Texto e fotos: Ana Lectícia Bandeira e Luidianny Carvalho

A estudante de engenharia civil Bárbara Daher Maia, natural de Imperatriz, já tem um histórico de empreendedores na família e por influência sempre pensou em investir no seu próprio negócio. Com apenas 20 anos, iniciou sua primeira empresa no ramo de colchões e mesmo sem conseguir dar continuidade ao empreendimento, foi em 2016, aos 24 anos que enxergou nos momentos descontraídos de culinária com o amigo – agora sócio –  a chance de montar o negócio que mudaria o mercado gourmet da cidade: a hambúrgueria Legião Gourmet, empreendimento que há dois anos é sócia proprietária.

O conceito de Hambúrgueria Artesanal é o modelo que mais vem crescendo atualmente no seguimento de alimentação e bebida no Brasil. Só em 2017 o mercado expandiu mais de 30% e movimentou quase 650 milhões de acordo com a Associação Brasileira de Franchising. A Legião Gourmet foi uma das pioneiras em Imperatriz, servindo de modelo para novos negócios no mesmo ramo surgir. Hoje, a cidade conta com mais de 11 estabelecimentos nesse segmento.

Apreciadora desse mercado, Barbara Maia por incentivo dos amigos, realizava junto ao seu atual Sócio, Paulo Victor, eventos como o “Bearand Burger”, antes mesmo de inaugurar seu estabelecimento físico“A Legião começou antes, aqui mesmo na calçada do Legião do Malte. Meu sócio vendia Chop e eu fazia os hambúrgueres para servir junto. Era um festivalzinho bem informal mesmo. Tinha música ao vivo e à partir daí até de eventos culinários nós participamos” lembra Bárbara.

Com um crescimento de 30% ao ano e uma média de 300 clientes nas noites mais movimentadas. Após  8 meses da inauguração da Legião Gourmet,  Bárbara abria sua segunda filial. A jovem visionária hoje é sócia de mais duas empresas também no ramo de alimentos. O sucesso é tão grande, que o Imperatriz Notícias irá bater um papo com ela sobre empreendedorismo e entender como tudo começou.

Imperatriz Notícias: Você buscou algum curso ou viagens para criar a receita do hambúrguer?

Bárbara Daher Maia: Não, na verdade a gente criou tudo aqui. Tanto eu quanto Paulo Victor (sócio) olhávamos o mercado e pegávamos ideias. Cada viagem que eu fazia pra qualquer lugar eu já olhava diferente. Mas a gente nunca fez nenhum curso específico pra isso. Sempre foi muito assim, montamos as ideias baseadas em inspirações dos estabelecimentos que nós íamos para comer, como cliente mesmo.

IN: Quanto tempo você passou na cozinha da Legião Gourmet?

BDM: Um ano, nesse primeiro ano eu e Paulo não saíamos daqui de dentro. A gente estava sempre aqui trabalhando e fomos nós que passamos tudo pra nossos funcionários, nós que treinamos eles.

IN: Você já observava o mercado gourmet em crescimento ou foi mais uma ideia que surgiu naturalmente?

BDM: Na época a gente tinha muito essa visão de uma coisa diferente que não tinha aqui. Até então, tinha uma hambúrgueria que estava começando, fazendo hambúrguer artesanal e o resto era o X-tudo tradicional e nós buscamos uma ideia de algo diferenciado. E as primeiras ideias foram na maneira de servir o produto, o nosso vai na tábua, o hambúrguer é assado na brasa, o molho feito artesanalmente e tem uma luvinha de plástico. Então, todos os detalhes a gente estudava o máximo possível que poderia encaixar melhor em algo fora do comum. Mas o mercado do gourmet, que estava em alta, não deixou de ser uma influência.

A Legião Gourmet foi uma das pioneiras em Imperatriz, servindo de modelo para novos negócios no mesmo ramo surgir

IN: As ideias dos nomes dos hambúrgueres e do molho teve inspirações de fora também??

BDM: O Iniciação e o 1000lBurguer foram eu e Paulo que escolhemos. Eles têm nome de cervejas, nós estávamos sentados definindo os hambúrgueres e olhamos para a prateleira de cerveja e pensamos: esse vai chamar Iniciação por ser o menor. O 1000IBurger foi por conta da cerveja 1000 IBU, que é uma das mais vendidas e mais quista no mercado. Ele já é maior, vem bacon e é mais carregado, porém, mais atrativo. As ideias de nome desses dois foram essas, e eles foram os primeiros hambúrgueres criados também.A primeira receita do molho não tem nada a ver com o que é hoje. Na primeira e segunda vez não deu certo e na terceira tentativa é que conseguimos a receita que usamos agora. Sempre buscando referências, a geleia que vem no Cryspis é uma receita de família.

