Jovens imperatrizenses enfrentam desafios para seguir carreira no mundo da música alternativa

Por Carla Pereira, Rayssa Silva, Luana Araújo e Kananda Araújo

O termo “pop” é oriundo de língua inglesa, sendo derivado da palavra popular, é um gênero musical que agrupa estilos alternativos e apresenta uma estrutura de fácil memorização justamente para ser contagiante e atingir grande número de pessoas. A cultura pop, termo usado em contraponto à música clássica, é definida por manifestações artísticas e culturais no geral, onde a população tem participação ativa. Contudo, é neste mundo que os jovens imperatrizenses na área artística musical encontram obstáculos para iniciarem suas carreiras.

Atualmente, o cenário musical cada vez mais tem atraído jovens para a música, que buscam arduamente ascender nesta carreira artística. Em Imperatriz, a segunda maior cidade do Maranhão, que segundo o IBGE é composta com pouco mais de 200 mil habitantes, observa-se uma certa preferência, desta população, por estilos musicais como sertanejo e forró. “O mercado musical em Imperatriz é bem limitado, tudo acaba em sertanejo e seus derivados. Então, fora dessa bolha o incentivo é baixíssimo”, diz o DJ de música pop, funk, reggaeton e brasilidades, Nico Gomes, 19, que entrou recentemente nesse cenário, mas já vem enfrentando essas dificuldades.

Nico Gomes: “cenário local é bem limitado”

Nessa realidade, é difícil para os jovens artistas imperatrizenses ganharem espaço, mas não impossível. Uma nova geração de jovens músicos vem se destacando no estilo musical pop na cidade, exemplo disto é o cantor, diretor, fotógrafo e compositor, Jefferson Carvalho, de 22 anos, que está na foto de abertura da reportagem. Ele conta com 475 ouvintes mensais na plataforma Spotify, 1.300 inscritos na plataforma YouTube e 10 mil seguidores na rede social Instagram.  Ele analisa os obstáculos enfrentados para a produção musical:

 

E mesmo Jefferson sendo de Imperatriz, lugar onde deu início a sua carreira, conta com maiores números de ouvintes nas cidades de São Luís e São Paulo de acordo com dados coletados no Spotify. “Infelizmente não é nenhum pouco fácil. Eu queria que meus ouvintes número um estivessem dentro da minha cidade, porque se eu tivesse um apoio maior onde eu nasci, eu conseguiria me inserir mais na música e o público da minha cidade iria me ajuda a reprojetar para outras cidades, mas, seguimos firme”.

Com esta dificuldade, o retorno financeiro muitas vezes não sustenta a carreira do cantor de estilo pop, que se vê sem abertura para maiores oportunidades, o que faz com que tenham muitas vezes ir para outras cidades para ganhar mais visibilidade.

Motivação para persistir

Contudo, além do reconhecimento artístico, estes jovens também procuram na música ajuda com o financeiro ou até mesmo um escape emocional. Neres, 21, compositor, produtor e cantor, ingressou na carreira após participar de um evento musical na sua escola e vivenciou um sentimento de liberdade. “Passei por dificuldades emocionais e na música descobri um meio de me sentir bem e libertar meus sentimentos”, diz Neres, que atualmente conta com 823 visualizações no YouTube com sua nova música “Pode Ser” lançada há 3 meses. Neres também é de Imperatriz, mas possui mais ouvintes nas cidades de São Luís e Fortaleza, como consta no Spotify.

Neres: ouvintes de outras cidades no You Tube e Spotify

Já Ricardo Lima, de 33 anos, vocalista da Banda Madame Lulu com mais de 12 anos na música, afirma que, depois de alguns anos de carreira o que mais motiva a permanecer é questão do “status social” e se manter entre os influenciadores. “Olha em Imperatriz é um processo de status, você será reconhecido pelo seu trabalho, porque financeiramente é um retorno muito lento. Então, o investimento para o artista local é muito precário, ainda não se dá o crédito necessário para estilos como pop e rock”, diz.

Ricardo Lima: ser influenciador é um caminho

Dicas para iniciantes

Como em Imperatriz o retorno financeiro é insuficiente para arcar com a produção musical, para cantores iniciantes, Neres indica que entrar na carreira sabendo fazer sua própria música é a chave da evolução. “Os custos são muito altos, então, aprendi a fazer a produção do meu próprio som. Assim consegui lançar minha primeira música”.

E Nico diz que a persistência é outro fator importante para quem está iniciando, pois não é um caminho fácil. “Tentar sempre. O sentimento de tentar e falhar, mas mesmo assim seguir aprendendo e dar a volta por cima é bem mais confortante que o do ‘e se?’”.

Além disso, Jefferson indica aos interessados que procurem por novas experiências que lhe façam crescer. “Se conheça, estude, pratique, desenvolva seus pensamentos, escreva tudo que vim na cabeça e tenha muitas experiências, converse com outras pessoas, isso que vai lhe fazer crescer e ser conhecido.” Afinal, como diz o ditado popular: é com a prática que chegamos à perfeição.

Musicoterapia

Desde a antiguidade a música é considerada uma arte. O filósofo Platão já dizia que a música era para a alma o que a ginástica é para o corpo, sendo assim, possui singularidades que influenciam no emocional e espiritual. Segunda a Associação Americana de Musicoterapia (AMTA), a música é utilizada para atender necessidades físicas, psicológicas e sociais de pessoas de todas as idades. Então, a música tem um efeito direto em vários aspectos.

A pesquisa realizada por Viviane Cristina da Rocha e Paulo Sergio Boggio, na Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, com o título “A música por uma óptica neurocientífica”, no ano de 2013, mostra que há uma relação da música com uma forma de tratamento de distúrbios como depressão, Parkinson e Alzheimer, com benefícios tanto para quem executa quanto para quem escuta.

Fotos: arquivos pessoais – Edição: Roseane Arcanjo Pinheiro
 Reportagem produzida para a disciplina Técnicas de Reportagem do Curso de Jornalismo/UFMA Imperatriz (2019.1)