cultura afro-brasileira e no enfrentamento ao racismo no Sul do Maranhão.

O livro Histórias Negras Importam reúne os relatos das presidentas e do presidente que construíram a história ao longo de suas 12 gestões: Mariano Dias, Maria Luísa Rodrigues, Izaura Silva, Doralice Motta, Inês de Jesus, Maria Natividade, Herli de Sousa e Francisca Parente. Durante o evento, cada liderança celebrou a oportunidade de compartilhar suas trajetórias de luta e reafirmou o compromisso com a continuidade do trabalho coletivo.

O livro, com 165 páginas, é fruto de entrevistas realizadas em formato de perfil, contando com oito relatos que traçam as trajetórias e contribuições dos presidentes que lideraram o Centro ao longo dos anos.

Autores do livro e lideranças do CCN Negro Cosme reunidos no lançamento em Imperatriz (MA)

O professor organizador da obra, Domingos Almeida destacou o valor desse registro. “Esse livro é uma forma de materializar essas histórias”, afirmou.

A estudante Edilene Galeno, uma das autoras, reforçou a relevância da obra para a cidade: “Quem mora na cidade fica sabendo quem deu início ao movimento negro e conhece suas histórias.”

Foram produzidos 100 exemplares do livro, que não estarão disponíveis para venda. Cada ex-presidente do CCN Negro Cosme recebeu dois exemplares, enquanto os alunos responsáveis pela obra ganharam um exemplar cada. O restante ficará disponível para consulta no Centro de Cultura Negra Negro Cosme (CCN-NC), localizado nas dependências do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Imperatriz, na rua João Lisboa, n° 1205, entre as ruas Alagoas e Sergipe, no centro de Imperatriz.

A cerimônia contou com a presença de familiares, amigos, estudantes e do secretário municipal de Regularização Fundiária, Carlos Hermes.

O Centro Cultural

Fundado em 27 de março de 2002, o Centro Negro Cosme surgiu das mobilizações de professores, ativistas e lideranças comunitárias iniciadas nos anos 1990, como resposta à exclusão social e ao racismo estrutural enfrentados pela população negra de Imperatriz. O nome homenageia Negro Cosme, líder da Balaiada e símbolo de resistência.

Desde sua criação, o Centro tem atuado em escolas, universidades e comunidades, promovendo palestras, formações pedagógicas, eventos culturais e ações educativas. A criação do Dia Municipal da Consciência Negra, em 2001, e a promulgação da Lei Federal nº 10.639/03 ampliaram a atuação do CCN-NC na promoção da igualdade racial e no fortalecimento das identidades negras.