De Imperatriz á Nova York: Alunas conquistam credencial com pesquisa sobre a folha de vinagreira

Eduarda Anchieta

Maria Eduarda e Júlia na Universidade Estadual de NY-Oswego, 20/06/19. Arquivo pessoal.

Ser o primeiro a conquistar algo nos faz sentirmos emoções diferentes, nos faz acreditar em nosso potencial, acreditar que aquele patamar que alcançamos foi por esforço e mérito próprio. Para acadêmicos, que meses de suas vidas são dedicados a projetos e pesquisas, vivendo à base de calmante e café, para conseguir finalizar e entregar tudo a tempo, sentir esse “gostinho” impulsiona e incentiva, até quando o ânimo para continuar não existe mais. Todo o processo de uma pesquisa, desde a ideia do tema, até a apresentação e finalização deste ciclo, requer muita dedicação e esforço, não são etapas fáceis na vida de um estudante. Agora, imagina para aqueles que ainda estão na fase escolar, que ainda não possuem a maturidade que uma universidade proporciona, o quão difícil é para esses alunos conseguir se manter firme e consciente do objetivo que almejam. 

Para Júlia Ramalho e Maria Eduarda Milhomem, que na época eram estudantes do 2° ano do ensino médio, toda a experiência da pesquisa, que as levaram a premiações nacionais e internacionais, foi a oportunidade de suas vidas, algo nunca sentido nem vivido antes. O projeto que lhes rendeu essas atribuições foi o desenvolvimento de uma farinha, feita de uma planta popular maranhense, a vinagreira, que auxiliava no enriquecimento férrico da receita de pão de forma. A farinha era feita a partir das folhas desidratadas do cuxá (vinagreira), sendo adicionadas à farinha comum e como resultado obtiveram um pão rico em ferro que poderia ser usado na dietoterapia, uma ciência que se dedica a indicação de dietas específicas de modo individualizado levando em consideração a enfermidade, ou como um apoio à anemia ferropriva, deficiência de ferro no organismo.

Essa pesquisa foi apresentada na MOCEEST 2018, a mostra de projetos metodológicos da Escola Santa Teresinha, em Imperatriz – MA. Nela, as estudantes ganharam sua primeira credencial, que as levaram a  MOSTRATEC, no Rio Grande do Sul, onde foram premiadas novamente, mas dessa vez, com duas credenciais, uma com destino a FENECIT, em Pernambuco, e outra para a GENIUS Olympiad, em Nova York. Sendo assim, mais um desafio foi aplicado à elas, a oportunidade de apresentar o seu projeto, porém, inteiramente na língua inglesa, em um evento internacional. As alunas, que já tinham certa familiaridade com o inglês, ainda treinaram bastante para apresentar tudo com perfeição, e para que isso acontecesse, elas contrataram um professor para auxiliar em algumas nomenclaturas desconhecidas e na parte da apresentação.

“Foi uma experiência que nunca se igualou a nada que eu já tivesse vivido. Ganhar um prêmio desses, uma experiência desse tamanho, por algo que era 100% nosso, que colocamos literalmente a mão na massa pra fazer, por puro mérito, foi incrível” – Maria Eduarda Milhomem.

“Senti que estava vivendo um filme. Tudo parecia muito surreal, o que eu tinha vivido com o projeto, em feiras e em laboratório valeu a pena ali.” – Júlia Ramalho.

Essa foi a primeira vez das duas estudantes do ensino médio, apresentando uma pesquisa autoral dessa magnitude e relevância em uma olimpíada em Nova York. Atualmente, em 2023, Júlia e Maria Eduarda estão cursando Ciências Farmacêuticas e Direito, respectivamente. Ramalho ainda pretende continuar com pesquisas nesse segmento, já Milhomem relata que pretende sim realizar mais projetos, porém, agora voltados para a sua área de atuação. As duas expressaram seu desejo de manter o patamar internacional.

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