Autora: Lais Sousa

Foto: Autorais/ Mestre Amorim

“O pessoal não busca muito esporte até mesmo porque não é fácil encontra patrocínio”

Francisco de Oliveira Amorim, de 50 anos, ou simplesmente Mestre Amorim, como é popularmente conhecido entre os amantes das artes marciais, em Imperatriz, é instrutor de arte marcial e condutor de turismo de aventura na cidade. O ex- boina verde do exército brasileiro dedica sua vida às artes marciais e esportes de aventura desde 1974, porém deste a infância já estava integrado em esportes radicais. “Onde eu nasci era sertão, então sempre estava me aventurando por ali”, afirmou. O fundador da Fundação Maranhense de Karatê Interestilos em Imperatriz e instrutor de artes marciais da academia Askam que está localizada em Imperatriz há 32 anos, treina seus alunos para serem campeões assim como ele foi em muitos ocasiões. A lista de competições do Mestre Amorim é repleta de vitorias nas mais diferentes modalidades. “Já participei de mais de 350 campeonatos de karatê, onde me consagrei na maioria, já fui campeão norte-nordeste, já assumi o terceiro colocado em campeonatos brasileiros; já representei o maranhão em Kickbox e tiro com arco saindo vitorioso”, relatou Amorim.

O homem de poucos ídolos, demonstra um grande respeito aos praticantes, uma vez que entende a arte marcial como uma forma de disseminar valores. ”Hoje em dia quem tem a oportunidade de treinar artes marciais sabe o valor que ela tem”, diz. Nesta entrevista, Amorim fala sobre as maravilhas de ser atleta de artes marciais, assim como as dificuldades que os esportes de forma geral sofrem no Brasil.

Imperatriz Noticia: Quais são os maiores desafios que você já enfrentou nessa profissão?

Francisco De Oliveira Amorim: A dificuldade maior é a de patrocínio, mas sempre vai ser. Melhorou um pouco com esse novo governo, mas infelizmente os governos não investem em esporte amador. E a sociedade sofre com isso, pois se investissem na integração das artes marciais como algo educacional as pessoas iriam sentir a diferença. Porque o verdadeiro esporte marcial desenvolve características nas pessoas de educação, respeito e a família. Então são conceitos que hoje infelizmente nas artes marciais não estão sendo transmitidos, pois ela está muito competitiva e quando eu falo em competitiva não estou me referindo apenas nas artes marciais, e sim em questões de patrocínio e incentivos do Estado.

 I.N: E aqui Imperatriz é mais difícil sobreviver como atleta de artes maciais?

F.D.O.A: Ah! não só em Imperatriz, todo o país passa por uma crise  e as pessoas ainda são muito fechadas. Aqui ainda é muito barzinho e churrasquinho, praticamente é só o que abre em Imperatriz. O pessoal não busca muito esporte até mesmo porque não é fácil encontra patrocínio. Inclusive eu já fui para campeonatos brasileiros e mundiais mais eu tive que vender meu carro, porque eu não pude deixar os atletas que tinham se preparados prejudicados porque os patrocinadores deram pra trás na última hora. Então eu vendi bens materiais. E assim a gente vai conseguindo com “ trancos e barrancos” vencer nos esportes aqui no município e no estado.

I.N: Quando me falaram a respeito de você, o que me disseram é que tudo que compete você ganha. Isso é verdade?

“Eu me dedico em tudo que me desafio a fazer e foco, por isso eu me dou bem”

F.D.O.A: Eu me dedico em tudo que me desafio a fazer e foco, por isso eu me dou bem. Acho que se você se integrar naquilo que quer fazer, você consegue. Agora se você fizer as coisas só por fazer, não vai atingir o êxito. Eu sou muito determinado. E essa dedicação vem da disciplina das artes marciais, que é você focar nas vitorias, mas respeitando os limites do corpo.

I.N: Então o segredo é dedicação?

F.D.O.A: Sim, a dedicação, a motivação mais a disciplina são  os segredos de qualquer esporte marcial. Não adianta você dizer que vai jogar sua bolinha uma vez por semana e não está conseguindo ser campeão. Se você que ser um campeão tem que abdicar de várias coisas. Tem que treinar de seis a oito horas por dia, como um trabalho mesmo. Agora se você fizer só uma hora por dia não vai conseguir nada.

I.N: Hoje você se sente realizado na profissão?

F.D.O.A: Eu sou bem-conceituado no meu país, onde vou no Brasil sou reconhecido, porque tenho um trabalho no Maranhão. Pra mim é gratificante. Trabalho ministrando cursos de defesa pessoal para entidades policiais de diversos seguimentos como a civil, militar e a federal. Além disso, tenho esse reconhecimento também em diversas instituições como um bom instrutor, um bom professor e um bom atleta, ou seja, estou realizado. Infelizmente no Brasil o pessoal se interessa mil vezes mais em esportes coletivos que pagam milhões e não investem em esportes sociais e individuais que geram a formação e caráter necessário para a pessoa.

I.N: Você tem alguma dica para quem quer seguir nessa área?

F.D.O.A:  Bom, primeiro tem que buscar conhecimento criterioso, saber as histórias dos seus professores. Não se deve entra em uma academia somente pela beleza ou porque é perto da sua casa, porque às vezes os instrutores não têm história. Enfim tem que buscar as pessoas de bem e que tem reconhecimento pela sociedade.

I.N: Como você pretende estar daqui 10 anos?

F.D.O.A: Se o país não entrar em uma recessão maior eu pretendo dar a academia para um aluno e continuar fazendo o que gosto – me aventurando.