Texto e Fotos Sarah Dantas

O GPAI (Grupo de Proteção aos Animais de Imperatriz) é uma ONG que protege e cuida de animais abandonados em Imperatriz. Cadastrada no Ministério da Fazenda como associação privada, é mantida por 15 voluntários que ajudam a arcar com as despesas que chegam mais ou menos a R$ 2,5 mil a R$ 3 mil. A maior parte do dinheiro gasto é usado no tratamento das doenças dos bichos recolhidos. Atuando em um ano e cinco meses, o grupo recolhe e cuida, dando um lar temporário na casa dos voluntários até encontrarem um lar definitivo.Resgatam por mês cerca de 15 cachorros e mais de 50 gatos. Essa entrevista com a diretora do GPAI, Sônia Maria de Sousa,esclarece sobre o trabalho do grupo e sobre o cuidado com os animais.

"A lei não existe aqui em Imperatriz. Nós já tentamos de todas as formas"

“A lei não existe aqui em Imperatriz. Nós já tentamos de todas as formas”

Imperatriz Noticias: Apesar de sabermos que os cuidados com os animais abandonados têm diversas dificuldades, o que levou/leva você a criar e continuar com o GPAI?

Sônia Maria de Sousa: É o amor muito grande que eu sinto por esses animais. Eu tenho problema respiratório, tenho problema financeiro, mas é muito difícil você olhar para a carinha de um cachorro abandonado e não puder ajudar.

IN: O GPAI tem algum critério de seleção dos animais descuidados, tendo em vista o grande número de abandonos e a pouca disponibilidade de voluntários e recursos financeiros?

Sim, infelizmente nós temos. Temos que optar pelo mais necessitado, aquele que você sabe que é de rua, que está abandonado, enfim, infelizmente nós temos que fazer uma triagem, não dá pra pegar todos.

IN: A castração é uma questão de saúde para os animais, visto isso, sabemos que é importante castrá-los, mas esse processo muitas vezes esbarra na questão financeira por apresentar um alto custo. Em alguns municípios a castração já é gratuita, vocês como ONG protetora dos animais quais ações implementaram para que em Imperatriz seja disponibilizado gratuitamente também?

Olha, infelizmente nós dependemos do poder público. Nós já fomos atrás e não tivemos apoio, fomos atrás do prefeito, atrás de diretores de saúde, atrás do Ministério Público, aonde nos prometeram, prometeram e nada fizeram. Pra falar a verdade, nós ganhamos em mais de u ano de ONG apenas duas castrações do poder público, de dois gatos machos, e não conseguimos mais nada até agora.

IN: Então o que poderia ser feito? 

"Ai as pessoas começam, tiram fotos, e ficam no nosso ouvido direto, e perguntam: “Por que o GPAI não trabalha?” Sendo que essa é a responsabilidade é do Centro de Zoonose."

“Ai as pessoas começam, tiram fotos, e ficam no nosso ouvido direto, e perguntam: “Por que o GPAI não trabalha?” Sendo que essa é a responsabilidade é do Centro de Zoonose.”

SM: Políticas Públicas. A Prefeitura ter parceria com o Centro de Zoonose e levantar verbas para ajudar nos custos da castração, pois a superlotação de animais aqui é muito grande.

IN: Como você concilia sua vida pessoal com o trabalho na ONG?

SM: Nossa, muito corrida. Aqui em casa é como se fosse o QG. Eu tenho ali um quarto que está cheio de “bagulho” para o nosso bazar, onde a gente pretende angariar fundos para tratar dos nossos animais, fazer castração, principalmente.

IN: Sabendo da existência da Lei 9.605/98 x novo código penal art.32, que defende animais maltratados e sabendo que a execução da mesma aqui em Imperatriz não é bem efetivada, o GPAI já moveu algumas ações para a procedência rigorosa dessa lei?

SM: Já, nós movemos, mas não obtivemos êxito. Ouvimos muito que “Ah, é uma questão de cultura”. Você quer ver um exemplo? As carroças na cavalgada. Em o todo lugar que eu fui bateram a porta na minha cara dizendo que aquilo era uma festa bonita, que não podia sair sem aquelas carroças… Então, assim, você vê um animal no sol, sedento, apanhando, com superlotação em cima, e você vai lá fala e na hora o carroceiro ainda tem razão. Aí é muito difícil. A lei não existe aqui em Imperatriz. Nós já tentamos de todas as formas. Só pra você ter uma ideia, temos direito a uma parte das multas, multas de trânsito, multas em relação ao animal. Mas nunca conseguimos, porque eles dificultam. Esse ano eles (Ministério Público) lançou um edital no Diário Oficial pra gente ir lá e requerer essas multas, porém pediram tanta coisa. Então a lei não funciona.

IN: As pessoas que desejam adotar animais da ONG passam por algum processo de avaliação?

SM: Passa, mas não muito rigoroso, porque é muito difícil você arrumar quem queira ficar com animal de rua, apesar de você mostrar que ele está castrado, vermifugado, vacinado, enfim está super tratado, livre de doenças. Na medida do possível a gente fiscaliza, mas nós não temos condições de fiscalizar todos.

IN: Pra você, qual o perfil dos animais abandonados?

SM: São muitos os problemas que levam eles a serem abandonados. Primeiro: viagens, as pessoas viajam e abandonam, pessoas que moram de aluguel dai quando mudam deixam o animal lá, principalmente os gatos, outros são porque o animal aparenta está doente ou está doente e eles não querem cuidar e abandonam. Só pra você ter uma ideia, ultimamente estamos vendo muitos casos de sinomose, que é uma doença que afeta o cérebro do animal, da parte neurológica, então, assim, os donos quando veem o animal ficando magro, remelando, dando tique nervoso nas patas, jogando o pescoço, já abandonam. Ai as pessoas começam, tiram fotos, e ficam no nosso ouvido direto, e perguntam: “Por que o GPAI não trabalha?” Sendo que essa é a responsabilidade é do Centro de Zoonose.

 

Serviços:

Para aqueles que desejam ajudar essa ONG existem diversas maneiras: Doação em dinheiro, associando-se ao grupo, doando ração para os bichos, lar temporário, participando dos eventos que a ONG organiza para arrecadar fundos lucrativos, ou entrando em contato com a diretora Sônia, pelo número (99) 98115-4084. Para saber mais há, ainda, uma página no facebook: https://www.facebook.com/protetoresdeimp