Repórteres: Patricia da Silva Araújo e Silvana Bezerra Costa

Fotos: Jéssica Lima Gonçalves e Silvana Bezerra Costa

E não são poucos os meses que  o professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) campus Imperatriz, Lauro Pinheiro, de 39 anos, deixou para trás nas  inúmeras corridas de quatro e cinco quilômetros que participou e das quais acumula  uma vasta coleção de medalhas. E não parou por aí, desde 2015 tem-se concentrado nas ultramaratonas, quando chega a correr por mais de 11 horas seguidas. O que o motivou a se tornar um corredor de ultramaratonas? “morei em Salvador, onde as pessoas respiram atividade física”.

Lauro é formado em Administração pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema), é mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e doutor em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), atualmente ministra aulas em disciplinas do curso de Administração do IFMA. Além de ultramaratonista ele também apresenta palestras para universidades em Imperatriz, uma foi no Estabelecimento de Ensino Superior Ceuma e outra no Centro Universitário Internacional (Uninter), falando sobre os benefícios da atividade física. No fim deste mês de outubro vai ministrar outra palestra no IFMA, para incentivar as pessoas a praticarem atividades físicas.

Ultramaratona é um termo que serve para identificar as corridas que tenham distâncias superiores a 42,195 quilômetros e assim como as maratonas, remetem a Grécia antiga onde os mensageiros, treinados, corriam distâncias impressionantes para os padrões atuais. Lauro já participou de cinco meias maratonas, nove maratonas e quatro ultramaratonas. Ele disputa três corridas de longa distância por ano e sua melhor colocação foi na ultramaratona de 100 quilômetros do frio, entre as cidades de Pernambuco e Garanhuns, tendo sido o oitavo a chegar depois de correr por 11h55 seguidas.

Participar dessas corridas é segundo Lauro, “algo virtuoso”, embora demande muito esforço. E ele acorda 5 horas da manhã para treinar quatro vezes por semana e tem que seguir planilha de um treinador, além de precisar seguir uma dieta balanceada e restritiva, para que ele esteja apto a correr.

A esposa de Lauro, Mariana Stelia Reis Pinheiro, de 36 anos, também é ultramaratonista. Casados há 15 anos e eles têm três filhos, e, conforme conta o atleta, além deles só existem mais dois ultramaratonistas em Imperatriz.

O casal viaja por todo o Brasil para participar de corridas, mas, segundo conta,  é muito raro conseguir patrocínio, por isso acabam se hospedando na casa de amigos, que conhecem nas próprias corridas. É sobre sua vida como atleta que vamos conversar nesta  entrevista.

Imperatriz Notícias: Como foi o seu começo no atletismo? 

A minha melhor maratona eu fiz em 3h40. Para disputar uma maratona eu teria que fazer em uma hora menos”

Lauro Pinheiro: Certo, eu já sou atleta há bastante tempo, desde adolescente jogava vôlei, corria, mas no final de 2014 que comecei a correr com mais frequência. Participei das primeiras provas aqui em Imperatriz, uma de seis e outra de sete quilômetros, mas começou de verdade quando eu fui pra Salvador, fui em 2015, e a partir de então corria todo final de semana: maratona, meia maratona. O pessoal lá respira atividade física, entrei na onda, aí pronto, o negócio desandou (risos).

IN: Em sua opinião a cidade tem estrutura, estimula a prática esportiva?

LP: Não tem estrutura nenhuma, exceto pela Pedro Neiva de Santana que tem aquela pista nova, que foi, na verdade, construída pelo governo do Estado, mas outra não tem. Não tem espaço. A Beira Rio que tinha um circuito, era um quilometro e cem metros, aí refizeram a Beira Rio, mas não sobrou pista para fazer caminhada. Então, pelo contrário, eles estão é desestimulando.

IN: Dá para ganhar dinheiro participando de ultramaratonas? Você tem patrocínio ou treina e participa desses eventos por conta própria? 

LP: Para ganhar dinheiro tem que disputar pódio. O problema de se tentar conquistar pódio é que tem que ter nascido para isso, assim, existe um problema genético, uma questão genética, que pessoas correm naturalmente muito rápidas e outras passam a vida treinando e não conseguem chegar nem na metade daquilo. Quem treina muito rápido, quem corre muito rápido, treina para conquistar pódio. Por exemplo, a minha melhor maratona eu fiz em 3h40. Para disputar uma maratona eu teria que fazer em uma hora menos, então tirar uma hora do meu mais rápido é uma coisa para mim impossível, eu posso treinar o que for, posso passar cinco anos treinando sem parar num ritmo muito forte, eu vou lesionar, eu vou me quebrar e não vou conseguir.

