Texto de Maira Soares e Monik Hevely

Fotos de Kelly Costa

O empresário e digital influencer Jardel da Silva Costa, 24, é responsável pelo Vagas Imperatriz (@vagasimperatriz), o maior perfil no Instagram de ofertas de emprego na cidade. Terminando a graduação em Administração de Empresas e buscando temas para realizar seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) ‒ trabalho acadêmico obrigatório no final do curso superior ‒, o empresário Jardel Costa criou em 2018 um perfil no Instagram com o intuito de catalogar e divulgar vagas de empregos. Ele queria fazer uma ponte entre seu curso e o Marketing. No fim do período o tema do TCC não foi aprovado, mas Jardel não descartou a ideia e colocou o projeto em prática, com o intuito de anunciar as vagas que estavam sendo disponibilizadas na região. “Visto a necessidade que se encontra hoje no comércio, a cidade está crescendo e é uma forma de comunicar para uma grande massa de pessoas as vagas que estão sendo ofertadas”, justifica.

Apresentando atualmente um total de quase 47 mil seguidores, o Vagas Imperatriz não é somente um simples perfil, mas uma empresa online de prestação de serviços registrada no MEI (Microempreendedor Individual) há apenas seis meses. Contando apenas com Jardel como dono e único administrador que faz publicações e negociações, o projeto conta com auxílio de um advogado atuante na área trabalhista para elaborar e analisar contratos e dispõe de serviços que vão desde a elaboração de currículos até o “auxílio de como pedir demissão”. Recentemente, criou também um perfil no Facebook para alcançar os usuários que não estão conectados na rede social que deu origem ao perfil. Também está em andamento um projeto em parceria com o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) voltado para jovens de baixa renda. Nesta entrevista, o empresário fala sobre seu objetivo inicial com o perfil, os serviços ofertados pela empresa e oferece dicas que facilitam na hora da entrevista de emprego, além dos maiores erros de um currículo como “não colocar o contato e errar o próprio nome”, segundo afirma Jardel.

 

Imperatriz Notícias: Qual era seu objetivo inicial ao desenvolver um perfil para vagas de empregos no Instagram?

Jardel Costa: Eu fazia Administração e precisava de um TCC. Não sabia o que fazer. E como marketing está ligado à Administração, pensei em fazer algo que já vivenciava todos os dias. Porém, seria muito trabalho fazer um TCC nessa área já que envolvia muitas pesquisas de campo, etc. Não dava para mim. Assim, fiz mais um levantamento de seleção e deixei de lado a parte do Vagas. Aí coloquei em prática depois e deu certo. Foi algo despretensioso que deu certo.

IN: Os serviços da empresa vão desde montar o currículo e conseguir uma vaga de emprego até como pedir demissão. Muitas pessoas procuram esse auxílio de como se demitir corretamente?

JC: Sim, porque para sair de um emprego você tem que ver quanto vai ganhar, se vai ser bom ou não, como está o mercado e se vai ter outra vaga. E aí sempre tem essa questão de fazer currículo para ver se sair de um emprego para ter outro logo em vista. Nunca sair sem ter outro em vista. Então, sempre tem aquela questão “se eu pedir demissão, vou receber tudo?”. Todo mundo tem dúvidas.

IN: Como Consultor de RH (Recursos Humanos), você acaba recebendo e divulgando o currículo das pessoas para as empresas. Tem uma demanda grande de currículos enviados?

JC: Eu recebo praticamente duas a três vagas por semana e tenho alguns currículos. Quando a pessoa oferta a vaga, eu pergunto se posso mandar os meus currículos. Assim, pego o e-mail da pessoa e envio uns 20 currículos para tal vaga. Não tenho o controle de quantos currículos são. Mas, depende muito do perfil do currículo para a vaga. E quem faz a seleção é a empresa.

“Não tenho o controle de quantos currículos são. Mas, depende muito do perfil do currículo para a vaga. E quem faz a seleção é a empresa”

IN: Então, você acaba fazendo uma conexão entre a empresa que oferta a vaga e a pessoa que envia o currículo?

JC: Em alguns casos também faço a entrevista. Por exemplo, o varejista do Calçadão não tem o RH [Recursos Humanos]. São apenas os donos, os vendedores e não tem alguém especializado para isso. Eu vou lá, levo o pessoal, faço a entrevista e junto com eles escolhemos uma pessoa para ocupar o cargo.

IN: E você tem algum requisito especifico de como escolher o currículo e mandar para aquela determinada vaga?

