Avenida Tancredo Neves, no centro, em horário comercial. Foto: Marcela Lima

Economia da cidade aqueceu com a flexibilização dos decretos e a volta dos clientes

Marcela Lima

O comércio tradicional de Estreito, no Maranhão, cidade a 128 quilômetros de Imperatriz, foi um dos setores mais afetados economicamente no início da pandemia, mas já está aquecido com a abertura gradual. No início do isolamento, os comerciantes obedeciam aos decretos municipais relativos à Covid-19, limitando o horário e a quantidade de pessoas que podiam ser atendidas.

A flexibilidade de novos decretos, decorrente da diminuição dos casos, permitiu que as empresas abrissem em horários alternados. Desde outubro o município não tem decreto em vigor, seguem as regras estaduais e o comércio funciona no horário normal de atendimento.

Muitas pessoas ficaram desempregadas com a chegada da Covid-19. “Infelizmente tiramos vendedores que tinham acabado de entrar, não conseguimos mantê-los, mas hoje o nosso quadro de funcionários voltou a ser completo e todos os colaboradores estão com carteira assinada”, disse a gerente da loja Gemargues, Rosinalva Leite, 41 anos.

Empresas vivenciaram a crise de só poder atender uma pessoa por vez, se o espaço fosse pequeno. “Eu ficava chateado com isso, porque no início da pandemia a loja que eu trabalho era bem menor que hoje”, disse o vendedor da Irrigar Produtos Agropecuários, Thiago de Carvalho, de 25 anos.

Durante meses, as crianças de até 12 anos de idade eram proibidas de frequentar os comércios. “A mãe entrava para fazer as compras enquanto a criança ficava do lado de fora aguardando. Essas cenas me deixavam intrigado, mas não podia fazer nada”, conta Carvalho.

Em lojas de roupas é difícil manter o distanciamento, e com o fim do decreto municipal regulamentando as restrições, os clientes não querem fazer o uso do álcool em gel e nem mesmo da máscara. Segundo os entrevistados, os clientes são teimosos quanto aos meios de prevenção e reclamam quando se pede para que entrem na loja usando máscara. “Para evitar constrangimento ou até mesmo perda de vendas, nós deixamos os clientes à vontade para comprar”, comenta Rosinalva.

O abraço e aperto de mão costumeiros em alguns atendimentos foram interrompidos, mas nem por isso as vendas permaneceram baixas. As ferramentas digitais como Instagram e WhatsApp estão sendo frequentemente utilizadas em meio a esse novo cenário. O vendedor Thiago explica que em outubro as vendas aumentaram bastante, já que os clientes escolhem os produtos e compram por meio das redes sociais. Para que a venda seja eficiente a loja trabalha com o serviço de entrega em domicílio.

De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, foram confirmados 3.919 casos pela Covid-19 em Estreito até 16/12/2020. Nos meses de outubro e novembro os números de suspeitos e mortes diminuíram. Com este cenário, o comércio continua aberto. “Nós que vivemos do comércio tradicional acreditamos que as vendas de final de ano estarão lá em cima”, disse Rosinalva.

 

Matéria produzida para a disciplina de Redação Jornalística, semestre 2020.1, com a orientação da profa. Yara Medeiros.