Texto Even Grazielly

Fotos Even Grazielly e Carlos Reinis

 

“O controle emocional é muito mais necessário no MasterChef do que técnica culinária. Para mim todo mundo que está participando ali sabe cozinhar e sabe cozinhar bem”

Poderia rotular o Aristeu Guimarães como:servidor público imperatrizense que atualmente está participando da quinta edição do MasterChef Brasil, umtalent showculinário realizado pela Rede Bandeirantes (BAND). É verdade, nosso personagem é isso, mas essa descrição não seria suficiente. Quase duas horas depois de conversar com ele, acredito que a melhor definição que posso usar para representá-lo é que se trata de um cara que correu atrás do que queria e que a simpatia e humildade esbanjada na televisão é a mesma pessoalmente. Confesso que estavanervosa antes do nosso encontro marcado numa cafeteria na noite de uma segunda-feira. Ele tinha conseguido me encaixar de última hora na sua agenda um pouco acirrada durante aquela semana, então ficava repetindo comigo: “não posso desperdiçar esse momento”. Porém, logo ao encontrar ele no local e ouvir um: “quais as curiosidades que você quer saber sobre o programa?” com um sorriso estampado no rosto, relaxei e iniciamos nosso bate-papo.

Com 33 anos e formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Aristeu, após assistir as temporadas anteriores do programa começou a replicar os pratos exibidos ali e buscou se aperfeiçoar naquilo. Ele começou a fazer cursos na internet e procurou também realizar um curso culinário no Senac em Imperatriz. Além disso, comprou vários livros, estudou e testou as receitas até que com naturalidade decidiu se inscrever no MasterChef. Em entrevista exclusiva ao Imperatriz Notícias, Aristeu conta um pouco mais sobre a sua participação no programa, seus planos e afirma que entrounadisputamais por diversãodo que pelo próprio prêmio em si.

 

Imperatriz Notícias: Como foi o processo para entrar no MasterChef?

Aristeu Guimarães:O processo começa com a inscrição. Eu fiz a minha no site do MasterChefassim como todo mundo, mandei um vídeo cozinhando e aí passou um mês e meio – quando já tinha desistido – eles me ligaram falando que tinha sido selecionado e que precisava ir em São Paulo passar por uma nova seleção. Eu fui e chegando lá precisava fazer um prato em 20 minutos. Depois de uns 15 dias aguardando em casa, eles me ligaram dizendo que tinha sido aprovado e que precisava voltar para lá para mais uma etapa. Voltei para São Paulo e na nova prova, teria que cozinhar em 40 minutos com uma proteína que era surpresa, igual a caixa misteriosa que aparece no programa, para uma chef (de cozinha) que não eram os jurados da TV (ÉrickJacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça). Ela me aprovou e eu passei por mais um processo que era a entrevista psicotécnica. Depois eles me pediram para aguardar em casa e nisso voltei para Imperatriz novamente. Chegando aqui eles me ligaram mais uma vez dizendo que passei,mas agora para a etapa televisionada. Foi esse todo processo.

 

I.N: Essa é a segunda vez que você se inscreve no programa, o que você acha que fez de diferente para ter sido aprovado nesse ano?

A.G:A diferença é que na primeira vez eu notei que eles gostam que a gente cozinhe olhando para eles. Porque a gente gosta de cozinhar na nossa casa olhando para a comida e no programa de TV não dá pra ser assim. Por isso me preparei nas coisas que tinha errado e tentei fazer melhor. Então, fiz um prato que me apresentava melhor, que mostrou também que eu tinha conhecimentos muito mais técnicos dessa vez. Tanto que nesse primeiro processo eu fui até a prova de cozinhar dentro dos 20 minutos.

 

“Eu acho que a cozinha é um lugar cruel, tanto pra homem ou mulher”

I.N: Você já tinha conhecido os jurados do programa antes da etapa de gravação?

AG:Eu só os conheci naquele dia do duelo culinário. Nós não temos nenhum contato com eles. Tanto é que na hora que ligam as câmeras, eles falam com a gente e quando desligam as câmeras, eles vão embora, para não perderem a imparcialidade com os participantes. Eles não estão ali para serem nossos amigos, eles são apenas nossos jurados.

 

I.N: Gastronomia sempre foi sua paixão?

A.G:Não. Gastronomia se tornou a minha paixão há uns 5 anos. Antes, era jogar videogame.

