Matheus Lopes dos Santos

 

Jovens entre cinco e dezesseis anos, moradores do conjunto habitacional no bairro Dom Afonso Felipe Gregory, em Imperatriz, utilizam área inapropriada para jogar futebol. Com apenas uma quadra de esportes situada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o terreno abandonado se tornou uma opção alternativa à quadra por falta de segurança.

Crianças brincam em terreno porque quadra da Prefeitura fica em lugar periogos

Crianças brincam em terreno porque quadra da Prefeitura fica em lugar periogos

O campo improvisado na área institucional entre as ruas projetadas 4 e 5, conta com traves feitas de varas fincadas em solo capinado por elas mesmas. Um dos motivos das crianças não frequentarem a área de lazer do CRAS, se deve à proibição de seus pais.  “Nós fizemos aqui porque minha mãe não deixa eu ir pra quadra”, conta Eduardo Ferraz, 14 anos.

“Tem muito trombadinha que vem do Recanto do Bosque. De manhã deixo meu netinho ir pra quadra, mas quando dá de tardezinha não deixo”, diz a dona de casa e avó de Eduardo Ferraz, Maria de Lurdes Ferraz, 66 anos, sobre um dos motivos de não permitir que seu filho brinque na quadra.

A segurança no bairro e na quadra também é outro fator. “Se pelo menos tivesse um posto fiscal perto do Cras daria segurança pra quadra, pra UFMA e pros moradores. A polícia só vem quando a gente chama. Às vezes vem uns quatro ou cinco policiais fazer ronda, mas segurança 24 horas é o que a gente mais precisa urgente”, explica Maria de Lurdes Ferraz.

Moradora do bairro há sete meses, a dona de casa, Joelma Pereira Melo, 35 anos, relata situações recorrentes na quadra do CRAS e das brigas por espaço. “Aí é muito pequeno e tem gente que faz confusão pelo espaço, tem uns que chegam já querendo mandar. Acontece até briga. Também não confio muito meus filhos brincarem na quadra, já aconteceram tantos casos, tipo estupro e uso de drogas. Eu mesma não confio e por isso não deixo meus filhos irem. Se tivesse câmeras ajudaria um pouco. Esses dias mesmo o suspeito estava por aí e teve até um que quase lincharam ele, mas já foi embora”, diz.

O residencial Dom Afonso Felipe Gregory, conhecido como comunidade do Bom Jesus, é um projeto do PAC entregue a partir de fevereiro de 2016, destinado a ex-moradores de áreas de risco na cidade. Com mais de doze áreas institucionais, os terrenos baldios são para investimentos de atendimento à região, como creche, escola e posto de saúde que deveriam ter sido entregues junto com as casas.

Segundo a secretária do CRAS Bom Jesus, Hayde Dayanny, durante o dia a quadra é aberta para cadastrados no projeto do PAC e pela noite o espaço é livre para o público. “Aqui tinha uma praça, mas os próprios moradores destroem. Também acontece vandalismo. Já arrancaram uma porta, quebraram o vidro da sala de informática, e levam até as lâmpadas”, conta Hayde.