Texto e fotos de Nataly Alencar Trovão

Com mais de 3 mil curtidas em sua página no Facebook e fãs em várias regiões do Brasil, Leoti, como é mais conhecido Victor Hugo Campos Leoti, vive o sonho de ser cantor em nossa cidade. Com 21 anos, começou a carreira artística em 2015, mas já desde os 16 anos era apaixonado por música e foi com muita coragem que publicou sua primeiro demo. A partir daí formou dupla, sonhou, compôs, mudou muito o cabelo, e principalmente, nunca mais parou.

Atualmente segue carreia solo, mas desde a sua formação em dupla com a ex-colega de trabalho Ananda, Leoti já pronunciava um futuro na música popular brasileira. Seus trabalhos, desde aqueles feitos em dupla até sua mais recente criação, o clipe Mar, que fará parte do seu EP com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2016, conseguiram visibilidade em páginas como a Vozes do Brasil, que no Facebook conta com mais de dois milhões de curtidas, além de diversos comentários positivos sobre seu trabalho, vindos de todo o Brasil.

Ele conta com a ajuda de amigos de fora do Estado para compor suas canções e também já fez covers que vão desde Jorge e Matheus até Tiê. Mas o estilo que escolheu pra seguir carreira foi o MPB (Música Popular Brasileira) com uma pontinha de Pop. O clipe de seu primeiro trabalho solo já atingiu 4 mil visualizações no YouTube, e você pode conferir a música e o clipe aqui: https://youtu.be/XpYj2-ir9SM

Além do apoio de vários amigos, e inclusive alguns artistas da cidade para suas composições, Leoti conta também com o incentivo de seu noivo, Ramon, que o acompanha na caminhada. Já toca piano e teclado e está aprendendo também o violão, seus novos projetos já estão em mente e já até escolheu a próxima música de trabalho. Na nossa entrevista ele fala sobre preconceitos, nossa cidade, desafios, cabelo, amor à música e o futuro. Confira!

"Eu canto MPB e Pop porque eu gosto. Me sinto bem cantando, me sinto verdadeiramente eu."

“Eu canto MPB e Pop porque eu gosto. Me sinto bem cantando, me sinto verdadeiramente eu.”

Imperatriz Notícias: Qual a sua opinião sobre o pouco incentivo à música independente na cidade?

Victor Leoti: O pouco incentivo não vem só da cidade, é no Brasil inteiro. Vejo muita gente falando que o Brasil é um país pobre de cultura ou que não tem muitos artistas, mas na verdade temos muitos artistas sim. O que acontece é que grandes portais de notícia que se dizem influenciar, e ter um poder de revelar os artistas não fazem por questões capitalistas. Preferem divulgar artistas internacionais gratuitamente. Então quando alguém no país que pode ter um grande potencial os procura, é cobrado um alto valor, e para o artista independente isso é caro. Então é isso, uma coisa não só da cidade, mas do Brasil inteiro.

IN: Você sofreu algum tipo de preconceito ou desafio ao iniciar no ramo da música?

Leoti: Eu não sei se preconceito, mas alguns desafios sim. Soube de histórias de alguns artistas que me difamaram para outras pessoas, falaram mal e disseram que não aceito muito bem críticas. Mas existe uma diferença entre uma crítica construtiva e uma difamação. Não sei a veracidade de todas essas informações, mas tento não me abalar, na verdade, no começo eu me abalava muito, ficava muito mal, pensava: “Poxa, eu não fiz nada para a pessoa.” Mas hoje quando vejo alguém difamando, na verdade fico feliz, porque me dizem: “Leoti, se estão te difamando, é porque está incomodando, é porque você está no caminho certo e talvez essa pessoa queria estar no mesmo caminho.” Ainda tenho vários desafios, descobri que algumas dessas informações eram falsas, outras eram verdade, outras eu nem esperava ouvir, porque vieram de pessoas que já foram próximas, mas a gente vai levando, a gente releva e vive um dia de cada vez.

IN: Para quando é seu próximo projeto musical e onde podemos acompanhar seus trabalhos?

Leoti: Estou gravando músicas ainda. Estou sempre escrevendo e gravando. Tenho algumas músicas parcialmente gravadas e vou voltar para o estúdio e gravar outras. Já escolhi minha próxima música de trabalho e estou planejando o lançamento, clipe e tudo mais. Ela é um pouco diferente de “Mar”, um outro lado meu. No momento só estou focado em gravar e lançar, não estou planejando nenhum show por enquanto. Talvez faça algum show aberto para o lançamento do EP, mas por enquanto estou focado em gravar e escrever. Todos podem acompanhar meus trabalhos pelas redes sociais, basta procurar por “Leotioficial”. Estou no Instagram, Facebook e YouTube. Me seguindo dá para ficar atualizado em tudo.

"Então quando fui começar minha carreira solo, estava numa baixa emocional, e falei: “Vida nova, cabelo novo!”

“Então quando fui começar minha carreira solo, estava numa baixa emocional, e falei: “Vida nova, cabelo novo!”

IN: Como você interpreta que artistas que cantem outros estilos musicais na cidade, como por exemplo, o forró, que é muito comum, não consigam seguir carreira, e você com um único single já conseguiu toda essa visibilidade nacional?