 

I.N: Depois do programa você pretende abrir o seu próprio restaurante?

A.G:Eu pretendo sim abrir alguma coisa aqui em Imperatriz, mas acredito que damos um passo de cada vez. Eu não quero passar por cima das etapas da minha vida como cozinheiro, pois ainda sou um cozinheiro amador. Eu preciso estudar mais! Ainda não sou um cozinheiro profissional só por estar participando do programa como o povo pensa. Sou cozinheiro de casa igual todo mundo. Porém, se eu abrir iria ser de comfortfood (comida caseira) que é uma comida boa que todo mundo gosta de comer. Acredito que essa é a melhor comida, pois ela é do nosso dia-a-dia e é feita com amor e carinho. Alta gastronomia não é pra mim!

 

IN: Falando em alta gastronomia, depois de ter afirmado durante um episódio no programa que em Imperatriz não se encontrava alta gastronomia eaté teve que se retratar no Instagram, você chegou a receber muitos comentários ofensivos por causa disso?

AG:Eu não vou chamar de comentários ofensivos, mas vou dividir em quem assiste o reality show em dois grupos de pessoas: aquelas que possuem conhecimentos gastronômicos e estão lá para aprender e as que gostam do programa como um todo, não entendem tanto de comida, mas gostam das brincadeiras, das tretas e da pressão. O pessoal mais leigo não entende que baixa gastronomia é comida gostosa. Eles interpretaram como comida ruim ou como comida malfeita, o que não é de fato a realidade. Até porque em Imperatriz se come muito bem e por um preço bem barato. Já tive a oportunidade de morar em São Paulo por algum tempo e lá é muito caro. Então, eu não chamo esses comentários deofensivos,mas chamo de pessoas que não entenderam a expressão e aí sim, digo que eles foram um pouco agressivos. Mas quando a gente está num reality show, a gente tem que está acostumado com isso.

 

I.N: Você está no programa pela premiação ou pelo título do “primeiro nordestino e maranhense a ganhar o MasterChef” como você declarou?

A.G:Eu não sei. Essa é uma boa pergunta! Eu acho que eu entrei no programa para me divertir, mas é claro que eu entrei pelo prêmio como também para representar bem o Maranhão e a comida nordestina. Eu espero ter feito as coisas do jeito certo. Pelo menos eu não estou falando mal de ninguém e ninguém me vê falando mal dos outros. Treta não é pra mim!

 

I.N: O que mais te atrapalhou durante as provas?

A.G:Com certeza foi o nervosismo! O controle emocional é muito mais necessário no MasterChef do que técnica culinária. Para mim todo mundo que está participando ali sabe cozinhar e sabe cozinhar bem, pois foram 30 mil inscritos e sobraram apenas 21 finalistas que se destacaram como os melhores. Mas o controle emocional não é testado anteriormente. Na cozinha todo mundo cozinha do jeito que quer. Então, quando você chega no programa e precisa cozinhar com ingredientes que você nunca viu, com sabores novos para você e com um tempo definido por eles, tudo isso atrapalha. Foi um desafio bem grande para mim!

 

I.N: Como você lida com a fama?

A.G:Eu não chamo isso de fama. Eu chamo isso de carinho. Eu acho que o pessoal tem um carinho porque me viu na televisão, acompanha a ‘labuta’ que é aquilo ali, toda a pressão que é estar ali e se identificam. Aí eles sempre querem transmitir um carinho. Por isso não considero fama até porque eu sou apenas um cozinheiro e não um ator ou algo do tipo.

 

I.N: Você concorda com a afirmação que diz os melhores chefs de cozinha são homens?

A.G:Não concordo. Eu acho que a cozinha é um lugar cruel, tanto pra homem ou mulher. E quando eu falo de cozinha, faloda profissional. Pois lá é um ambiente que não pode haver vaidade e algumas pessoas interpretam isso como um problema de mulher. Mas ambosprecisam buscar manter as unhas cortadas, o cabelo preso, não podem usar maquiagem, precisam estar sempre limpos e isso é um pouco pesado para qualquer pessoa. Mas acredito que as mulheres podem ser o que elas quiserem e um exemplo disso é a própria Paola. Não é à toa que ela está no lugar onde ela está. E se você olhar para o programa, a maioria das vencedoras do MasterChef Brasil são mulheres (ao todo foram 3).

 

Nota: Após conceder essa entrevista, Aristeu Guimarães foi eliminado do programa no 11º episódio.