Francisca Félix Gomes, de 71 anos, escolhe seus candidatos depois de avaliar as propostas do horário eleitoral

Repórteres: Asarias Sousa Silva e Janaina dos Santos Cunha Silva

Imperatriz é o segundo maior colégio eleitoral do Estado com mais de 160 mil votantes. Os idosos com idade acima dos 70 anos somam um total de 5% do montante de eleitores aptos a votar no município, um número bem expressivo que pode fazer a diferença nas eleições deste ano. Esse cenário mostra uma novidade nas eleições de 2018. O número de idosos, com 60 anos ou mais, aptos a votar, ultrapassou o de jovens entre 16 e 24 anos. É o que mostra os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): na eleição de 2014 eram 24,300 milhões de idosos em todo o país (17% do eleitorado), já esse ano esse número aumentou para 27 milhões, representando 18,5% do eleitorado.

O (IBGE) também aponta na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua realizada em 2017 que a população idosa no Brasil aumentou 4,8 milhões desde 2012, chegando a mais de 30 milhões de idosos. Números de julho de 2018 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram  que o quantitativo de eleitores acima dos 70 anos é de 309,028 mil pessoas, isso equivale a 7,26 % do total geral de eleitores aptos a votar no Maranhão.

Pela Constituição Federal (artigo 14, parágrafo 1º), o voto é facultativo para esse eleitorado assim como para jovens de 16 anos, sendo obrigatório somente para pessoas alfabetizadas e maiores de 18 anos e menores de 70 anos. O idoso é um eleitor que costuma efetivar sua participação e quer propostas voltadas para suas necessidades.

Faltam propostas

A aposentada Francisca Félix Gomes, de 71 anos avalia as propostas dos candidatos de maneira positiva, mas apesar disso acha que deveria ter mais propostas voltadas para os idosos. Dona Francisca Félix escolhe os candidatos a partir da propaganda eleitoral que passa na televisão. Segundo ela, a votação é importante para o cidadão pois manter o título em dia com a Justiça Eleitoral é necessário, apesar de não ser um documento  que se usa sempre.

Mesmo com a idade do voto facultativo, ela fala que pretende exercer o direito do voto. Conta que deixou de votar em duas eleições, teve alguns problemas por conta disso e de lá pra cá não deixou de votar. Ouça a entrevista:

Arlinda Bresser de Carvalho, analista judiciária e chefe de cartório da 33ª Zona Eleitoral de Imperatriz, orienta que os idosos podem ser acompanhados durante a seção de votação, mas que o mesmo deve estar ciente, para evitar que mesmo seja induzido por escolhas de terceiros.

Antônio Monteiro, 72 anos: nunca deixou de votar

O aposentado Antônio Monteiro, 72 anos , diz que sempre votou e nunca deixou de participar, mas dessa vez, por conta da idade e não ser mais obrigado a votar, fala sobre a escolha dos candidatos. “A gente conhece as propostas pela televisão, a que mais me agradar eu voto, é assim que eu escolho os candidatos, mas se ele não cumpre o que promete na campanha eu já escolho outro na próxima eleição”.

Francisca Ferreira da Silva, 59 anos é casada com seu Antônio Monteiro,  para ela o voto é importante para eleger representantes que possam fazer algo para os idosos, relacionado a área da saúde e aposentadoria. Conta ainda que não está satisfeita com as propostas dos candidatos, pois segundo ela não se ver muitas propostas relacionadas a área dos idosos. “Assisto a televisão principalmente na hora das propagandas políticas, mas não tenho visto muitas propostas que me interessa, são poucas, poucas mesmo”, relata a dona de casa. Francisca Ferreira diz ainda que a maior motivação pra ela querer votar é manter o título de eleitor atualizado, por se tratar de um documento importante para o cidadão.

Para evitar futuros problemas como o cancelamento do título, a orientação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é para que o eleitorado realize a atualização do título por meio do recadastramento biométrico. E alerta os idosos que esta é a única forma de seguir exercendo o direito do voto. Essa medida é tomada para manter e evitar o cancelamento do documento, pois a Justiça Eleitoral cancela o título caso o procedimento não seja realizado no prazo. Embora os dados recentes do TSE, apontem que nenhum eleitor teve o título cancelado nestas eleições na cidade de Imperatriz.

 

*Reportagem produzida na disciplina Jornalismo Político (2018.2), do Curso de Jornalismo (UFMA Imperatriz). Fotos/áudios:Asarias Sousa Silva e Janaina dos Santos Cunha Silva