Texto e fotos de Paulla Monteiro

Apesar de não ser novidade, já que o Ministério da Educação (MEC) discute e estuda a respeito das novas Diretrizes Curriculares Nacionais desde 2009, muitos alunos do curso de Comunicação Social não sabiam que vamos passar por mudanças na grade em breve e que, inclusive, seu curso vai passar a ser apenas Jornalismo. O prazo concedido para as universidades adequarem-se às novas grades foi de dois anos, terminando assim em 2015. A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) encontra-se atrasada nessas modificações, mas o processo já foi iniciado e em breve nossa grade curricular será outra.

Entre as mudanças há: novas matérias,  aumento da carga horária de 2.700 horas para, no mínimo, 3 mil horas; o nome do diploma será Bacharel em Jornalismo e não mais em Comunicação com Habilitação em Jornalismo; O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) passa a ser individual; bem como um aumento significativo nas aulas laboratoriais.

Para esclarecer os detalhes dessa mudança conversei com a professora doutora Lívia Cerne, que faz parte do Núcleo de Diretrizes do campus de Imperatriz-MA. O grupo é composto por oito professores doutores e tem a função de analisar, selecionar matérias de acordo com a grade uniforme imposta pelo MEC, criar ementas disciplinares, produzir um plano de equivalência e promover a efetivação dessa nova grade curricular na universidade. Confira e tire todas as dúvidas sobre essas mudanças.

 

Imperatriz Notícias: Qual o objetivo das mudanças nas diretrizes curriculares do curso de Jornalismo?    

"Bom, estamos mudando para melhor e acredito que só há vantagens"

“Bom, estamos mudando para melhor e acredito que só há vantagens”

Lívia Cirne: A intenção é modificar a estrutura do curso, pois um Jornalismo de 10 anos atrás é totalmente diferente de hoje. As diretrizes são pra focar no campo do Jornalismo em si e não na Comunicação de modo geral, que é mais abrangente. As mudanças estão voltadas às novas vertentes da tecnologia, das rotinas produtivas que o mercado de trabalho exige.

IN: Por que o MEC demorou tanto pra modificar as diretrizes do Jornalismo?   

LC: A mudança é recorrente em vários cursos, não só em Jornalismo. O MEC realiza avaliações em determinado tempo e esse ano o escolhido foi nosso curso, por isso a demora. O que era de urgência, pois a área trabalha com tecnologia dentro da comunicação precisamos juntos evoluir.

IN: Foi estabelecida uma nova grade para todos os cursos do Brasil?   

LC: Não, o MEC fez a convocação para a mudança da grade, observando os requisitos das diretrizes. Então cada universidade monta sua própria grade mantendo o mesmo foco, observa a grade antiga e a nova, seleciona matérias que se encaixam nas novas diretrizes impostas e dispensa outras. Quem realiza esse processo são os professores. Quer dizer que o curso de Jornalismo de Imperatriz pode ser totalmente diferente de outro local, mas todos seguem a mesma abordagem.

IN: O que muda substancialmente nas disciplinas do curso?

LC: Há disciplinas basilares teóricas, que participam do desenvolvimento do estudante para tornar-se jornalista, essas vão permanecer. A mudança será dividida entre teoria, prática e produção, na tentativa aumentar aulas laboratoriais, inserir disciplinas de gestão, estatísticas e promover uma interdisciplinaridade entre as matérias. A proposta é preparar o aluno desde cedo para vivenciar o Jornalismo. Hoje, nos primeiros períodos, leciona-se mais teoria; na nova grade temos um pouco de prática em cada período, um contato mais próximo com a área já no início. Pensamos nisso na tentativa de cativar logo no começo, criando um amor pelo curso, não sendo necessário que o aluno estude até o quarto período para descobrir o que realmente é o Jornalismo. O contato do aluno com a profissão torna-se mais estreito, ele vai produzir desde o primeiro ao último período, permite assim a imersão no curso em diversos temas e engajamento na profissão.

IN: Como é possível aproximar os aprendizados e conteúdos anteriores com essa nova linguagem e tecnologia que faz parte do novo Jornalismo?

