Preço da carne sobe 40% em Imperatriz e consumidores lidam com dificuldade com o aumento

por | dez 12, 2019 | Economia, Economia | 0 Comentários

Com o recente aumento do preço da carne a situação da cidade de Imperatriz não está diferente do resto do país. Os imperatrizenses tem lidado com dificuldade com o atual preço da carne. Segundo o fornecedor de distribuição de carne, Daniel Nunes, houve um aumento de 40% no preço, e teve queda de 30% nas vendas. Complementa afirmando que antes a empresa matava em média de 210 vacas por mês, e agora mata 160 por mês.
O tensionamento do preço, se dá por diversos fatores no país. Entre eles a alta exportação, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) 1,828 milhão de toneladas em 2019 foram exportadas, o aumento de vendas da carne bovina para os Estados Unidos e China e o aumento do dólar
Para quem trabalha vendendo carne a situação está complicada. É o que afirma o dono de um açougue, José Santos, mais conhecido como Zeca. “Aumentou muito”. Declara que nunca viu antes um aumento parecido da carne. Tem lidando com dificuldade, porque não pode passar o aumento para o cliente, senão ele não compra. Ele está tirando do lucro para não perder nas vendas, no entanto os clientes estão diminuindo a compra de carne.
Zeca conta ainda que está comprando mais caro e menos do produto. Afirma que perdeu em 10% nessa primeira quinzena de dezembro nas vendas, porém ainda espera que melhore a situação.  O aumento afetou de tal forma que teve que demitir um funcionário. “Esse mês mesmo eu tirei um por conta do aumento. Tinha quatro e eu fiquei com três. Com o preço da carne a venda diminuiu, o lucro diminuiu.”, diz Zeca.

“A gente prefere ganhar do que perder os clientes. A gente ta assim levando”, confessa ela.

Charline Bermont

Segundo outro dono de açougue, Rodolfo Basso, também aumentou bastante. “A gente não está repassando o aumento integral, porque se for passar tudo a gente não vende. Aumentou 46% estamos repassando 30%.”. Nas vendas, diz que diminuiu o pedido de carne, além de que os clientes estão parando de comprar. Tem afetado o seu lucro porque a venda caiu e tem que retirar do ganho para não perder ainda mais clientes. “Antes matava três vacas e hoje mata só duas”, admite ele.
A dona de um restaurante em um shopping da cidade, Charline Bermont, também afirma que está sofrendo com o aumento da carne. Conta que tem tomando algumas alternativas para contornar a situação como comprar carne em outras cidades vizinhas. Revela que dificuldade se dá porque trabalha com carne nobre como file e picanha. E tem perdido o lucro porque não tem feito o repasse para o cliente, evitando para não alterar o preço do cardápio pata que continue o mesmo preço. “A gente prefere ganhar do que perder os clientes. A gente ta assim levando”, confessa ela.
Para o açougueiro de uma rede médio porte de supermercado, Clebisson da Costa, tem percebido que aumentou o preço da carne no estabelecimento em 50%. No entanto, apesar do aumento percebe que o consumidor passou a comprar mais pelo fato do espaço ainda ser um dos poucos que está fornecendo carne, mas apesar do aumento nas vendas o lucro não tem crescido porque não tem passado o repasse por completo para o cliente. “Você não consegue jogar a despesa todinha para o cliente e tem que limitar um pouco da margem de lucro”, conta ele.Contudo, Clebisson da Costa, prevê melhoras referentes ao atual preço da carne, devido a diminuição recente da exportação, afirma que que o preço irá cair, porém de forma lenta, caminhando de acordo com o mercado atual.
De acordo com coordenador de compras de açougue e peixaria de uma rede de grande porte de supermercados, Joaquim Borges, a empresa deixou de registrar o crescimento do cliente com o consumo da carne, porém houve um equilíbrio nas distribuições por conta do valor de venda. “Nós estamos acompanhando o movimento do mercado que tem sofrido com uma alta de preço histórica por conta de especulações em torno das exportações.”
No entanto, apesar da situação atual do mercado, Joaquim Borges também é positivo com o retorno dos preços. “Já existe uma movimentação do mercado favorável, mas ainda lenta. Assim como toda a rede de varejo do país, esperamos pela recuperação do setor e retorno dos preços a patamares mais acessíveis à população.”, diz ele.

O aumento também tem afetado o consumidor, o preço vem sendo sentido no prato, como afirma, a manicure, Cintia Silva, em sua casa moram oito pessoas, e todos tem sentido o aumento. Para evitar os gastos com o consumo a família tem substituído o alimento por peixe, frango e ovos, além de que tem comprado bem menos carne. Conta ainda, que não acredita que vá melhorar. “Ninguém nem fala em resolver”, reclama ela.

Na casa da operadora de caixa, Rosangela Soares, onde se alimenta de carne ela, o marido e dois cachorros, diz que está complicado, principalmente porque os animais dividiam o consumo com eles. A alternativa para a família está sendo que substituir o alimento por sardinha, ovos e verduras, no entanto ela percebe devido o aumento da carne e o consumo de outros produtos, os substitutos alternativos também tem aumentado. “A gente ta tentando diminuir porque não é fácil”, conta Rosangela.

 

“Não entendo porque o Brasil exporta mais barato. E repassa a nós bem mais caro, o que temos de inferior aos estrangeiros?” diz ela.

Laurijane Ribeiro

Para a esteticista, Laurijane Ribeiro está difícil lidar com o preço atual, tem procurado outras alternativas como trocar a carne bovina. Laurijane, tenta manter as esperanças quanto ao retorno do preço comum da carne, porém questiona o porquê da situação. “Não entendo porque o Brasil exporta mais barato. E repassa a nós bem mais caro, o que temos de inferior aos estrangeiros?” diz ela.

No entanto para a auxiliar de cadastro, Rosalva Sá, que em sua casa residem mais quatro pessoas, conta que não tem sofrido com o aumento da carne porque a família fez algumas mudanças no cardápio, estão optando por frango e ovos. E principalmente porque a família é pequena e substituindo o consumo da carne não tem afetado tanto o bolso.  “Aqui em casa são poucas pessoas para se alimentar de carne, uma família grande com certeza vai sentir porque a carne esta cara e muito”, afirma ela.