Pauta de: Amanda Reis

Reportagem: Rayssa de Sousa da Silva e Wanderson Rodrigues de Souza

Imagens: Marcelo Mattos

 

48% das mulheres vítimas de violência doméstica em Imperatriz são evangélicas. O dado pertence ao levantamento que busca o perfil da mulher submetida `a violência doméstica na cidade, do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram), e mostra que as mulheres dessa crença são as que mais sofrem algum tipo de agressão do parceiro. Conforme a pesquisa, ficam à frente das católicas, com 35% dos casos registrados; e das mulheres que se autodeclaram sem religião, com 13%.

A coordenadora da instituição, Sueli Brito Barbosa, diz ser importante saber o perfil das agredidas em Imperatriz a fim de ter-se uma ideia do seu nível de escolaridade, cor/raça, idade e renda para tentar explicar o porquê das agressões e pensar ações para inibi-las. Do perfil levantando pela entidade, em Imperatriz a mulher agredida tem pouca escolaridade, só 36% delas conseguiu completar o ensino médio. 15% são negras – a maioria é parda; e 15% tem três filhos. Em geral as mulheres de 60 a 80 anos são vítimas de violência física cometidas não pelo parceiro amoroso, mas por filhos ou netos usuários de drogas.

Coordenadora do Cram, Sueli levanta o perfil das agredidas

Conforme explica a coordenadora, o alto índice de evangélicas se dá porque muitas delas insistem em relacionamento abusivos porque atendem a uma doutrina que acredita que a injustiça ocorre por falta de oração ou que é o “inimigo”. Como detalha Sueli, há todo um reforço de dogmas que faz a mulher aceitar a voltar para casa e insistir na relação. Outro ponto interessante deste dado é que, como afirma a coordenadora Sueli, que não é por conta da religião que os homens agridem, porque muitas dessas mulheres não são casadas com homens evangélicos, “mas que de certa forma a religião as aprisiona”, explica.

Conforme os dados da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), foram registrados 696 casos de violência contra a mulher em Imperatriz desde o primeiro dia 1 de janeiro até o dia 25 de outubro. Isso significa pelo menos quase 70 casos por mês.

Segundo a delegada Silviane Lenira Cavalcante, os episódios mais frequentes são ameaças, danos patrimoniais e injúria. Geralmente, seis ocorrências são registradas a cada 24 horas, sendo a segunda-feira o dia com o maior número de registros. Além disso, as agressões costumam partir do mesmo denunciado. “Há vários casos que a gente tem três, quatro inquéritos contra o mesmo agressor e a mesma vítima. Às vezes com outra vítima diferente: ele termina o relacionamento com uma e começa com outra e comete novamente”, complementa a delegada Silviane.

Quando a denúncia é feita na delegacia, as mulheres são encaminhadas para o Cram que tem como o objetivo criar ações especializadas de prevenção e enfretamento à violência.

Pastor não ajuda a impedir violência 

Pastor Elvis lembra que casamento é indissolúvel e sugere orações

Ainda que o agressor não seja, necessariamente da mesma religião da vítima, como pondera a supervisora, os dogmas da igreja não ajudam a impedir os casos. Conforme o para o pastor Elvis Ferreira da Congregação Ministério Renascer em Fé, “é preciso ter fé”. Conforme ele comenta, a mulher chega a igreja com a crença de que o seu esposo vai ser transformado tendo assim “a igreja como um refúgio, um lugar de esperança”, afirma. Ainda, segundo ele, o mais importante é não quebrar o pacto e manter o casamento, uma vez que é uma instituição criada por Deus. “O Senhor nunca quer um casamento destruído, seja ele cristão ou não, pois ele instituiu o homem e a mulher justamente para isso, para ter um casamento abençoado”, justifica.

E sugere o termo “maldições hereditárias” para justificar toda a reprodução violenta que possa ter e que “a mulher sábia edifica a sua casa” afirmando que cabe a ela ter habilidades para saber identificar a raiz do problema e “não se separar no primeiro problema que enfrentar”, porque só assim vai ter êxito para resolver o conflito.

Lei para todos

Em contrapartida, o advogado Isaque Vitor Teixeira Ribeiro, que atua na defesa de vítimas de violência, aconselha as agredidas a procurar a Justiça a partir da primeira investida do companheiro, independentemente se é evangélica ou não. “Se bateu, se agrediu, já não há mais o que ser feito”, acredita. Nesses casos, sugere procurar a Delegacia e pedir as medidas preventivas.

De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existiam em 2010,247.505 habitantes em Imperatriz, sendo 78.992 evangélicos, que é equivalente a 35% da população.

Para mais informações você pode ligar:

180 – Central de Atendimento à Mulher

190 ou 193 Para situações de emergência que necessite de apoio da polícia

Ouvidoria da Mulher – 0800 0984241

(98) 3235-3415

(98) 98427-1002

(98) 98427-3681

Secretaria de Estado e Segurança Pública

0300 313 5800 (interior)

(98) 2323-5800 (capital)