Leoti: Ah… polêmica. Eu acho que às vezes é a falta de garra. Vejo pessoas que tem muito talento, até me arrepio ao lembrar de algumas, mas não tem o verdadeiro sonho de viver da música. Não se empenham, querem ficar na zona de conforto. Tenho um pensamento comigo: “Se você não está arriscado a correr perigo, esteja arriscado a viver uma vida comum.” Vejo pessoas com talento na cidade, mas que têm preguiça ou não querem investir na carreira, não querem investir em divulgação, por exemplo. Alguns querem ser conhecidos pela imagem e não pela música. Eu mando e-mail para site, para gravadora, não tenho vergonha disso, converso e tiro fotos com meus fãs e se não fosse tudo isso eu não estaria aqui. Eu tenho que lutar e batalhar.

IN: Muita gente pediu para perguntar particularmente sobre o seu cabelo. Ele é uma marca para a música, que lhe marca para o público, ou é algo da sua personalidade?

Leoti: Eu sou meio louco, sou de impulso, já tive cabelo cacheado gigante, de anjo, liso com franja, liso espetado, muito loiro, castanho bem loiro, vermelho, raspado, já fiz muita coisa, e ele platinado era algo que eu tinha vontade há muito tempo, desde o ano passado. Então quando fui começar minha carreira solo, estava numa baixa emocional, e falei: “Vida nova, cabelo novo!” Então platinei, só que usava um penteado normal, com franja. Quando fui lançar “Mar”, resolvi radicalizar e raspar do lado. Nunca está a cor que eu quero, mas eu gosto. As pessoas já me conheceram muito por isso, e na página me perguntaram como faço. É no meu cabeleireiro, sem segredo, só peço psra ele platinar e retocar mais ou menos a cada dois meses. Era uma coisa que eu queria, mas não vai ser para sempre, já estou pensando na próxima cor, essa é bem difícil manter, mas já planejo a próxima, talvez um azul bebê.

 

IN: Você é um artista em ascensão, fazendo sucesso com MPB numa cidade que basicamente escuta forró e sertanejo universitário. Qual é a sensação que isso lhe causa?

Leoti: Desde minha dupla sinto algo como uma pressão a esse respeito. Já me perguntaram se não seria mais fácil seguir o caminho do forró na cidade. Eu respondi que seria mais fácil sim, só que tão fácil que a concorrência é enorme. Todo dia surge um artista novo no sertanejo e no forró. Se eu fizesse isso, seria pelo dinheiro e pela ganância, mas não é o meu ponto, estou fazendo isso pelo amor à música. Eu canto MPB e Pop porque eu gosto. Me sinto bem cantando, me sinto verdadeiramente eu. Claro que tenho outros planos, de fazer um pop meio eletrônico, um folk, algo com rock, mas são coisas que vou fazer com o tempo, quando eu me sentir mais confiante. É estranho aqui na cidade porque as pessoas não curtem muito o estilo de música. Às vezes reconhecem que é bom, que está bem feito, mas não ouvem por não ser o estilo deles. Mas os fãs do Centro-oeste e Sudeste me divulgam, mandam até mensagem: “Meu Deus, faz show aqui logo.”

IN: Como foi a aceitação por parte da comunidade artística da cidade para você entrar num ramo que eles já competiam?

Leoti: Não sei bem, porque eu não tenho muitos amigos artistas, fora o Bernardo Edberg e o João Vitor Neres. Basicamente tenho colegas, e converso com pouquíssimo. Nem discuto, não pergunto, simplesmente me ponho no meu lugar. Então não sei, entre os fãs que eu já tinha e os que criei com “Mar”, foi uma aceitação que nunca esperei, porque escolhi ela como primeira música porque era uma música fácil, a letra é muito grudenta, mas na minha opinião não era a melhor que eu tinha. Quando vi as pessoas aceitando de uma forma extremamente positiva me surpreendi demais. Não esperava de forma alguma. Então dos meus fãs eu sei que a aceitação foi boa. Mas da classe artística daqui da cidade eu realmente não sei, não tenho muita informação.

IN: Como você conseguiu essa visibilidade das páginas no Facebook?

Leoti: Como eu falei, sou bem persistente, realmente luto pelo que quero. Ainda tenho alguma dificuldade pra acreditar no meu talento, mas hoje estou bem mais confiante do que meses atrás. Quando algumas páginas confiam no seu talento, veem que você tem potencial, te ajudam. Eu nem faço o estilo dos donos de algumas das páginas, mas eles viram potencial em mim, viram que seria bom para mim, e valeria a pena me divulgar, então abriram as portas. Viram a produção, que tem muito amor envolvido, então você cria laços com essas pessoas, elas veem que você está realmente ali pra ganhar, para ser alguém, para contar suas histórias e cativar pessoas. O mundo está precisando de amor e quando eles veem alguém disposto a dar amor, se encantam e abrem as portas para você.

IN: Qual a sua relação com a comunidade LGBT e a música?

Leoti: Eu sou ativista LGBT, então querendo ou não estou sempre envolvido com algo desse universo. No meu primeiro clipe queria ter uma representatividade LGBT maior, infelizmente eu não consegui, mas eu pretendo acrescentar o que faltou no meu segundo clipe que vai ser até um pouco polêmico se tudo sair como a gente quer. Acho importante eu usar o pouco de voz que eu tenho na sociedade pra tocar nesse assunto, porque eu como um LGBT, já sofri preconceito. Não estou aqui para agradar quem é preconceituoso, mas quem tem amor pra distribuir. Enquanto eu puder estar falando pela comunidade LGBT, pelo menos um pouco, vou falar, é a parte da sociedade que eu pertenço e que vou proteger.