Rotina diária dos ônibus gera muitas histórias

Texto e fotos: Jean Camapum

Em Imperatriz, existem cerca de 39 frotas de ônibus circulando na cidade das 6h às 0h30. Do amanhecer ao cair da madrugada, cerca de 1,8 mil pessoas usam esse tipo de transporte diariamente, seja para se locomover ao trabalho, escola ou até para a  faculdade. Mães acompanhando seus filhos nas escolas e idosos indo resolver suas obrigações no centro da cidade são bastante comuns de encontrar.

A estudante de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Alice Caroline, usa o serviço de transporte coletivo há dois anos, desde quando começou a sua faculdade. Ela se desloca de sua cidade para Imperatriz diariamente. Alice reside no município de Senador La Roque, localizado a 27 quilômetros de Imperatriz e utiliza o transporte coletivo intermunicipal para chegar à cidade. A estudante ainda trabalha como bolsista na coordenação do curso de Engenharia de Alimentos na UFMA, no campus Bom Jesus.

O trajeto de Senador La Roque é bastante longo, com uma duração aproximada de  50 minutos até a entrada do bairro Bom Jesus, onde Alice trabalha. A estudante desce em uma parada perto da Escola Municipal Paulo Freire, pois a rota de seu ônibus não passa por lá. Após a descida, a estudante espera cerca de 10 minutos por uma carona a caminho do seu trabalho.

Bolsista pela manhã, estudante de jornalismo à tarde, Alice vai para a parada às 7h15 da manhã todos os dias para o começo de sua jornada. “Depois de terminar meu turno no Bom Jesus, almoço no RU (Restaurante Universitário) e pego uma carona com uma colega de curso que também trabalha na biblioteca do Bom Jesus e chego na UFMA do centro umas 13h30. Depois que a aula acaba, pego a linha Cumaru e chego em casa umas 20h30”, relata a universitária.

Quantos minutos faltam?

Em abril de 2016, a Ratrans (Rio Anil Transporte LTDA) lançou um aplicativo chamado Meu Ônibus Imperatriz, que tem como objetivo informar quantos minutos faltam até o ônibus chegar em determinada parada. O aplicativo está disponível para Android e iOS e conta com mais de 10 mil downloads.

O dispositivo informa qual o número, o nome da linha e quantos minutos faltam para o transporte chegar a uma parada. Os veículos possuem monitoramento via GPS, permitindo que o usuário monitore o tempo restante e não se atrase em seus compromissos.

Conheça os dados                                                                                                              

De acordo com o gerente da Ratrans, Odair Francisco, existem cerca de 8 mil pessoas cadastradas no sistema da empresa, sendo eles 4,7 mil estudantes e 3,3 mil idosos. Pessoas com deficiência, idosos, gestantes e agentes de saúde em horário de serviço obtém gratuidade no valor da passagem, que custa R$ 3,50.

Um ônibus comum suporta 75 pessoas no total, sendo 42 pessoas sentadas e 33 em pé. Já os micro-ônibus são bem menores, comportando 35 pessoas no total, sendo 24 nos assentos e 11 levantadas.  Dos assentos, oito são reservados aos idosos.

Existem cinco micro-ônibus em Imperatriz, sendo 39 o número total dos que circulam na cidade. As linhas: 03 – Cafeteira, 04 – Vila Nova, 05 – Santa Rita e 17 – Ouro Verde possuem o recurso de ar-condicionado. A linha 5 é a única que oferece dois ônibus com esse recurso. Os micro-ônibus foram entregues em dezembro de 2017, a partir de uma parceria com a prefeitura de Imperatriz. Segundo Francisco, a intenção é que as frotas sejam renovadas anualmente em um percentual de 8% a 10%. A Ratrans pretende substituir todos os coletivos até o fim do mandato do atual prefeito, Assis Ramos.

Do sol do meio-dia à escuridão da noite

Reginaldo Sousa, 44 anos, frequenta o transporte público diariamente para se locomover ao trabalho, localizado no Viva no Imperial Shopping, onde começa o seu turno às 14 horas. Reginaldo sai de sua residência, localizada no bairro Nova Imperatriz, seguindo rumo ao ponto de ônibus às 12h45. O trabalhador conta que usa o transporte público há cerca de três anos.

Reginaldo relata que o serviço já lhe deixou na mão diversas vezes, por conta de atrasos. “Já cheguei a me atrasar no trabalho porque o ônibus não passou no horário que deveria e tive que esperar quase 20 minutos para outro passar. É assim, o ônibus não passou, é quase certeza que vou me atrasar, pois o meu trajeto varia entre 45 minutos a 1 hora, dependendo do motorista”, relata.

A escuridão consome a cidade quando Reginaldo finaliza o seu trabalho. O funcionário senta na parada de ônibus do Imperial Shopping para esperar sua condução. “Prefiro pegar a linha Vila Nova-Bom Jesus porque é mais rápido, chego em casa no máximo em 20 minutos. Agora, se eu me atrasar e pegar a linha Vila Redenção demoro bastante, pois tenho que dar a volta todinha nesse bairro até chegar em casa. Se eu pegar o Vila Nova, chego em casa umas 21h, se eu pegar o Redenção pode ter certeza que só chego depois das 22h”, explica.

Essa é a rotina da maioria dos imperatrizenses que usam o ônibus coletivo diariamente. Alguns vêm e vão para a escola com o auxílio desse transporte, outros utilizam para se locomover ao trabalho enquanto outros apenas para resolver seus deveres no centro da cidade. É um transporte essencial na vida dos Imperatrizenses.