Para o jornalista e escritor, o telejornalismo foi fundamental para a criação de seu livro Raul que me contaram

Texto: Andréia Liarte

Fotos: Divulgação

Jornalista Tiago Bittencourt fico impressionado com a repercussão do livro

O jornalista e escritor baiano, Tiago Ferreira Bittencourt, 34 anos, autor do livro O Raul que me contaram: A história do maluco beleza revisitada por um programa de TV, afirma que sempre  foi fã do cantor e compositor conterrâneo.  “Raul eu escuto desde a adolescência, é um cara que é uma referência pra mim em termo de ideias”. Ele relembra que tudo começou por meio de um documentário que a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) produziu para o programa Caminhos da Reportagem, em 2015, por ocasião da lembrança dos 70 anos de nascimento do ídolo.

”Depois que o programa foi ao ar, eu pensei assim: olha, tem muita entrevista que ainda não foi pro ar, que a gente não colocou, que não deu tempo, não teve espaço. Tem tanta coisa aqui, eu acho que não deveria jogar esse material fora”, contou o escritor. Foi quando Tiago, pela primeira vez, experimentou a sensação de transformar alguma ideia em livro. “Meu primeiro e único livro até agora”.

Natural de Salvador (BA) e formado em jornalismo pela Faculdade Social da Bahia, Tiago Bittencourt  teve passagens por alguns meios de comunicação e atualmente trabalha na EBC.

Para Bittencourt, o livro não é uma biografia, pois uma obra deste porte teria um trabalho muito mais aprofundado, dispendioso e que demandaria mais tempo de pesquisa e escrita. O próprio documentário levou três meses para ser produzido. “Eu tinha uma limitação de tempo de produção, de verba. Então esses entrevistados ajudaram realmente a construir o programa”.

No entanto, o processo de organizar as entrevistas em forma de um livro não representou tantas dificuldades para o jornalista. ”Com o livro foi muito mais tranquilo, e, obviamente, eu queria buscar o primor na escrita, nas informações. Mas não houve um medo de erro. A coisa foi muito, muito natural”.

Repercussão

Tiago Bittencourt não imaginava que seu livro iria atingir todos os públicos. ”Eu lembro que em Curitiba, uma senhora, uma senhorinha mesmo, chorou na minha frente contando histórias de Raul, sobre a vida dela, enfim. No nosso bate-papo ela meio que me abraçou”, lembra-se o jornalista. Graças à obra, ele diz se encontrar constantemente com estudantes de jornalismo, além de ter feito palestras em colégios públicos e privados. “O estudante de jornalismo é um público também alvo desse livro, porque eu conto os bastidores do fazer jornalístico”.

Para o jornalista, ler livros é importante para quem quer iniciar no mundo do livro-reportagem.  “’Você não escreve um livro sem antes não ter lido livros. Obrigatoriamente você deve criar um repertório na sua vida. A sua escrita é aprimorada conforme a sua leitura. As informações que você leva da sua vida são baseadas na leitura, o livro faz parte disso. Qualquer tipo de livro”.

  • Este perfil jornalístico é derivado das entrevistas feitas originalmente para a pesquisa Jornalistas Escritores de Livros-reportagem no Nordeste, desenvolvida entre 2018 e 2020 pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo de Fôlego, vinculado ao curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz. A entrevista original foi feita pela estudante e pesquisadora Viviane Reis.