Texto e fotos de Margaret Valente

Parte da memória do Jornalismo de Imperatriz vai para a internet. Milhares de páginas de jornais da cidade serão digitalizadas e disponibilizadas à comunidade em plataforma online até o final de 2017. O trabalho será realizado pela equipe do projeto de Digitalização dos jornais de Imperatriz-MA, coordenado pela professora Roseane Arcanjo Pinheiro, do Curso de Jornalismo, da Universidade Federal do Maranhão, Campus Imperatriz. A iniciativa conta com recurso financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico do Maranhão (Fapema) que selecionou o trabalho através de edital para modernizar acervos públicos de todo o Estado.

O curso de Jornalismo tem, desde 2010, um acervo setorial com livros, monografias, jornais de outros estados, coleções de revistas, entre outros itens. O espaço foi recebendo também vários impressos da cidade através de doações. “Percebemos que estávamos reunindo parte da trajetória do jornalismo feito aqui e para levá-la à população não bastava ter apenas a consulta local, com suas limitações. Era preciso analisar essas publicações e disponibilizar as pesquisas e os exemplares na internet”, afirma a professora Roseane Arcanjo.

 Serão digitalizadas várias edições de 18 jornais, que circularam entre 1970 e 2015, em Imperatriz e região. A equipe do projeto, além de organizar a plataforma digital com o material jornalístico, estudará a produção de notícias nesses veículos impressos e apresentará resultados da pesquisa em eventos científicos do campo da comunicação. Na entrevista que segue, a professora Roseane Pinheiro detalha algumas informações do projeto e a importância dessas ações para a comunidade.

"A ideia não é somente oferecer a consulta local e sim colocar parte dessa memória do jornalismo para ser analisada e ser fonte de pesquisa para a comunidade"

“A ideia não é somente oferecer a consulta local e sim colocar parte dessa memória do jornalismo para ser analisada e ser fonte de pesquisa para a comunidade”

Imperatriz Notícias – Como surgiu a ideia de fazer o projeto de extensão Digitalização dos Jornais de Imperatriz – MA?

Roseane Arcanjo – O Curso de Jornalismo organizou seu acervo setorial em 2010 e desde lá o local vem recebendo muito material, como livros, monografias, jornais de várias partes do Brasil e do mundo. Ao lado desses itens, chegaram também jornais de Imperatriz, de Açailândia e até de Carolina. Na época, eu já orientava projetos de pesquisa relacionados à história do Jornalismo em Imperatriz e fui percebendo que, através das doações, a comunidade sinalizava o interesse em preservar a memória do Jornalismo e também da cidade por meio das notícias. Imperatriz também só dispõe somente de dois acervos públicos, a Biblioteca Municipal, e a Academia Imperatrizense de Letras, que não possuem arquivos digitalizados. Percebemos que estávamos reunindo parte da trajetória do jornalismo feito aqui. Para levá-la à população não bastava ter apenas a consulta local, com suas limitações. Era preciso analisar essas publicações e disponibilizar as pesquisas e os exemplares na internet. O jornalismo é uma forma de conhecimento sobre o cotidiano, sobre as mudanças e movimentos que envolveram a sociedade, por isso a relevância em estudar essa área e compreender o processo de produção da notícia.

IN – A fapema financiou 70 mil, como esse recurso será usado?

RA – Em 2015, surgiu à oportunidade de enviar um projeto à Fapema para captar recursos para a digitalização desses impressos, processo geralmente caro. Por meio do edital para acervos públicos, conseguirmos o repasse de cerca de R$ 70 mil para o projeto.

Estamos planejando uma plataforma digital que não será somente um banco de dados com as páginas. Desejamos fazer um espaço dinâmico, incluir fotografias, entrevistas, documentários e toda a pesquisa produzida pelos estudantes e pesquisadores que estão na equipe. Vamos analisar cada jornal digitalizado e apresentar para a comunidade, de várias formas, como faziam essas notícias.

IN – O acervo do curso de jornalismo em Imperatriz conta também com periódicos de outras cidades. Qual a importância dessa disso para a sociedade acadêmica?

RA – Temos exemplares doados de jornais de algumas cidades do Maranhão, como São Luís, Pinheiro, Santa Inês, Açailândia, Carolina e Pinheiro, além de impressos de cidades das regiões Nordeste, Norte, Centro-oeste, Sudeste e Sul. Tudo isso é um panorama da produção de notícias em todo o Brasil. Esse material é útil para a compreensão do discurso jornalístico, dos processos produtivos e das realidades de cada local. Pode ser consultado por estudantes universitários, do ensino médio ou fundamental para pesquisas. O jornalismo nos dá pistas sobre a organização dessas sociedades, seus personagens e seus acontecimentos.

