“Eu sou inquieta ao extremo”, se define a jornalista Mônica Brandão

Ana Clara Araújo

Felipe Carneiro

Giovanna Paixão

Laiza Cristina Rego

Naomi Rodrigues

Sofia Alves

“Não consigo começar um projeto e só pensar nele. Eu foco, mas já penso que daqui a dois anos já não quero mais estar fazendo isso”, afirma a jornalista Mônica Brandão. Em 2024 ela completará 20 anos de carreira e se define como o ser humano mais inquieto que conhece, alternando seu trabalho como jornalista com atuações no campo do marketing, empreendedorismo, docência e pesquisa acadêmica.

Mônica Brandão voltou ao universo da televisão com o programa “Balanço Geral” (foto: Divulgação)

Atualmente, está cursando Psicologia e, na vida profissional, após uma experiência na internet, no Imperatriz Online, retornou à televisão e ao rádio. Apresenta o programa “Balanço Geral”, na TV Nativa e, ao lado do ator e radialista Whallassy Oliveira, comanda o programa radiofônico “Na Rádio Pod”, na Imperial FM.

“Nisso que eu dava aviso na igreja, virei repórter”, comenta a profissional, acerca do início de sua carreira, aos 14 anos de idade. Após se emancipar judicialmente, Mônica encontrou a oportunidade de ingressar na TV Anajás, retransmissora da Rede Vida, impulsionada pela proposta da igreja católica de criar a emissora.

Originária da comunicação da Igreja Perpétuo Socorro, Mônica se tornou repórter, conciliando sua função com o trabalho como operadora de Master, atuando das 3h30 às 10h. Além disso, desempenhava atividades na prefeitura de Imperatriz, a partir de um edital para palestras em forma de teatro sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), enquanto cursava o ensino fundamental.

Sua carreira teve continuidade na TV Difusora, onde trabalhou dos 17 aos 20 anos, quando ingressou na rede Globo local, enquanto cursava Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). “Com 20 anos e seis meses eu era chefe de reportagem na Mirante. Com alguns anos de trabalho já tinha um cargo de liderança na maior emissora de Imperatriz”, relembra.

Mesmo com a dinâmica acelerada de sua rotina, Mônica não se satisfez com suas atribuições e buscou formas diferentes de complementar seu conhecimento, explorando outros interesses. “Queria entender como funcionava a gestão de pessoas, a organização de uma empresa, justamente pelo cargo que eu tinha. Comecei a fazer pós-graduação na área, administração, marketing, metodologia e prática do ensino da língua portuguesa. Sendo professora, trabalho com gestão”, destaca.

Perspectivas para o jornalismo

Mônica utiliza a palavra reinvenção para fundamentar o seu argumento sobre as perspectivas do jornalismo em Imperatriz e no Brasil. Ela acredita que o público é mutável e a comunicação precisa ser repensada para alcançá-lo. “Eu não consigo ver futuro em nenhuma profissão, e não só no jornalismo, com as técnicas, a visão e as tendências que se tinha há dez anos”. Ressalta, ainda, a importância de os profissionais refletirem a respeito do seu perfil, a forma de falar, além de como a mensagem é recebida e pode se modificar ao longo do tempo. “A gente precisa entender que essas mudanças vão movendo o mundo e o jornalismo também”, recomenda.

Apesar de reconhecer os investimentos significativos na televisão e internet, a jornalista critica os agrupamentos dos meios de comunicação. “Nós vivemos em um país que tem conglomerados de mídia na mão de poucos sobrenomes, apesar da Constituição de 1988 dizer que isso é proibido”, frisa Mônica, que também é pesquisadora acadêmica. Na sua opinião, é preciso atrair investimentos para todos os tipos de veículos, não só no Maranhão, mas no Brasil inteiro, com destaque para a região da Amazônia Legal, marcada por um “deserto” de notícias. “Isso foi positivo, pois abriu caminhos pra estarmos aqui hoje, mas os sobrenomes continuam sendo os donos”, analisa.

Ao tratar de seu exemplo pessoal, Mônica diz que se continuasse “vendendo o próprio trabalho”, como alega ter feito até 2017, já teria mudado de profissão. “Eu pensei mesmo, quando eu saí da Mirante, que eu não voltaria mais pro jornalismo de redação, que eu não iria mais produzir notícias”, confessa, destacando que se sentia frustrada com sua rotina na época.

Diferenças da TV e do online

Para Mônica, o jornalismo praticado na internet e na televisão são diferentes e só se assemelham por explorar o audiovisual. A profissional enfatiza a oposição entre os tipos de retorno do público. “Na internet, ele é rápido e cruel”. Ela menciona que é frustrante passar horas apurando e elaborando notícias para depois receber comentários sobre a sua aparência ou as suas roupas.

Na televisão, segundo Mônica, cobrir uma entrevista coletiva significa transformá-la em uma matéria longa, que os espectadores querem assistir até o final. Enquanto na internet, é preciso adaptar cada uma das perguntas em um vídeo de 40 segundos e publicar durante o dia. “Se o vídeo passar de 1 minuto e 30, ninguém assiste”.

Ela considera positivo o seu retorno à TV Nativa, no “Balanço Geral”, e garante que está voltando bem valorizada em todos os aspectos. Mônica informa que seguirá a tendência de incluir a publicidade em meio aos programas jornalísticos, um dos temas abordados em sua dissertação de mestrado.

Pesquisas

A pesquisadora cursou seu mestrado na Universidade de Taubaté, e decidiu estudar as diferenças do processo de profissionalização em comunicação na formação universitária e na prática. Apesar de existirem em Imperatriz profissionais sem graduação em jornalismo, ela não se considera superior por ter um diploma. Para Mônica, os repórteres mais antigos, que não fizeram o curso, são essenciais para a formação do jornalismo imperatrizense: “É graças a esse caminho que eles abriram que estou aqui hoje”.

Em sua dissertação, ela não estabelece comparativos entre profissionais graduados e quem não possui ensino superior. Tenta, na verdade, relatar como ocorreram os processos, procurando entender o histórico de quem escolheu fazer a graduação. Como pesquisadora, Mônica se aprofundou em pontos como a regionalidade, questões socioculturais e socioeconômicas e comentou que manteve uma abertura significativa com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). “Estive em Brasília durante a produção da minha dissertação, em busca de dados, pois não encontrava na internet, nem por telefone e nem com ofícios”.

A escolha do tema serviu para Mônica descobrir as origens e os motivos de quem fez ou não o ensino superior. Uma das abordagens escolhidas foi a questão da remuneração, quando o jornalista é contratado e a pejotização, na qual o profissional se constitui como empresa. Uma tendência que Mônica reparou durante seus estudos foi o jornalismo na internet, praticado tanto por jornalistas formados quanto por aqueles sem graduação. “Veio uma inquietude de fazer isso pra ver se daria certo, e foi aí que o Imperatriz Online surgiu na minha vida”.

Ela acredita ter valorizado, em sua pesquisa, tanto os profissionais formados quanto os práticos, pois, segundo Mônica, ambos têm valor imenso para que o mercado jornalístico flua. Além de compreender melhor como essas decisões se aplicam no mercado, em questões financeiras, faixa etária e projetos futuros.

*Este texto é resultado de um exercício de entrevista coletiva realizado na disciplina Redação Jornalística, do primeiro semestre do curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz (MA). Os e as estudantes pesquisaram sobre a entrevistada, elaboraram as perguntas, executaram a entrevista e transformaram as declarações em textos jornalísticos. Esta é a primeira publicação oficial deles e delas.

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