IN: E além de todos esses diferenciais que já fazem sucesso, você pensa em mais novidades que ainda não tenha chegado a Imperatriz?

BDM: Ah, pensamos sim! tanto é que agora nós vamos laçar um novo cardápio com novidades. Sempre buscamos a mudança porque o mercado pede isso, ele muda o tempo inteiro. A clientela de dois anos atrás ela é diferente de agora, o paladar muda, o paladar se adapta então é importante estar atento a essas coisas. Hoje, a gente consegue atingir pouco o público fitness e queremos trazer futuramente esse público para nós. Eu acredito que temos capacidade e produto para oferecer pra eles. Pessoa veganas, vegetarianas, sempre tem um mercado que você ainda precisa atrair, nunca para.

 IN: A Legião é muito conhecida pelo seu espaço diferente, descontraído. Nesses dois anos vocês tiveram algum feedback que fizeram mudar a forma de trabalho na empresa? Como vocês trabalham com esse retorno dos clientes?

BDM: Sim, sempre. Tipo, no quesito atendimento, nós estamos sempre mudando, tentando trazer treinamento, organizar, procurar produtos de qualidade. Se até maquina erra, porque não o ser humano, né? Sempre acontece de ter um erro, alguma coisa e a gente vai e busca conversar pra corrigir. Acho que o que faz a empresa, além dos proprietários e funcionários, é o feedback do cliente. Porque o pior é aquele cliente que fica insatisfeito, vai embora e não fala nada. Mas tem aquele cliente que fica insatisfeito e fala, você corrige e ele volta mais feliz ainda porque foi ouvido. Acredito que se existe uma tarefa, uma função do cliente, além de comer, é dar o feedback pra empresa do que está acontecendo. Hoje, nós temos um aplicativo que é nosso programa de fidelidade, o cliente após comer dá o número de telefone e então chega uma mensagem para ele fazer um cadastro, lá ele poderá dar o seu feedback e dizer como foi o atendimento, como estava a comida e etc. E nós acompanhamos isso o tempo inteiro. Fazemos reuniões mensais com os funcionários, passamos as reclamações e os elogios para eles. Então, eu acho o que faz a empresa é esse retorno. O cliente pode mudar uma empresa. Acho que isso poderia ser uma propaganda da vida: clientes, deem o feedback nos lugares onde vocês vão!

IN: Quais conselhos você daria pra quem quer abrir seu próprio negócio e iniciar no ramo de alimentos?

BDM: Procure inovar, busque coisas novas, fuja do que já tem, porque ser diferente é o X da questão. Às vezes as pessoas pensam “Ah vou abrir uma mesma coisa só que mais barato” e não é assim. Dê valor ao seu produto e saiba que se você for abrir algum negócio, você deve abrir para ser o melhor. E se já existe alguém que você não consegue superar, então abra um outro negócio que você vai conseguir ser bom e se destacar. Porque se não, você vai ser apenas mais um, mais uma hambúrgueria, mais uma pizzaria. E é difícil você conseguir manter um padrão, uma mão de obra qualificada na nossa região hoje.

 IN: Além de ter boas ideias e tentar mudar o que já está no mercado, você acredita que a escolha do sócio é importante para que tudo isso aconteça?

BDM: Muito, isso agrega demais. Hoje todos os negócios que eu tenho é em sociedade, porque é aquela coisa, um tá sempre puxando o outro, são cabeças diferentes, vivências diferentes. Às vezes um está ali estagnado numa ideia e o outro chega e puxa, e assim vai. Pra mim a sociedade é isso,  dá uma abertura na mente. Às vezes você ouve falar que parceria não presta, que sociedade é difícil. Eu acredito que não é, se você vir as maiores empresas do mundo ela não tem só um dono, porquê será, né? eu acredito que seja por conta disso.

IN: O que você acredita que tem na Legião Gourmet que nos outros lugares não tem?

BDM: Eu não sei o que não tem nos outros lugares. Mas o que tem na Legião Gourmet é uma busca incansável por melhorar, por ter produtos melhores, ter mais qualidade. Eu não sei assim qual o problema dos outros, mas o que a gente tenta fazer pra tentar ser bom é isso. Não é assim o melhor, talvez seja bom pra você, talvez não seja bom pra outra pessoa, é uma questão de opinião. Mas a gente tem de certeza é isso: buscar sempre melhorar, trazer coisas melhores, produtos bons e de qualidade.