Encaixando Memórias: Quebra-cabeças servem como terapia diária para Maria Amélia

Por Saiury Lima

”É uma paixão que carrego em meu coração”

Muitos veem os quebra-cabeças apenas como jogos distrativos e oportunos nos momentos de lazer. No entanto, para Maria Amélia, de 62 anos, essas pequenas peças representam uma forma de terapia cognitiva, ajudando-a a manter a memória centrada e superar desafios cotidianos.

Dona Amélia, como prefere ser chamada, destaca que sua paixão por essas peças começou ainda na juventude, ao sair das bancas de revistas e recortar fragmentos que, quando reunidos, formavam uma imagem completa.

“Sempre gostei de caminhar pelas ruas do centro. Há mais de 20 anos, comprei uma revista, como sempre fazia. Nas últimas páginas, encontrei o primeiro quebra-cabeça da minha vida. Cortei cuidadosamente cada peça, formando a imagem de uma fazenda em preto e branco”, relata.

Foto: Arquivo pessoal/ Maria Amélia já montou mais de 40 quebra-cabeças

Além da diversão, o que inicialmente parecia ser apenas um passatempo tornou-se uma parte fundamental de seu cotidiano. Amélia percebeu que ao se esforçar mentalmente para montar os quebra-cabeças, conseguia lembrar com mais clareza das atividades planejadas para a semana.

“É claro que isso pode ser algo pessoal, mas toda vez que me sento diante dessas peças e as monto, percebo que consigo lembrar melhor das coisas. Isso me ajuda a manter a calma e disciplina”, destaca.

Os desafios, que se iniciaram com quebra-cabeças de 200 peças, agora ultrapassam a marca de 3000. Além do aumento, o tempo necessário para completar essas intrincadas montagens também chama atenção. “Consigo montar os menores em trinta minutos a uma hora. Já os maiores, levo  um dia ou dois dias,  um tempo considerável para alguém com as mãos já enrugadas”, revela, sorrindo.

Foto: Arquivo pessoal/ “Eu amo encaixar cada peça em seu lugar”

Ao concluir a montagem, exibe suas obras em bonitos quadros espalhados por sua casa, mostrando a quem chega o quanto essas paisagens são especiais. Ela compartilha dicas para quem deseja começar a se aventurar nesses jogos. “Sempre comece com as peças que têm um dos lados retos, essas são a base do quebra-cabeça. Depois, é só encaixar e ter paciência.”

Foto: Arquivo pessoal/ Amélia exibe seus quebra-cabeças em quadros pela casa

Dona Amélia finaliza dizendo: “Eu amo encaixar cada peça em seu lugar. É uma paixão que carrego no coração e não abro mão. Espero continuar encontrando mais peças em minha vida. Ver esses quadros completos me trazem alegria”, encerra. 

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