Voz Literária · Quem vive conta

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E-sports criam novos espaços de socialização entre jovens

Jogadores encontram nos ambientes virtuais possibilidades para construir amizades e estabelecer relações

Isis Dias

Miqueias Razias

Os esportes eletrônicos, ou simplesmente e-sports, são campeonatos onde os jogadores podem competir de forma individual ou em grupo. Segundo dados da Pesquisa Game Brasil, em 2026, mais de 75% dos brasileiros têm o hábito de consumir jogos digitais. Criados nos anos 1970, os e-sports são reconhecidos como uma forma legítima de esporte e passaram a ser considerados não apenas competições, mas também espaços de interação e coletividade.

Na prática, essa construção de vínculos também aparece na experiência de quem participa de comunidades de jogos. Para o engenheiro eletricista Arilson de Jesus Souza, de 25 anos, os e-sports foram responsáveis por aproximá-lo de pessoas que moram em diferentes lugares, além de manter contato com amigos que se mudaram. A experiência ganhou força quando passou a integrar uma equipe universitária de League of Legends, em 2021. “Esses momentos assim foram estreitando nossos laços, nossa relação como um time”.

Atletas de e-sports em competição de e-sports, depois de ganhar a competição de e-sports, ganhando prêmios de e-sports,
Arilson (no meio) com sua equipe na competição Greve x Boleto, em 2023 (foto: acervo pessoal)

De acordo com a psicóloga Maria Eduarda Lima, os e-sports podem ser considerados como ambientes de socialização porque possibilitam a comunicação, a cooperação, a negociação de regras, a resolução de conflitos e a construção de relações. “Dentro da psicologia social, a gente compreende que o pertencimento e a identidade, eles são construídos a partir da participação de grupos e de comunidades, então esses ambientes acabam proporcionando isso”, afirma.

E-sports

Embora os jogos e ambientes virtuais possam funcionar como espaços de socialização, Maria Eduarda ressalta que os benefícios dessas interações também dependem da qualidade das relações estabelecidas nesses espaços. “Cuidados que a gente tem que ter é não presumir que todo jogo social ou que toda interação virtual é positiva. É necessário que a gente observe se há respeito, reciprocidade e segurança. Principalmente se forem menores de idade, os pais têm que estar atentos a isso”, alerta a psicóloga. 

Arilson acredita que qualquer pessoa que joga online já presenciou algum tipo de preconceito. Devido a isso, algumas amigas não ligam o microfone para não serem tratadas diferentes por serem mulheres. “As pessoas acham que, por ninguém saber quem tá do outro lado da tela, elas têm liberdade de falar o que quiser por causa do anonimato”.

Para o jogador, sentir-se necessário dentro da equipe também contribuiu para o sentimento de pertencimento. A participação nos treinos, a divisão de funções e a necessidade de conhecer os colegas para trabalhar em equipe fizeram os vínculos se fortalecerem. “Por mais que o jogo seja sobre habilidade, trabalho em equipe, uma parte muito importante também é conhecer uns aos outros”.