IN: E onde foi a sua melhor maratona?

LP: Foi em Florianópolis, aqui não tem maratona, só tem provas de cinco e dez quilômetros, então se quiser correr longas distâncias, que é a partir de meia maratona, tem que viajar, tem que ir para fora. Daí tem a questão do patrocínio, no ano passado fui para a ultramaratona dos 100 quilômetros de frio em Pernambuco, que são 100 quilômetros entre as cidades de Caruaru e Garauims, fui com patrocínio, mas fui com o desafio apenas de concluir, que já é um grande desafio correr 100 quilômetros. Eu corri em 12 horas, correndo mesmo, literalmente. Ano passado fui e fiz essa mesma prova em 14h30 e esse ano eu consegui melhorar. A questão de patrocínio mesmo só para divulgar as empresas, mas não foi disputando pódio.

IN: Você comentou que treina com a orientação de um profissional, é você que paga por essa assistência?

LP: Eu pago, tem uma mensalidade e apesar dele não ser daqui, ele é de Salvador, mas manda uma planilha todo mês e quando eu tenho alguma dificuldade ou sentindo que o treino está muito pesado ou está leve demais, entro em contato e ele altera, ele vai modificando de acordo com a minha necessidade e ele também é atleta.

IN: Porque você não treina com alguém daqui?

LP: Aqui em Imperatriz não tem orientador profissional, mas de qualquer forma, mesmo que tivesse, eu preferia continuar com o meu atual.

IN: Acontecem várias corridas atualmente em Imperatriz, você participa de alguma delas?

LP: Sempre participo, agora com menos frequência porque como eu treino para correr longas distâncias, e final de semana é o momento de fazer o treino longo, então eu não posso trocar um treino longo por uma corrida de cinco quilômetros. Esse ano eu participei de uma corrida só em Imperatriz, provavelmente devo participar de outra semana que vem do Ministério Público, mas não é com frequência que eu participo não, porque ou é uma coisa ou é outra. Até porque também as corridas daqui  têm um custo para se inscrever e tudo, então ou escolho direcionar as minhas despesas para viajar e correr longas distâncias fora.

IN: E dessas corridas em que você participou aqui, você já chegou a ganhar alguma delas?  

LP: Eu já fiquei em terceiro lugar já, em 2015. Algumas corridas pagam em dinheiro o primeiro colocado, mas geralmente são R$200, R$300 e R$500, mesmo assim ainda é corrida da prefeitura e a inscrição é bem baratinha. Agora na maioria das vezes é só troféu e medalha, nada além disso.

IN: Qual a principal dica ou conselho que você daria para quem está começando ou tem vontade de correr? 

“Eu não tenho ambição mais nem de tempo, mas quando se chega aí, sim, aquele momento é a gloria”

LP: Os benefícios da corrida são milhares, além do que eu falei agora a pouco, dos benefícios físicos, do controle do peso, da questão da liberação de vários hormônios, que nós não liberamos naturalmente, o hormônio da alegria, da disposição, tudo isso é liberado. Assim, quando você termina um treino de dez quilômetros você termina com uma energia diferente do que se você passasse essa uma hora deitado no sofá, assistindo TV ou com o celular na mão. Além disso, a corrida hoje tem uma quantidade de pelo menos 1 mil corredores em Imperatriz e um dos benefícios, além do físico, é  o benefício social, aumentar a quantidade de amigos, fora isso tem a questão da autoestima, tudo isso conta como benefício.

IN: Como você mesmo disse depende muito da genética pra conseguir chegar em primeiro lugar, você tem vontade, ambição de chegar em primeiro lugar ?

LP: Na verdade não é ambição. Eu não tenho ambição mais nem de tempo, mas quando se chega aí, sim, aquele momento é a gloria. Mas não é o objetivo, quando vou para uma prova quero concluir. Por exemplo, fui para maratona de Florianópolis terminei com meu melhor tempo, eu devo ter ficado entre os 500 primeiros, assim sem chance em chegar entre os dez primeiros, sem chance (risos). Então eu não crio essa expectativa, corri na ultramatona de 100 quilômetros do frio, cheguei em 11h55 foi um tempo que nunca imaginei fazer, foi muito bom, o campeão chegou com 10h e um quebradinho, cheguei em oitavo lugar, o sétimo chegou com 30min de diferença, então eu não saio daqui pra disputar, mas pra conseguir o meu melhor.