Texto e fotos: Jean Camapum

Em Imperatriz, homens que não se assumiram homossexuais ou bissexuais para suas famílias ou amigos, buscam encontros através do aplicativo Grindr. O diferencial desse app, é que o usuário não precisa mostrar o seu rosto no seu perfil, pois a maioria dos utilizadores estão na mesma situação. Perfis com os nomes “ativo discreto” ou “homem no sigilo” são bastante comuns de se ver.

“O que leva a pessoa não se assumir para sua família é  o tabu em relação a aceitação da orientação sexual. Faz com que a pessoa fique com medo da reação do outro, de como vai ser recebido pela sua família e amigos.” Afirma a psicóloga e especialista em Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), Gicélia Gonçalves

O Grindr foi o primeiro aplicativo de encontros e relacionamento dedicado exclusivamente ao público gay e bissexual. Fundado em 2009, o aplicativo conta com mais de 27 milhões de usuários no mundo todo.

Quenedy (nome fictício)  não é assumido para sua família e diz que usa o aplicativo há mais de um ano: “No aplicativo eu sempre mostro apenas parte do corpo no perfil, para manter a descrição, já que não sou abertamente assumido. Mas em conversas com outros usuários sempre envio foto de rosto”

O mesmo usuário também usa outros aplicativos de encontro como o Tinder e comenta que lá é completamente diferente. “Utilizo o Tinder e mostro meu rosto no aplicativo. Acho que por conta do Grindr ser utilizado como aplicativo de pegação e sexo muitos dos usuários preferem não se expor para manter sigilo e descrição.”

Homens que usam o aplicativo Grindr não mostram foto do rosto 

O estudante de jornalismo da UFMA de Imperatriz e militante da causa LGBTQI+ , Marcelo Nunes, afirma que os usuários do aplicativo não se identificam por conta da não aceitação familiar e o medo da rejeição social. “É válido que a pessoa não se identifique com foto ou com nome. Porque é uma escolha delas e ninguém  tem a obrigação de se assumir.”

 Psicóloga Alerta

Gicélia Gonçalves faz um alerta aos futuros problemas que essas pessoas podem passar. “Costumo falar que nós somos um copo em baixo de uma torneira pingando, vai chegar um momento que o ultimo pingo vai transbordar e eu chamo isso de transtornos psicológicos. A pessoa que tem a orientação sexual e não pode contar para a família ou amigos vai fazer com que ela se reprima. Pode vir a desenvolver ansiedade e se ela já for uma pessoa ansiosa ela vai potencializar e levar a depressão”