LC: A mudança refere-se à abordagem em relação ao que é novo. Algumas disciplinas que vão sair, como exemplo a cadeira de Oratória, será incluída de outra forma em outra matéria, a diferença é que não teremos uma disciplina destinada somente a oratória. Durante um tempo o curso vai conviver com os dois currículos, dos alunos antigos e dos novos, estamos na fase do planejamento das equivalências. Que uma disciplina dita antiga equivale a outra da nova grade, assim os alunos que deixaram matérias para trás não ficam prejudicados.

IN: Devido ao aumento da carga horária o número de períodos foi prolongado?

LC: Não, continua 4 anos de duração. Houve o aumento de carga horária referente ao tempo de preparo da monografia, de estágio, há disciplinas optativas, cadeiras que saíram. Tudo foi equilibrado dentro da grade, o aumento refere-se a isso, não alterando o tempo do curso.

IN: Qual o perfil do novo jornalista que a UFMA quer formar? Quais as vantagens e desvantagens dessa mudança?

LC: Despertar a ideia de pensar fora da caixa, ir além, sair do que já existe e inovar o Jornalismo. Pretendemos estimular a habilidade de juntar o domínio de teoria e prática, que são os elementos indissociáveis que o profissional precisa dominar. Além do tríplice aspecto da academia: ensino, pesquisa e extensão. Criando novos olhares para os alunos na hora de investir no seu próprio modelo de comunicação. Bom, estamos mudando para melhor e acredito que só há vantagens, os alunos agora vão estar preparados para o mercado de trabalho, já adentrando com experiências. Acho que a única desvantagem são os alunos da grade antiga ficarem com inveja da grade nova (risos).

"Acho que a única desvantagem são os alunos da grade antiga ficarem com inveja da grade nova (risos). "

“Acho que a única desvantagem são os alunos da grade antiga ficarem com inveja da grade nova (risos). “

IN: Quais as dificuldades que a UFMA vai enfrentar na adequação da nova grade? Quando as mudanças serão efetivadas na nossa universidade?

LC: Bom, quanto a estrutura física nós temos, não é perfeita ou completa, mas é possível trabalhar assim por um tempo. Ainda faltam algumas coisas importantes como estúdio de TV, o estúdio de fotografia, são coisas a serem aderidas. Apesar de ser uma universidade interiorana temos um bom número de professores que trabalham quase todas as temáticas. Acho que será tranquilo para iniciar a nova grade. Estamos trabalhando para que aconteça no próximo semestre, não há certeza por enquanto, depende da homologação do processo. Demanda tempo, pois é um projeto político pedagógico pensado minimamente, temos reuniões semanais para elaborar todas as grandes, ementas, analisar a carga horária… estamos terminando essa equivalência para finalizar o projeto. Mas em breve a nova grade entra em vigor aqui.

IN: Uma dúvida frequente parte dos alunos que já cursavam Jornalismo antes das alterações serem aprovadas: como fica a situação da grade curricular daqueles que já estão cursando? A nomenclatura do curso também mudou?

LC: A grade para os alunos que estão em processo de formação continua a mesma. O plano de equivalência é a solução para igualar ambas as grades, é como se fosse outro curso para os alunos que entrarem, mudando algumas matérias mas permanecendo a essência. O nome mudou, agora é especificamente Jornalismo e não mais Comunicação com habilitação em Jornalismo. Assim foca na área, pois a comunicação em geral é muito abrangente. Com essa mudança podemos concentrar na área jornalística. O diploma da grade nova recebe este termo específico.

IN: Que impacto você acha que essas alterações trazem para o aluno e mercado de trabalho?

LC: O aluno que entrar no curso agora terá contato com as novas abordagens, pois de certa forma ele tem sede disso. Será um profissional mais preparado e capacitado para trabalhar. E o mercado se qualifica quando lida com profissionais mais habilitados e exige isso.

IN: Como professora e experiente na área, qual sua opinião a respeito dessas modificações?

LC: Acredito que essas mudanças eram realmente urgentes e necessárias, a tecnologia modifica, é muito célere e impacta fortemente o mercado jornalístico. Então temos que nos adaptar a esse novo cenário, pensar na formação prática associada à teoria que sempre andam juntas, buscar assim uma forma de inovar e evoluir.

 

Saiba Mais:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=13063-pces039-13-pdf&category_slug=maio-2013-pdf&Itemid=30192