Há 40 anos vendendo jornais e revistas, Francisco Filho, dono de uma banca na Praça de Fátima, diz que sai de tudo um pouco e, assim, ele vai complementando a renda

Francisco Filho é vendedor de revistas há 40 anos. Foto: Gislei Moura.

Há 40 anos na Banca da Praça de Fátima, o vendedor de revistas Francisco Melo Filho, de 53 anos, relata que a procura por jornais e revistas impressos diminuiu bastante no decorrer do tempo. Entretanto, o dono de uma dentre as quase seis bancas de revistas do centro de Imperatriz, afirma que, mesmo com a queda, ainda possui compradores fieis. A presença desses pontos de venda mesmo com a crise editorial, que resultou numa diminuição em 4,5% do setor em 2018, como afirma a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, mostra que há um público cativo, que não se rendeu totalmente ao jornalismo digital.

Colecionadores procuram bancas de revista para garimpar edições raras. Foto: Gislei Moura

“Tudo vai sempre mudando, se adaptando e, no caso, o papel mudou muito com o advento da internet. Mas a gente vai se adaptando também, a questão é não ficar parado”, relata Melo. Sua trajetória na banca começou na juventude e desde os 17 anos ele está diariamente presente na Praça de Fátima, vendendo revistas, livros, HQ’s, entre outros. Seu público é bastante diverso e os materiais que saem, também. “Tem os colecionadores, as pessoas que gostam do livro no papel mesmo, e muita gente reclama que [o eletrônico] faz mal para a vista”. Além disso, existem as vendas sazonais, como apostilas para concursos.

O bacharel em direito, Mateus, de 24 anos, é um colecionador nato de revistas em quadrinhos de super-heróis. Ele conta que sempre gosta de procurá-las e que Imperatriz tem boas opções nas bancas, mas é preciso garimpar bem. No entanto, muitas das revistas ele adquire pela internet, em formato digital, por não se encontrarem disponíveis em bancas de revistas. O estudante afirma também que prefere o impresso, tanto pela sensação de leitura com a revista física, quanto por acreditar que seja menos perigoso para a visão.

Ainda com seus clientes fixos, Melo conta que precisou ampliar os produtos oferecidos para se manter atraente no mercado. Além de impressos, ele também vende outros produtos, como recarga de celular, doces, chicletes e balinhas. Para ele, o importante é que alguém sempre vai precisar comprar uma revista ou jornal em algum momento. “As crianças, para aprender a ler, a professora precisa de revista, de um cordel, que é literatura nordestina. E por aí vai, tem as revistas de moda”, relata ele.

 

 

Revistas infantis e literatura de Cordel são a procura de profissionais da educação em bancas de revista. Foto: Gislei Moura