Nesta quarta-feira, 21, estudantes, professores e representantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) de Imperatriz, além de parte da população e integrantes da Câmara Municipal, participaram de uma audiência pública para tratar sobre o orçamento destinado pelo Ministério da Educação (MEC) para a UFMA Imperatriz – Campus Centro, no valor de R$ 2 milhões. A verba foi entregue em 2017, mas até agora nenhuma obra foi feita.

O valor foi adquirido através da iniciativa dos alunos que se reuniram, montaram comissão com professores, foram ao Ministério Público e juntaram esforços com o senador Roberto Rocha. O orçamento foi obtido para a reforma de 13 salas de madeira que vinham sofrendo com a ação do tempo e com cupins ao longo de mais de três décadas.

O representante do Corpo Estudantil (formado por alunos dos cursos de Direito, Contábeis e Pedagogia da UFMA), Francisco Sávio Costa, explicou que mesmo tendo conseguido recursos necessários para a reforma ou construção do novo prédio na UFMA Centro, a suposta reforma nunca aconteceu. “Essa era a meta principal prevista em estatuto, buscar melhorias para a instituição, no entanto, após dois anos, nunca tivemos uma explicação sobre o rumo que essa verba tomou. Esses R$ 2 milhões não podem ter sumido assim, sem explicação. Queremos e vamos conseguir respostas!”, exclamou.

Com a liberação do recurso, seria construído um novo prédio com 16 salas de aula de alvenaria com capacidade individual para 50 pessoas, para atender diretamente os cursos de Ciências Humanas-Sociologia, Ciências Contábeis, Direito e Pedagogia, que haviam sido prejudicados quando os blocos de madeira foram interditados.

O diretor do CCSST, professor Daniel Duarte Costa, compareceu à audiência e afirmou que o uso dos recursos financeiros da Universidade Federal do Maranhão compete à Pró-Reitoria de Gestão e Finanças, localizada na UFMA de São Luís, atual sede. “A UFMA de Imperatriz não tem autonomia para gerir recursos financeiros para a nossa Universidade, então é complicado saber onde estão esses 2 milhões, ou com o que foram usados, isso compete à Pró-reitoria, ou à própria reitoria.” O diretor acrescentou que, com a falta de autonomia, a UFMA em Imperatriz sofre por não conseguir gerir a universidade administrativamente da forma correta.

A coordenadora do curso de Pedagogia, Herli de Sousa Carvalho, comentou sobre a luta que a UFMA enfrenta no decorrer dos 40 anos de existência e falou sobre a possibilidade de, no futuro, existir a UFMA de Imperatriz, com autonomia de gestão.  “A educação em Imperatriz precisa deixar de ser centrada nessas condições de precariedade. Que ao menos o espaço físico possibilite que tenhamos um lugar digno e nosso, com total autonomia”, concluiu.

O professor Marcos Fábio Belo Matos representou o atual reitor, Natalino Salgado, e declarou que sobre a verba passada a nova gestão ainda não possui repostas. “Nós não temos como responder porque não estávamos na gestão, éramos inclusive oposição. O que podemos fazer é o que estamos fazendo agora, um pedido de auditoria das contas para saber como esse dinheiro foi gasto.” Ele finalizou dizendo que é possível sim resolver o problema e deixou um recado da nova gestão: “Nós vamos fazer o que tiver ao nosso alcance para resolver no menor tempo possível esse problema, vamos buscar recursos aonde for,” disse.

Após horas de debate, não foi possível obter uma resposta sobre o que realmente foi feito com os R$ 2 milhões entregues à Instituição. Cabe agora à nova gestão, resolver esse mistério e solucionar os problemas que afetaram diretamente os acadêmicos e corpo docente.