IN – Alunos que precisam fazer pesquisa no acervo da UFMA reclamam do funcionamento. Como está funcionando atualmente o acervo?

RA – O maior desafio era organizar o acervo e mantê-lo aberto. Fomos melhorando a situação e estruturando o local. Hoje já temos o acervo aberto três vezes na semana e há um bolsista que está reorganizando as monografias e coleções de revistas. Temos internet e computadores. A ideia não é somente oferecer a consulta local e sim colocar parte dessa memória do jornalismo para ser analisada e ser fonte de pesquisa para a comunidade. A plataforma digital, com os exemplares digitalizados, vai possibilitar que qualquer pessoa possa consultar e ler esse material jornalístico em qualquer suporte, seja móvel ou não: um celular, um notebook ou uma TV com internet. Isso em qualquer lugar do mundo.  Então haverá imensamente um público bem maior do que hoje. A UFMA, através do Núcleo de Tecnologia e Informática nos orientará, dará o suporte e hospedará o site a ser criado, processo essencial para que o projeto se efetive.

IN – Quais as dificuldades acerca do processo de digitalização desses materiais?

RA – O principal desafio é impedir que os jornais sofram desgastes com a ação do tempo. Hoje alguns exemplares estão em estado precário. Muitos deles se forem folheados, poderão até sofrer danos durante o manuseio e a finalidade é preservar essa memória antes que possamos perdê-la. Por isso é importante reunir logo esses jornais e digitalizá-los.

Digitalizar é um processo que propicia a valorização do conhecimento, porém requer muito investimento e cuidado. Em todo o Maranhão há projetos, principalmente envolvendo órgãos públicos, escolas, sindicatos e universidades, que digitalizaram seus acervos para preservá-los e divulgá-los para a comunidade.

IN – Além de digitalizar o acervo do curso, o projeto prevê a realização de algum material escrito ou outro tipo de produção sobre esses jornais?

RA – Temos dois anos de trabalho pela frente para efetivar o projeto e as outras ações são potencializar a pesquisa sobre o jornalismo das cidades pequenas e médias do Maranhão, bem como produzir material audiovisual sobre a produção jornalística dos periódicos digitalizados. Mas queremos ainda elaborar a exposição “Memória digitalizada: as várias faces do Jornalismo em Imperatriz” e divulgar artigos científicos sobre os jornais digitalizados e o processo de produção jornalística na região tocantina e em 2017, vamos realizar um ensaio fotográfico sobre as capas dos jornais digitalizados para essa exposição.

Outra meta é elaborar dois livros, em formato ebook, com artigos científicos sobre os impressos digitalizados, com selo da Editora da Universidade Federal do Maranhão.

IN – O desafio de digitalizar esses impressos é muito grande e ousado. Como a senhora montou a equipe?

"O principal desafio é impedir que os jornais sofram desgastes com a ação do tempo."

“O principal desafio é impedir que os jornais sofram desgastes com a ação do tempo.”

RA – Em Imperatriz, somente a UFMA, no tocante à memória do jornalismo, teria condições de ser espaço para mobilizar uma equipe e reunir recursos para essa empreitada. Por isso, para enviar o projeto à Fapema, convidei inicialmente estudantes da disciplina de Elaboração de projetos em Comunicação, que eu ministrei no segundo semestre de 2015. Depois foram convidados os professores Thays Assunção, Nayane Brito e Rodrigo Reis, parceiros de pesquisas sobre a história do jornalismo no Maranhão, que aceitaram o desafio e atualmente me ajudam na coordenação das atividades.

IN – Como está o andamento das atividades do projeto?

RA – O projeto foi selecionado pela Fapema no final de 2015 e o repasse de recursos foi concluído em abril deste ano. Agora estamos na fase de aquisição dos equipamentos, que virão de São Paulo. Já fizemos o contato com a empresa escolhida para comprar o scanner para formatos de jornais e também estamos adquirindo uma máquina fotográfica profissional. Desde março começamos reuniões com a equipe, fizemos leituras e vamos abrir pelo menos mais duas vagas para novos estudantes se engajarem nessas atividades. Eu diria que estamos na fase de finalizar a montagem do grupo que irá efetivamente trabalhar.