Francielly no Wired Festival, no Rio de Janeiro (Foto: GQ/Roberto Filho)

Açaí é um fruto muito conhecido na região amazônica. A população utiliza-o como alimento mas o caroço, que constitui 84% de todo o fruto, é desperdiçado. Mas a aluna Francielly Rodrigues Barbosa, aluna de ensino médio da Escola Estadual Ernestina Pereira Maia, fez do caroço do açaí matéria prima para a produção de Tijolos.

Francielly, que tem 17 anos, mora em Moju, cidade que fica a 120 km da capital Belém, teve a ideia quando procurava um tema para apresentar na feira de ciências da escola. A partir de uma conversa com seus professores sobre questões sociais e ambientais da cidade, que se notou que existia um mau cheiro próximo às residências de dois professores que moravam no bairro da Pedreira,  a estudante, então, decidiu investigar a situação do bairro.

Através de conversas com os moradores do bairro, ela descobriu que o mau cheiro e a fragilidade das casas era algo recorrente na região e até em outras cidades próximas, isso porque as casas foram feitas acima das várzeas de um igarapé, que cortava a cidade e que foi aterrado com lixo. Francielly percebeu com questionários que era recorrente essa prática para construir essas fundações.

Ela explica como lhe surgiu a ideia da produção dos tijolos a base de Açaí, “Então, eu me perguntei: que material de baixo custo que não agrida o meio ambiente eu posso reutilizar para fazer as fundações de casa de forma mais segura? Quais aqueles materiais eram mais desperdiçados? E eu acabei descobrindo o caroço do açaí”.

O caroço do açaí, diferente de outras matérias primas,  possui uma substâncias que impedem o ataque de fungos, demorando a decomposição; outros produtos se decomponham rapidamente liberando metano o que propiciava o mau cheiro. A pesquisa de Francielly fez com que a jovem conquistasse 15 prêmios, um deles foi uma viagem aos Estados Unidos para conhecer a Universidade de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, além de conseguir permissão para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia de 2018.

Atualmente um grupo de alunos da universidade de São Paulo está fazendo teste com base na descoberta da paraense. Os estudos querem identificar outros elementos que juntos as propriedades do caroço do açaí possibilitem a utilização dele para construções, uma alternativa é a argila. Segundo Francielly, o projeto além de fazer a reciclagem do caroço do açaí, que iria pro lixo, ainda diminui a retirada da argila da natureza, sendo assim, uma forma eficiente e barata para fazer essas construções.

O Ministério da Educação divulga, uma edição do programa Trilhas da Educação, da Rádio MEC, toda voltada ao projeto da estudante paraense. Link para o programa Trilha da Educação: http://redenacionalderadio.com.br/programas/trilhas-da-educacao/07-06-2019-trilhas-da-educacao-reciclagem_do_caroco_do_acai-05m02s-finalizado.mp3/view