Autores: Mariana Albuquerque de Oliveira

Naum Santos Gomes

Pauta: Regivany Neves

Muitas pessoas que acompanham quem é encaminhado a Imperatriz às pressas ou que vem até a cidade em busca de tratamento médico que em geral é demorado, se deparam com o dilema de não ter onde se alojar, já que os hospitais não se responsabilizam por quem tem o intuito de auxiliar.

Como a cidade é a segunda maior do Estado e disponibiliza um atendimento de saúde mais qualificado que as demais, cidadãos de outras localidades se deslocam ao município em busca de tratamento. Dependendo da intervenção, há a necessidade de maior atenção e tempo, consequentemente, a estada para o acompanhante se complica.

De acordo com o portal da Câmara dos deputados, em 2017 o projeto de Lei (PL 4996/16) que dá direito a acompanhante para todos os usuários de serviço de saúde pública ou privada pelo tempo da internação, foi aprovado. O objetivo era manter a inserção social do paciente, o que realmente é necessário.

Segundo informações disponibilizadas pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura, cada paciente tem direito a um acompanhante. O acompanhante tem direito a hospedagem e três refeições diárias. Porém, se difere quando a pessoa está em tratamento, que foge da responsabilidade do município.

O problema em questão se dá pela não existência de políticas públicas que amparem pessoas nessas condições. “As prefeituras deveriam se ajudar. Nenhuma Secretaria da minha cidade se manifesta a respeito disso, só manda a gente para cá e pronto. Eles acham que aqui a gente tem que ter tudo, mas eles têm que tomar de conta também, afinal somos de lá”, manifesta a dona de casa Maria das Dores, que vem de Balsas e está em tratamento na cidade.

Drama

Por não ter estada na cidade, os acompanhantes acabam passando horários além dos de visita em calçadas e bancos dos hospitais. Os que dispõem de uma condição financeiramente melhor recorrem aos hotéis, mas não duram por muito tempo por causa das despesas com diárias que em média custam R$ 99,90.

Lenlia Pereira ao lado de sua filha Berenice, que faz tratamento na cidade

Fatores como falta de conhecimento sobre a cidade ou pouca verba contribuem para que cidadãos vivam verdadeiros dramas.“Quando me deram alta, não sabia para onde ir, até então eu não conhecia nada na cidade, nunca tinha visitado. A enfermeira me perguntou se eu tinha para onde ir e falou “eu tenho duas opções de casa de apoio” e eu pedi para ela “qual você me indica?” Porque nessas alturas tanto faz, eu não conheço nada e não sei nem para onde ir”, contou a operadora de caixa Claudecina Andrade, moradora de Canaã Carajás no Pará, relatando sua experiência no pós-parto.

É por casos como esse que surgiu em 2016 na cidade de Imperatriz a entidade filantrópica Shekinah Resgate, que oferece abrigo para os acompanhantes de pacientes do Hospital Municipal, mais conhecido como “Socorrão”. O local é hoje o único na cidade que abriga paciente e acompanhante.

“Eu não tinha para onde ir e o médico me deixou passar a noite lá, ele permitiu que eu ficasse. Se você não tiver conhecido, não tiver dinheiro para pagar pensão, não tiver parente, te sobram as cadeiras. Aí como ele se compadeceu… Deus tocou no coração’’, diz a doméstica Lenilia Pereira, residente de Balsas que acompanha sua filha que está em tratamento.

A casa ShekinahResgate 

A casa foi fundada em 2016 e é de responsabilidade de Aparecida Albuquerque, Claudevan Macedo e Francisco Lopes. Apesar do vínculo dos coordenadores à igreja, a casa não é religiosa e não distingue seus hóspedes pelo credo.

Casa que recebe acompanhantes de doentes tem capacidade para 50 pessoas

Mantida por doações e ajuda voluntária para manter a organização do local, a casa conta comuma ampla área de estar, cozinha e seis quartos espaçosos, com capacidade de abrigar até 50 pessoas, mas devido as dificuldades, efetua apenas 25 atendimentos diários. “Eu fiquei a noite no hospital e pela manhã falei com a assistente social, na sexta, e ela me indicou aqui e vim para cá. Cheguei e fui bem recebida, até hoje sou bem recebida”, relatou Lenilia.

E para que oportunize mais abrigos, é necessário a continuidade de contribuições ao projeto, já que a busca por assistência tem tomado a cada dia proporções maiores. “Toda ajuda é bem vinda, estamos abertos a doações de cestas básicas, produtos de higiene pessoal, materiais de limpeza, lençóis, colchas, roupas e louças em geral (panelas, pratos, talheres), e colchões para algumas beliches que temos”, acrescentou a dirigente Aparecida.

Para doações e mais informações a casa disponibiliza um telefone : (99) 98127-9677. O espaço fica na  ua Gonçalves Dias, número 101, esquina com Rua Pará, Centro.