Matéria: Mariana Muniz Gonçalves e Michely da Silva Alves

Pauta: Rafaela Pinheiro

Fotos: Mariana Muniz Gonçalves

Imperatriz faz parte de uma das cidades do Estado do Maranhão que menos investe em paraciclos nas rodovias públicas, segundo a Secretária Municipal de Trânsito e Transporte (Setran). Ainda de acordo com os dados da Setran, nos dois últimos anos aumentou cerca de 9% o número de veículos automobilísticos na cidade e embora não se trate especificamente de bicicletas, o órgão acredita que esse dado reflita também nesse modelo de transporte.

A bicicleta é um dos meios de deslocamento alternativo em Imperatriz, mesmo não tendo o número exato de bicicletas, Imperatriz tem pelo menos sete grupos de ciclistas, fora pessoas que pedalam somente por necessidade e não por lazer. Entretanto, os ciclistas estão tendo dificuldade para guardar suas bicicletas, pois em muitos lugares públicos não é possível encontrar paraciclos.

Prefeitura garante que vai instalar bicicletários no próximo semestre

Existe uma Lei Estadual, que torna obrigatório esse suporte em todos os lugares público das cidades do Maranhão. A Lei está em vigor desde o dia 8 de janeiro de 2015. Mesmo assim, ainda existem alguns locais, dos vários, em Imperatriz que não oferecem esse suporte aos ciclistas, como a Praça da Bíblia, reformada recentemente; o Hospital Municipal Socorrão, o Hospital Regional Materno Infantil, a Caixa Econômica Federal da Rua Leôncio Pires Dourado; o Calçadão, o Ginásio de Esporte Fiqueninho e a própria UFMA – Campus Centro. Ou seja, são lugares de grande fluxo de pessoas, nas quais necessitam guardar suas bicicletas em lugares específicos e apropriado para elas.

Outro fator importante é que boa parte dos paraciclos espalhados pela cidade são instalados pelas empresas privadas que costumam os usam para a segurança dos seus funcionários. Mas, muitos ciclistas já reclamaram por serem desrespeitados por donos de empresas que possuem paraciclos em frente suas lojas, somente para os funcionários e clientes.

Estacionamento privado

 É o caso da professora Aldenir Sousa Ferreira, de 39 anos. Ela necessita da bicicleta como transporte único para trabalhar e se locomover pela cidade e não encontra apoio e acessibilidade nas ruas de Imperatriz. Assegura que empresas privadas da cidade fazem parte dessas “mobilidades” com os equipamentos instalados, mas não autoriza pessoas, que não fazem parte do domínio da empresa, utilizá-las. 

“Não há necessidade dessa privatização de paraciclos. É uma questão de consciência, apenas. Sabemos que existem muitas pessoas que possuem carros e motos e tem lugares amplamente fáceis de estacionar, mas nunca podemos esquecer que as bicicletas também são meios de transportes viáveis e que muita gente usa, e nem sempre tem acessibilidade necessária , ou melhor, não tem!”, afirma Aldenir.

A implantação de paraciclos faz parte de uma questão social e mobilidade urbana, que tem como atestado, leis que alegam o dever dos estados e municípios, o avanço para o conforto dos cidadãos que utilizam este meio de transporte.

A tentativa de encontrar paraciclos na cidade de Imperatriz torna-se secundária e causa prejuízos ao estudante Henrique Lima Melo, de 16 anos. Há cerca de dois anos, ele optou pela bicicleta para ir à escola e largar a rotina de utilizar transporte público, de onde segue todos os dias para a escola que estuda e movimentações diárias pela cidade. Desde então teve uma bicicleta furtada próximo ao Fiqueninho, onde pratica aulas de Educação Física semanalmente. “Infelizmente não há estrutura e nem espaços para bicicletas nessa cidade, lamentável”, declara o estudante.

Ponto de vista do pesquisador

De acordo como o doutor em Sociologia e pesquisador de sociologia Urbana da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em Imperatriz, Jesus Marmanillo Pereira, de 38 anos, é preciso começar a pensar politicamente em uma cidade com vários tipos de condutores.

“Como sociólogo e usuário de bicicletas, entendo que a instalação de paraciclos contribui para a melhoria e auxilia positivamente, pressupondo a permanência de um público, gerando relações sociais e uma movimentação maior no espaço, alcançado até um novo grupo de consumidores para os equipamentos. Além da questão de segurança, o que é muito importante para a cidade que habitamos”, afirma Marmanillo.

Funcionamento e Categorias

Conforme o diretor executivo do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), Ráder Brito Saraiva Leão, a Prefeitura tem consciência da falta de paraciclos, nos lugares com maior nível de movimentação da cidade. “Dentro desse plano de mobilidade urbana, vai estar previsto a instalação dos bicicletários”, admite Ráder Brito, um dos responsáveis pela implementação do serviço.

A previsão é para o segundo semestre de 2018. Segundo ele, haverá distribuição de forma igualitária e correta diante de um estudo específico e técnico, e um desses estudos é o plano de mobilidade urbana, espaço para bicicletas, veículos, vagas para idosos, gestantes e deficientes físicos.