Pauta: Matheus Campos

Repórter/fotografias: Matheus Campos

Imperatriz tem uma população de 234.547 habitantes, segundo o censo do IBGE de 2010. Com uma população majoritariamente heterossexual, os lugares para uma fuga na rotina são, também, pensados para o público hétero e, pela falta de opção, a classe LGBT acaba frequentando esses bares, festas e boates.

Em Imperatriz, existem poucas opções assumidamente para este púbico. Entre os poucos lugares está o espaço Fruta e Verdura Disco Bar. “Eu frequento lugares que não são voltado para a classe que eu pertenço, que é a LGBT, mas nesses lugares eu não me sinto muito a vontade devido ao medo do preconceito, de alguém querer me bater” afirma, estudante de Administração, Sávio Costa.

O preconceito

Idealizador da festa Tropico, para a categoria, Francisco Cambraia, relata que a dificuldade em ter um estabelecimento voltado para esse grupo se dá por diversos fatores, um deles e talvez o mais evidente é o preconceito. “Além da questão burocrática que são de costume e todo estabelecimento tem que ter, existe a questão moralista”, comenta.

Bar é um dos poucos assumidamente volta para o público GLBT na cidade

Cambraia diz que idealizou a festa Tropico por sentir uma falta, na cidade, de lugares onde o público LGBTs pudesse ser quem eles são e se divertir sem medo que alguém o possa coagir.

A proprietária do Fruta e Verdura, Jardeil Rabelo, disse que optou em atender esse público porque viu a carência desse local em Imperatriz e que a falta de mais lugares como o estabelecimento que ela administra é culpa de um preconceito.

“Tudo que você vai fazer e fala que é um direcionado a gays, a coisa acaba dificultando um pouco. Eles deixam as coisas mais complicadas, a coisa fica muito mais rígida, eu acho que por vontade de querer que não exista esse ambiente e a gente sofre com isso” relata Jardeil.

Afeta em tudo

O acadêmico de Ciências Contábeis, Ricardo Lima, e a proprietária do Fruta e Verdura, Jardeil Rabelo disseram que a falta desses lugares voltado para o público gay afeta não só na aceitação das pessoas com esse grupo, mas também na economia da cidade.

“A classe gay é uma classe de pessoas que tem poucas despesas, porque muitos deles não têm filhos, são estudantes e trabalhadores, gastam o básico. E eles têm sempre um dinheiro para se divertir com os amigos no fim de semana. Então, se tivesse mais lugares para eles, a economia da cidade seria mais impulsionada, visto que Imperatriz tem um número relevante de LGBTs”, explica Lima.

Segundo o Ministério do Turismo, o público LGBT movimenta mais de 20 bilhões de reais no mercado turístico mundial.

A importância desses lugares

“Essa falta me incomoda muito. A gente acaba saindo para lugares que a gente não se sente à vontade, mas devido à falta, a gente acaba indo e fazendo daquele lugar o nosso lugar também. Como é o caso do Bar dos Imigrantes”, expressa o acadêmico de Agronomia, Marcelo da Rocha.

O Bar dos Imigrantes não é um bar voltado para o público LGBT, mas devido a falta de um específico, várias pessoas vão lá por lá ser um local bastante frequentado por essa classe.

O Fruta e Verdura, que fica localizado na Avenida Beira Rio, diferente do Bar imigrante, é um totalmente voltado para a classe LGBTs, já o Imigrantes, como é conhecido pelos frequentadores, não é um local LGBT, mas devido a esse público sempre frequentar aquele local, ficou conhecido como um ponto de encontro da comunidade LGBTs. O Bar fica localizado em frente a Praça da Bíblia, na Rua Leôncio Pires Dourado.

Diversão sem lugar fixo

Além disso, na cidade ocorre, no decorrer do ano, algumas festas organizadas por pessoas do meio LGBT, totalmente voltada para a classe, como por exemplo a Tropico, Ploc, Vogue, Moulin Rouge e muitas outras. Tais festas ocorrem sempre em lugares diferentes, justamente por não ter esse local fixo para a execução do evento, o que acaba dificultando a divulgação.