JC: Depende da contratante. Ela especifica o que ela quer e vou ter que buscar, ir atrás da pessoa com o perfil da vaga. Não é muito fácil escolher um currículo porque cada vaga tem mais de 200 pessoas e, então, vai pegar o mais qualificado e colocar.

IN: Você se lembra de algum erro, por exemplo, que dificulta com que a pessoa consiga o emprego?

JC: Muitas pessoas acham que colocar a experiência profissional no topo é mais fácil, mas para nós do RH não. Tem que ter o cabeçalho, especificando os dados pessoais da pessoa, a formação, os cursos e depois o profissional. Porque se estou buscando um profissional não vou olhar a formação dele. A última coisa que vou olhar é a experiência profissional. Vou olhar a formação, ver se ele busca algo para a vida dele, se tem um curso ou não. E depois olho a parte profissional. As pessoas devem colocar a formação profissional no topo e, por último, colocar as experiências acadêmicas.

IN: Que cuidados as pessoas precisam ter com o perfil das suas redes sociais?

JC: A legenda, o principal lá em cima é importante, a biografia [do Instagram]. Não colocar nada pornográfico, nem letras de músicas que referem à pornografia e nem drogas. Somente o básico mesmo na biografia e as fotos tem que ser moderadas. Não pode ser algo extravagante, muito decote, roupa curta. Se ter, por exemplo, pode até ser roupa de banho, mas nada muito decotado porque fica um pouco vulgar.

IN: E você acha que os perfis nas redes sociais influenciam para conseguir essa vaga?

JC: Com certeza. Por exemplo, vagas para lojas de shopping, sempre eles pedem o Instagram da pessoa. Eles olham, analisam porque tem um padrão. Uma loja de ótica tem o padrão das meninas que vendem óculos. Eles analisam o perfil da pessoa e a estética.

IN: Tem uma diferença entre ter um emprego e ter uma carreira. Você acredita que o público que acompanha o perfil prefere conseguir um emprego ou ter uma carreira?

JC: Está meio dividido. Não tem nada específico em relação a isso. Então é bem dividido porque tem uma galera acadêmica que está saindo da faculdade e essas pessoas estão procurando emprego e não querem mais ser vendedor ou esses empregos básicos. Mas também tem as pessoas já de idade que estão aceitando qualquer coisa. Assim, têm acadêmicos saindo da faculdade que querem uma vida, uma projeção, porém também tem as pessoas que não.

IN: Segundo dados do Cadastro Geral de Empregos e Desempregados (Caged), em Imperatriz foram contabilizados 17,188 mil novas admissões formais nos últimos doze meses. Você acredita que boa parte desse crescimento pode ter sido impulsionada pelos perfis que anunciam as vagas de empregos pelo Instagram?

JC: Pode ser que sim, mas eu não sei. Aqui em Imperatriz tem praticamente dois anos que existem esses perfis e não tinha antes. Tinha no Facebook, mas não era muito divulgado. Porém, eu creio que esse número aumentou porque é muito mais fácil abrir um MEI. E, se eu abro um MEI, tenho como contratar outra pessoa sem pagar muito imposto. Posso contratar duas pessoas sem pagar muito imposto, então o número de contratados aumentou.

IN: Quais os comportamentos que a pessoa precisa ter no momento da entrevista de emprego?

JC: Primeiro se conhecer. O principal é se conhecer para chegar em uma entrevista de emprego e não ficar nervoso. E decorar. Muitas pessoas falam que não é bom decorar, mas eu falo que sim. Se tu começou a carreira profissional aos 16 anos, decora o nome da empresa e o que fazia lá porque em algum momento a pessoa vai perguntar o que tu fazia na empresa, falar um pouco de ti. Pega um caderno, faz um resumo sobre você mesmo e decore e lá você só fala porque o nervosismo não deixa você falar nada na hora. Não deixa elaborar. Você decorando já fala tudo. Mas aí é bom sempre passar a informação sem transmitir que é decorado, falar naturalmente. Eu aconselho decorar, fazer um texto sobre você mesmo e falar.

IN: E você presta consultoria para auxiliar as pessoas a se portar na entrevista de emprego?

JC: Sim. Algumas vezes eu escrevo o texto para a pessoa. Sento com ela e converso, vejo os pontos positivos e os pontos negativos e a gente faz o texto, ela decora e vai para a entrevista.

IN: E quais são as vagas mais “fáceis” de conseguir?

JC: Consultor de vendas, que é apenas o ensino médio mesmo.

IN: E por que?

JC: Porque o vendedor nato não precisa de curso nem nada. Só vende, sabe falar e vende mesmo.